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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Palafitas

 Andava pelas palafitas. Eram tábuas sobre as águas precariamente colocadas se lembrava de onde tinha vindo nem para onde estava vindo , apenas queria travessar as palafitas até seu destino
 Quando encontrou um velho careca, envolto em roupas, que de tão sujas era  impossível que se lhe verificasse a cor original do tecido. Mas estava cuidadosamente vestida pendendo do seu ombro direito para o peito e com o ombro esquerdo á mostra, à maneira dos hindus. Era severo, e o olhava com seriedade mais transparente que serenidade , mas ainda com amor, amor de familiar mais velho.
 Tinha na testa as três linhas horizontais desenhadas com uma tintura clara, era magro , muito mais que ele próprio. Olhou também ele para sua testa , sorriu e lhe deus um copo com um líquido, depois em seguida outro copo com outro líquido diferente, sabia que eram coisas diferentes , mas sem perceber qualquer diferença entre eles, engoliu-os. Em seguida o tomou pelos lados dos braços e o agitou como a uma coqueteleira. Olhou de novo, sorriu novamente, e lhe deu uns tapinhas nas costas, meio que empurrando-o delicadamente a prosseguir.
 Prosseguiu, mas lembrou-se de agradecer e virou-se para trás, mas viu que o velho estava já novamente ocupado com um casal que chegava logo atrás e lhe cumprimentava dizendo: -Senhor Buda...
 Virou a cabeça pra frente novamente pois não queria bisbilhotar e seguiu seu caminho pelas palafitas.
 E acordou.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Marionete.

Quando o boneco ganhou vida, as linhas funcionaram ao contrário e o marionetista viu que agora era ele quem era controlado. Até que foi perdendo a consciência e se tornou uma grande marionete que se fundia ao seu alter ego. Tentou se soltar antes, mas não era mais possível . Pois as linhas haviam sumido e agora só o seu controle permanecia. Mesmo o boneco havia sumido. Apenas o sentia em si. Dentro e por perto. Não era mais um homem , e sim apenas uma casca para seu próprio brinquedo. Agora eram um, e esse um não era ele, mas outro. Ele, o outro e o que veio ser. Um.

Pior que vampiro

Sem convite não vou nem na porta. se me destratar , não volto mais sem pedido de desculpas. Perdoo, mas se nada muda, de que adianta outra chance? Sempre haverá que mereça o primeiro voto de confiança. Amo o próximo e desconfio do ex-perto. Ser responsável por cativar e afastar tbm faz parte...

Homenagem

"Cê tá devagar aí né..."
(Seu Edson, mendigo da cantareira, escritor e amigo)

Dor

O cirurgião explicava pro outro, com uma chapa nas mãos, como as terminações nervosas haviam sido interrompidas e por isso o impulso voltava em forma de alarme para o cérebro, quando alguém chegou por trás deles e disse ;
-Isso doeu à beça.
Um deles,olhando pra trás para trás disse:
-vc tbm é cirugião? (Mas não viu ninguém).
 Ao voltar-se para frente, viu então, um paciente que havia dado a volta pelo outro lado e retirava o exame das mão do outro médico dizendo:
-Não, mas a tomografia é minha...

Falo mermo

O dinheiro, nesse mundo de silêncios, fala mais alto e cala qualquer um que esteja a venda, e depois ainda tira onda de sábio... Sábio dinheiro calado e escondido. Sapientíssimo...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Darwin

Devemos nos adaptar a nossa própria natureza, afim de que sobrevivamos à nós mesmos, nosso único adversário na evolução da espécie humana e do planeta.

Esfinge

-Decifra-me ou te devoro.
- Ok. Norte, sul, leste e oeste.
- Minha vez. Quem sou eu?

Sempre

.
.
.
E.
Eu.
Meu.
Eu sou meu.
Eu, apenas eu.
Eles sempre tiveram tudo.
 Eu, nunca.
Eles sempre tiveram razão.
Eu, nunca.
Eles sempre tiveram tudo.
Eu, apenas eu.
Eu sou meu.
Meu.
Eu.
E.
 .
 .
 .
   

