Loading...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A vida as vezes parece um jogo de raquetes, nas sombras de uma cortina de fumaça.
Você levanta um raquete de frescobol e as pessoas enxergam uma de tênis. 
vc saca por baixo, pra começar devagar, e recebe um monte de cortadas impossíveis de pegar.
vc olha. ri. e pensa:
 -Dez a zero , ganhei... - e vai embora rindo.
 e do outro lado da neblina turva, dizem :
- lá vai um parvo. que não sabe nem sacar nada , nem vai na bola, não faz um ponto, e ainda é mal perdedor... pois ignorou as linhas todo tempo. 

bem vindos

não venha pra esse planeta se quiser se sentir bem vindo.
te dirão que eras esperado, mas sempre que não és como esperavam. após terem certeza de que és você mesmo e não mudarás, te hostilizarão por não ter te tornado um deles.
o que são? humanos como tu.
mas tão alterados que já não reconhecem um quando o vêem, nem mesmo neles mesmos. e definitivamente , se esqueceram do que é ser humano, e tentarão a todo custo te desumanizar, como fizeram a todo o planeta.
Sim este costumava ser um planeta humano... Por pouco tempo, entre a era dos dinossauros e a dos desumanos, a era presente.
Se você se perceber aceito e adaptado, não és mais humano.
Não se aceitam humanos aqui.
ainda que continuem nos chamando...

e olhar o par nos olhos

Eu acredito na possibilidade de uma humanidade onde a dinâmica vise o coletivo sem anular a beleza da individualidade, pois o mundofeliz é assim. Nada além disso e nem aquém. Nem submeter o mundo à minha vontade nem me deixar desaparecer numa unicidade totalmente transcendente e destituída de mim mesmo. Dançar a dança e olhar o par nos olhos, e as vezes fechá-los e apenas girar.
escrevi isso em 01/12/ 2011. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Juízes frangos

A vida muitas vezes se mostra como um concurso de míster universo, em que todos da bancada são  não hipertróficos, pois são pessoas normais que estudaram anatomia, nutrição, educação física e medicina, ou fisioterapia. E patrocinadores, é claro.
 Não sabem o que seria "puxar um ferro" por horas, ou fazer dieta seca, nas épocas de competição.
Apesar de fracos, e não conhecerem a dor que a produz, sabem reconhecer a beleza dos que a conseguem elaborar melhor que eles. E não se julgam indignos de julgá-los sem esta parte essencial da experiência.
 Nem tentam. Sequer tem a glória daqueles críticos de arte que são artistas sem sucesso de público, mas reconhecidos em produzir e aferir bem o que seja sucesso no que fracassam. Estes não são invejosos, mas querem divulgar a boa arte, que gostariam de fazer, mas o destino e a fortuna legou a outros executar melhor e com mais público.
 Não são como frangos que julgam concursos de míster universo. Eu teria vergonha de fazê-lo. Como teria vergonha de julgar a poesia  de outrem fraca, se achasse minha própria poesia fraca, ou não dotada de inspiração real, a saber : as emoções, experiências, dores, orgulhos, vergonhas e amores reais que não mencionei enquanto escrevia. A raiva, o estupor, o espanto ante o próprio pensamento delirante.
"A arte, pra mim, é assim."

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mas, e se...

Num universo de entropia e incerteza, as palavras que devemos ter mais cuidado ao usar são:
-mas, e se...
Pois cada realidade evocada , exigirá um desfecho. E se ela não for fértil e benéfica, mas estagnante e nociva, impedirá o solo de produzir novas possibilidades, condição necessária para que haja aferição das probabilidades. Não haverá então respiração para as raízes mortas se desfazerem de seus gases e acumular apenas o que é nocivo, mantendo a terra seca. Mas uma névoa morna  fétida, cinza e quente substituirá os prados e florestas antes verdejantes.
E a natureza das idéias , realidade da mente, realidade última do ser humano, produzirá algo parecido com chorume, com odor de enxofre e amônia, no lugar de água, e cheiro de chuva.
A ecologia das idéias é tão importante a saúde mental quanto a diversidade delas.
Equilibre sua selva, seja ela de metal , concreto , árvores ou idéias.
Não há permanência . Faça sua natureza durar o máximo, e ser o mais bela e harmoniosa possível.
Um pica-pau vai achar que bater a própria cabeça é felicidade.
Mas você não tem que ser um pica-pau, se não for um pica-pau.
"Mas, e se..."
Use, sim. E não há moderação.
Apenas use com responsabilidade, e seja cuidadoso com a realidade que cria.
Pode acabar com só você dentro dela.
Boa sorte.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Diálogo com a enfermeira do laboratório.

-vc tem um sotaque diferente.
-não. eu não tenho "um" sotaque. o fato de eu não ter sotaque igual ao seu faz vc pensar que tenho outro. Mas se perguntar para os que vivem onde cresci, saberá que também não falo como eles. Ainda que não fale totalmente como vc. :)
-tem razão, não posso dizer de onde é teu sotaque.
-como pode então dizer que tenho um, e que é diferente?
silêncio.

fINGINDO

eu olho essa gente toda e penso:
-o que será que eu estou fingindo que não sou?