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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Eu morri num sonho.

Foi num sonho que eu morri.
Era minha casa.
Tinha um balcão de cozinha americana, o lugar era escuro até o teto e não havia colunas na sala.e tinha paredes eram de uma cor irreconhecível, por causa da penumbra.
Vi um homem todo de preto e mascarado, em pé no corredor, e toda minha família bem estava atrás de mim. Quando ele saltou para passar, eu tomei sua faca, que não sei se era dele, mas sei que era de cozinha e que era azul marinho, pois era muito comum aquele cabo de plástico preto, igual a todos as outras que se vendem em faqueiros baratos.
Ele contornou o balcão da maneira certa, mas eu era muito mais rápido. Então com a mesma arma que tentara me matar, eu o matei.
Enquanto seu sangue se esvaía, eu chorava nos braços da minha família, agora protegido. E foi assim que eu morri. Chorando, quando uma parte minha matou um desconhecido invasor.
Quando os policiais médicos forenses chegaram, o algoz já estava morto. Examinaram então a arma, o balcão, e a parede e interrogaram a família, e tudo  mais que era de praxe no ofício de médico legista. Principalmente aqueles objetos em que o sangue havia se esparramado.
"Foi legítima defesa do vítima pela sua famíla", concluíram. Apesar do ladrão ser um Houdini. Não contavam que aquele fosse um lúcido sonho de um velho fuzileiro aposentado, que eu nunca mais quis e nem poderia ser, dado ás mãos atrofiadas em serviço, mas que sabe que do lado de lá é confundido, como se não tivesse se tornado hippie. Quem teria sido o bandido?
Foi o sonho do Mundofudido.
Eu nunca quis matar ninguém, nem em sonho...
E que alívio que tudo não passou de um sonho.
Aquilo era um sonho.

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