A Baleia Marrom.

mergulho da cabeça da Baleia Marron
http://www.youtube.com/watch?v=UmXJE9cl6II         
  Era um dia perfeito, muito sol e uma novidade irresistível. Uma mãe que admitia seu filho de treze anos ir a praia sozinho(finalmente...). A escolhida foi Piratininga, que era minha preferida. Primeiro a praia grande pra pegar uns jacarés. Muito mundofeliz, todo mundo muito feliz!!! Moradores de São Gonçalo, desapercebidos em um lugar "mais evoluído" que era aquele. Após estarmos todos já satisfeitos de enfrentar o poder do mar sobre nossas cabeças. Rumamos para a prainha. Tava calmo, batendo ondas, mas ainda era possível nadar ao lado da Pedra da Baleia, que era gigantesca, parecia um prédio de muitos andares , só que deitado. Parecia uma grande baleia cachalote marrom., encalhada na praia. Subimos na pedra maior (que nunca aprendi o nome) e ficamos olhando as pessoas que subiam na baleia. Alguns pulavam de lá , ninguém da nossa idade...
  O grupo era o Pantera, que era o maior, o Pierre , meu melhor amigo na época , o Zé Pequeno, que era o mais velho mas também o mais baixo de nós e eu. Acho que foi o Zé que deu a má idéia, acolhida imediatamente por todos: "Vamos pular da testa da baleia!!!" "SIM!!!" Só tinha maluco...
Atravessamos o canal entre as duas pedras e subimos. Só a subida já era uma merda. Deixava claro que não dava pra voltar pela escada e que cair dali era cair nas pedras do próprio caminho. E ia ficando alto e alto.De cima da pedra parecia muito mais alto que olhando de baixo.
 Chegamos ao platô. Como tudo ali era lindo!!! Bastante superfície pra andar pra todos os lados. Pessoas namorando, fumando , rindo e olhando da beirada também. Aos poucos, alguns entravam na fila e iam andando para a testa da baleia . Estranhamente,  quando chegamos até lá, percebemos que todos já haviam decido. Só havíamos ficado nós quatro lá em cima. E adivinha? Ninguém queria pular primeiro. Hora do velho zero ou um. O Pantera foi primeiro. Tiramos de novo. Agora foi a vez do Zé Pequeno. Par ou ímpar ? ganhei. Você vai primeiro, Pierre. Mas o Pierre medrou: "-Vou pular pelo lado da pedra"(que era mais baixo). Nem zoei, fiquei sozinho lá em cima. Dei dois passos pra trás e três pra frente, um já no vácuo.
    Sacudi os braços como que voasse, brincando. Olhei ao redor e algo estava muito estranho. Podia ver as duas praias e as pessoas como se fossem formigas lá embaixo. De alguma forma estava muito acima da altura de que havia pulado. Parecia descendo das nuvens, olhei então pra baixo e vi o oceano subindo. Era linda aquela cor de abismo azul escuro esverdeado. Mas tinha um ponto preto no meio, que se aproximava como a pupila de um olho que se abre roubando a cor, como crescendo em psicodelia. Aterrizei de peito sobre a pupila. Um pouso forçado e doído , sobre a cabeça do Zé Pequeno, que havia ficado boiando lá embaixo , no ponto de aterrizagem todo tempo... Mané.
   Nadamos eu e o Zé para fora d'agua, sinceramente não me lembro direito de como cheguei até a areia. O Zé nada sofreu. Fiquei ali sentado com uma dor terrível no peito (na aterrizagem eu bati a bunda nas costas dele, de segunda, e o peito na cabeça em cheio, primeiro). Arrotei pra sentir o ar, como um recém nascido, mas não chorei, apenas reclamei. O Zé nada sofreu (maldito cabeça dura), aenas afundou e voltou, mas eu estava um caco. Fui pra casa sozinho.
   Ia caindo dentro do ônibus e as pessoas me olhavam como um moribundo de treze anos. Tenho tanta pena deles hoje como eles de mim, devia ser uma cena triste. Alguém me deu o lugar .Percebei que se eu colocava os ombros pra frente, todo meu peito parecia que ia afundar e perdia a respiração com uma dor aguda. Tive que corrigir rápido a postura. E não podia contar pra minha mãe . Ela me levaria ao médico sim , mas nunca mais me deixaria ir a praia sozinho. Por meses, procurei não sentir aquela dor no peito e fazer pose de robocop, pra não morrer asfixiado e indo a escola normalmente, ou parando naquela velha esquina do Raul Veiga. Em casa,  Calei-me.
 Quinze anos depois,  entro eu  no consultório do doutor com chapa pedida na mão.
 Ele olha , coça a cabeça(um gesto que já vi algumas vezes e que não é muito agradável de se ver num médico.
 -Rapaz o que aconteceu aqui?- diz ele olhando pra foto. -Você já se machucou aqui ?
-Sim- disse , e contei a história da baleia marron.
 - Vocêo podia ter morrido!!! Quebrou o externo quase no meio e várias costelas ao redor, nem sei como isso calcificou. Quer dizer, o que calcificou, pois uma parte do seu tórax simplesmente vai sempre estar flutuando, com costelas apenas encostadas umas nas outras e no externo, entre estes calos, que são cicatrizes ósseas. Tem muita sorte e estar vivo!!!
 -É verdade!!! Meu peito estala!!! E tenho sorte!!! AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
 Deve ser por causa disso que meu coração é confortável...

sábado, 28 de janeiro de 2012

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

Entre morrer de pena e morrer de rir . vou vivendo...

Baby

  Baby era seu apelido, pois onde quer que estivesse tinha sempre consigo um vaso de leite. E não qualquer leite , mas leite materno. Pois era desde nascido muito alérgico a todas as espécies de alimento, órfão de mãe de parto, de quem herdara olhos castanhos quase vermelhos, e recebera do seu pai desde que se lembrava de si , o alimento das amas de leite da família do pai (pois moravam distantes da família da mãe , do hospital ,  e do banco de leite). Nunca tivera uma crise alérgica , pois seu pai constantemente lhe lembrava do que aconteceria se provasse algo que não fosse leite materno. A saber, eritemas e edemas de glote , com hemorragias internas e morte rápida e dolorosa. Tinha até lhe mostrado um vídeo com uma pessoa tendo um choque anafilático e morrendo.
 Baby vivia fora isso uma vida normal. Era bom aluno e respeitado em sua comunidade tinha também habilidade com as meninas e em esportes também. Nada lhe faltava e por confiança deixava que seu pai sempre cuidasse de buscar seu leite, desde criança. Agora um adolescente , sabia que em algum momento teria que cuidar disso, mas não tinha pressa, pois não tinha fome.
 Um dia estava com seus amigos e recebeu um telefonema. Seu semblante mudou ao receber a notícia de que seu pai estava morrendo. Atropelado perto dali. Correu pra lá.
 Ao chegar perto viu que o sangue se espalhava por todo lado , o olhar de seu pai se amarelava, sua respiração diminuía. Chegou o rosto mais próximo do negrume do asfalto. E ouviu as últimas palavras do seu pai.
-O porão, a verdade está no porão, mas não se engane , ela ia nos abandonar , ela nos traiu. Não a deixe ir... e morreu.
- Não entendeu o que ouviu, tentou gritar para que seu pai não morresse. Já era tarde. Acompanhou o rabecão até o IML e depois foi para casa.
  Ao chegar foi até a geladeira e pegou um copo de leite. mas ao caminhar pelo corredor para a sala , se lembrou das últimas palavras do seu pai.
 Abriu a porta do porão e lentamente desceu as escadas., ouvia um barulho de máquinas de sobrevida, como em um hospital. A cena que se descortinou era bizarra.
 Diante de si , uma mulher de meia idade estava presa em uma grade pelas mãos e pernas, meio vestida , mas sem pudor ou cuidado. Estava presa a tubos que a alimentavam e instrumentos que aferiam sua saúde. Havia também coletores conectados para recolher fezes e urina. Estava vendada e ao ouvir seus passos, emitiu um gemido pelo cano que lhe entrava na boca e tentou se mexer. Uma baba escorria do nato de sua boca e caía num balde que já estava quase cheio. Se aproximou e tentou ajudá-la , mas então percebeu que haviam tubos conectados aos seus seios. Tubos que sugavam , de seus seios enormes e disformes, leite materno para dois galões de armazenamento. Baby estava horrorizado. Retirou então a venda dos olhos da mulher . e só então , vendo que os olhos dela eram iguais aos seus, vermelhos , percebeu que era sua mãe. Ela assim que se viu livre da venda  tentou se comunicar com ele. Seus olhos eram pura expressão de alívio. Nunca havia visto o filho em toda sua vida . Lágrimas de felicidade rolavam por vê-lo, após tantos anos de escravidão e sofrimento nas mãos de seu ex marido, e também de alegria, pois ficaria livre!
 Mas ele, que também chorava, olhava para os tubos em seus gigantescos seios e não conseguia retirar tão rápido as amarras, em desespero pensava em toda sua vida. As palavras do seu pai vinham a mente entre as imagens "-Ela ia nos abandonar, ela nos traiu, não a deixe ir."
 Pensou em toda sua vida. Em que poderia não ser alérgico a nada. Que amava tomar seu leite e ser diferente dos outros. Que sempre quis conhecer a mãe, que só vira em fotos. Que nunca tinha adoecido. Que não conhecia aquela mulher,que os olhos eram iguais, mas que não era nem tão parecida com as fotos. Que poderia nem ser sua mãe.
Aturdido e chorando, levantou-se, pegou a venda e sem querer mais pensar, colocou novamente nos olhos da mulher, afinal , ele nem a conhecia. Era sua fonte de alimento e ele adorava seu leite. Não abriria mão dele por ela. Amava mais o produto, que a explorada por causa de sua produção, tão natural e específica. Com passos trêmulos em marcha ré, mas resolvido, atravessou de costas o umbral da porta, segurou a porta novamente a sua frente, lento e nervoso e abafando os gemidos de sua leiteira, até mesmo de sua mente, fechou a porta. Decidindo continuar a farsa que era a sua vida.
 FIM.

A felicidade, a Saudade e a Mágoa.

A felicidade ofereceu a dois viajantes sua companhia pelos caminhos, apenas colocando como condição a escolha certa entre a Mágoa e a Saudade, no fim de uma caminhada.
 Dois viajantes chegaram e escolheram. E ela, elegeu o que quis a Saudade.
Mas o outro replicou, dizendo que a Mágoa era necessária pra que ele estivesse feliz com o que possuía no presente, e para que a próxima viagem fosse melhor.  A felicidade então disse que a mágoa não permite sequer que se olhe, no presente, para o que vai ao lado. E disse que quem tem saudade , pode olhar para o que tem, feliz, e feliz por aquilo que teve também , pois guarda um sorriso na memória. E assim há mais que um momento feliz na Saudade. Ando bem junto dela - Disse. E de quem a leva. Más a Mágoa coloca defeitos onde não havia, e faz desaparecer a felicidade de um momento passado por outro que não foi feliz, e, não trazendo nenhuma felicidade para o presente, acaba determinando minha distância no futuro.
 Mas e agora, Felicidade? E agora que já escolhi , não posso jogar fora?
 Neste mundo nada se perde, caminhe um pouco só com sua Mágoa, desejando ser feliz de novo, e encontrará o Perdão pelo caminho, estarás muito atrás por causa do peso da Mágoa , que faz com que ande mais lento. Mas ao encontrar o Perdão, pode trocar a Mágoa pela Esperança ao caminhar com ele, ela faz ir tão rápido quanto o voo da Saudade. E assim me encontrará novamente pelo caminho. Para quem não está comigo, eu estou sempre um pouco mais a frente. Se vai me alcançar de novo ou não, depende de seu esforço e suas companhias. Eu não me detenho por ninguém, nem sigo ninguém. Escolho com quem ando pelo que carregam no coração.  Estou apenas de passagem. Pode vir ao meu lado e na minha direção quem quiser. Gostando das companhias, pode vir. Quem quiser...

Não é o único

O mundo em que eu vivo não é o único, nem tão pouco o mundo a que eu pertenço é o único, o mundo de onde eu vim não é o único, o mundo pra onde estou indo não é o único também. Mas eu sou do mundofeliz, pertenço ao mundofeliz, venho do mundofeliz, vou pro mundofeliz, e estou sempre no mundofeliz...
Mundofeliz pra quem quer.
Pra quem não quer, um outro que também não seja o único...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A volta ao mundo em um sonho.


(Os verdadeiros. pastel oleoso sobre canson)
     Andou pela rua até chegar a locadora, aquele meu velho amigo , que me contava seus sonhos. Escolheu um filme famoso e pagou com uma nota de dez. Recebeu uma de vinte. Espere! Uma de vinte? "Mas ela me deu o troco errado". Mas não devolveu. colocou no bolso e foi andando.
      Como se lhe sobrasse agora dinheiro foi ao mercado municipal. E começou a andar pelas vielas cheias de comércio. e a olhar os preços e passear por lá. Percebeu que não queria nada, só andar e ver as pessoas. Mas elas também percebiam que estavam sendo vistas.O mercado era muito cheio.
     Entrou num beco que descia , não soube no momento exatamente por que, mas continuou descendo degraus, até que percebeu que não via mais a porta acima , que a luz enfraquecia , mas não podia voltar e que tinha mais gente ali , mas não podia vê-los e que tudo queria somente lhe fazer sentir medo ali. Sentiu que só estava, mas não era mais dos que correm ou batem há muito tempo. olhou para a parede e viu por dentro dela um fio elétrico, via sua eletricidade branca e via que ela ia pra dentro das escadas, rumo a escuridão. Colocou a mão no fio e foi-se.
       Numa velocidade espantosa se movia junto com a energia. e agora podia ver pela luz que irradiava os moradores daquele porão. Eram calvos , talvez por não tomar sol nas cabeças, pois viviam na escuridão, e eram narigudos e com grandes olhos , mas que não enxergavam , e sim iluminavam. Não caminhavam, dançavam. Não competiam , brincavam. Tinham, alguns, bigodes estranhos e outros, dentes de ouro, mas lembra-se que seus olhares eram puros , embora às vezes maldosos, e na sua impressão infantis, embora exprimissem toda sabedoria do mundo, considerou-os amigos e sentiu o mesmo. Seguiam brincando enquanto passava. Com sua calças riscadas e sapatos grandes. A energia fez um curva no espaço e de repente começou a subir, passara até o chão a dentro e agora ia chão a fora, viu uma pouca luz na porta novamente e, ao se aproximar, saiu num cemitério.
       Isso mesmo , num cemitério escuro e frio. e sem nenhuma estrela no céu. Aproximou-se dele um homem negro de terno branco,  com um chapéu branco na cabeça, do outro lado uma mulher se chegou . Tinha belas roupas vermelha e negras , como as damas perfeitas dos cabarés antigos do faroeste. E pela frente, se aproximou um sujeito com muitas armas de fogo( como metralhadoras M60), como se fosse um daqueles super heróis de guerra dos filmes de Hollywood, eles perguntaram a ele o que queria ali. E ele disse , "eu quero passar". Olharam uns para os outros e disseram . Se ele não quer guerra e só quer passar, é justo que ele passe. E deixaram-no fazendo reverências. Continuou em frente agora sem linha nenhuma em que segurasse, e entrou na porta que estava a frente , embora não fosse um porta de saída , mas de entrada e que apontava novamente pra um corredor, saiu de novo dentro do mercado municipal.
      No mercado, quis comprar um cigarro no boteco e foi atendido, mas ao tentar pagar percebeu que havia perdido o dinheiro. Por sorte alguém do mercado agora gostava dele. Devia ser amigo dos senhores do porão, ou do cemitério. Pagou os seis cigarros e ainda lhe deu mais dez reis.
     Saiu do mercado, pois continuava cada vez mais cheio, e passou na locadora de volta. Falou com a atendente e lhe devolveu o filme, sem assistir, o que ela estranhou , mas não perguntou porque. Lhe deu também os dez que ganhou, pra quitar o troco errado(o que ficou plenamente entendido pelos dois sem uma palavra). E foi pra casa. E acordou.
      Perguntei pra ele, quando me contou, por ele ele não quis ver o filme. Ele disse que não queria desinteirar o troco , mesmo que pudesse pagar na volta. E que depois , acabou se lembrando de já ter visto aquele filme...
   Cara engraçado...


Para Thatiane Peclad Goulart.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os rastas

Let's go to burn Babylon, bro!!!
Oh yeah!!! But look, I have this joint right here!
Oh.
So let's burn this shit first, man.
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

A tese de vivido, existido, sido, ido, voltado, ou a tese de que vc é exatamente que vc pensa ser seja o quâo idiota isso possa parecer. (seu eu fosse psicólogo)




'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.

Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome.

São tratados como se fossem uma 'COISA'

A matéria acima é do mural de
Ana Paula Siqueira

no facebook

Se a inspiração é o expressar o que vemos de dentro pra fora(ou vice versa), esse blog é mais ou menos respostas de dentro de mim para o que é o mundo. Minha tese, como artesão de bonequinhas, para ser aprovado ou não pelos fazedores de mestres na vida.  Não submeti a nenhuma academia , mas tá aí pra quem quiser ver . admiro os grandes pensadores , mais por terem sido pensadores que ter por terem sido grandes, pois pequeno que sou , como direi quem é maior entre todos estes tão grandes que vejo daqui de baixo?
Muito grato a quem curte !!!
Mundofeliz pra quem quer!!!
(By the way . Tenho bons amigos que são garis. Amigos de sentar pra fumar um cigarro e conversar, e beber água, e comer mangas...)
foram dez anos vendendo bonequinhas entre as pessoas ...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Da igualdade.

Os ossos sempre brancos.
As pupilas sempre negras.

Abismos?

Cuidado com quem atiram aos abismos, alguns desenvolvem a estranha capacidade de fazer amizade com os dragões e voltam guiando-os de carona sobre suas costas gentis e outros ainda se tornam dragões PARA SOBREVIVER.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Liberdade

Teu equilíbrio equilibra tudo.
Teu desequilíbrio desequilibra tudo também.
Equilíbrio é fundamental para que sua
liberdade, em desequilíbrio, não seja uma prisão para a todos...

Fato

Meu tato.

Curto

Penso a longo e curto o prazo.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Escritor

Escritores vivem,
e as vezes escrevem também.

Abismo

Paixão é abismo.
Amor é voar no abismo.
Se não saltar no abismo, jamais voará.

Gravatas

Quem cheira as gravatas?

Cabeça

Chapéu não cai do céu.

EQUILÍBRIO

Sou uma pessoa normal, que ri no humor, se emociona no amor e no mais equilibra-se como pode...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sei e sinto

O que sei é pouco , mas sinto muito.

O maior órgão 11

O umbigo. o primeiro a ser formado. o primeiro a ser castrado. o último a ser esquecido. a vida.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Da dívida e da dúvida.

Quanto mais me cobram mais me devem.

Meme

Malandro é o argentino.
Porque?
Como se fala malandro em espanhol?
Tem malandro em espanhol?
viu?
Caraca!!!
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHA!!!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sentidos 2

Partículas de luz que tocam os olhos ,
partículas de gazes que tocam o nariz,
particúlas químicas que tocam a língua,
ondas sonoras que tocam os tímpanos,
pó que toca a pele,
emoções que tocam o coração,
sexo que toca a libido,
pensamento que toca a consciência,
sentimento que toca a razão.
Todos são tato.
É tudo Tato.
Se toquem e toquem-se.

O Pássaro

A ética é o pássaro.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SAIBA

Saber é sabor, o resto é supor.

TEM QUE SER A TEMPO.

Dar elogio a quem não merece é como cuspir um chiclete ainda com gosto, e não dá-lo a quem merece é como engoli-lo da mesma forma.

Sobre o fácil e o difícil. De novo.

Tudo é difícil no começo, médio no meio e fácil no fim . Exceto pra quem vai repetir de ano, de novo...

TUDO

O TATO QUE TUDO SENTE E TUDO TOCA.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre quando é tarde demais.

Penso na simetria entre os pontos marcados.
No local proibido em que eu gostaria de pousar, levemente, com o aparato de reconhecimento desprovido totalmente da necessidade da luz.
Relevante relevo venusiano. Planície rósea diáfana.
Eu te leria como um cego e assim saberia o significado das palavras que se afirmam ausentes na superfície, enquanto gritam no seu interior,
Muito além do rótulo e do conteúdo. Tão alto que são ouvidas por todo o mundo.
Ainda que eu saiba que apenas eu as compreenda.
Apenas eu posso compreender seu eco de dor.
Por ouvir nelas o meu nome.
E saber que só posso ser como sou e que só querias que eu fosse como queres.
Perfeito como me vês. Como nunca seria.
E te ver chorar e desvanecer-se em som e solidão.
E em nossas lágrimas me atirar para também assim desaparecer e não mais ouvir o título de nossa maldição. Narciso... iso... iso... o... o... o...

recomeço e começo 0,1... ih pulei.

Liberdade, Impulso e equilíbrio.

ATEU

Sou tão ateu quanto um deus monoteísta.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Na batida do peito

Não tenho pressa nem paciência.
Vou no meu ritmo, mas vou...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Vazios

Se nosso pulmão não fosse oco, o ar não entraria.
Se nosso coração não fosse oco, não passaria o sangue.
Se nossos ossos não fossem ocos, não haveria medula.
Se nossa cabeça não fosse oca, não haveria cérebro.
É que por dentro, somos feitos de vazio.
Nos preenchemos então,
com o riso e o amor,
por isso.


para Maria Luiza e Nathália.
com amor e vazio.

Esfingroborus

Decifra-me ou te devoro = Decifra-te ou continue comendo sua cauda até a cabeça.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

SINÕNIMOS

Vivendo e aprendendo são sinônimos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

tu.

eu sou um cara normal e não tenho nada a dizer de importante.
eu sou um gênio e posso fazer qualquer coisa.
eu sou um cara anormal e posso fazer algumas coisas , mas não todas.
eu sou um cara.
eu não sei quem sou
eu sei.
eu.
e...
...
.