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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Palafitas

 Andava pelas palafitas. Eram tábuas sobre as águas precariamente colocadas se lembrava de onde tinha vindo nem para onde estava vindo , apenas queria travessar as palafitas até seu destino
 Quando encontrou um velho careca, envolto em roupas, que de tão sujas era  impossível que se lhe verificasse a cor original do tecido. Mas estava cuidadosamente vestida pendendo do seu ombro direito para o peito e com o ombro esquerdo á mostra, à maneira dos hindus. Era severo, e o olhava com seriedade mais transparente que serenidade , mas ainda com amor, amor de familiar mais velho.
 Tinha na testa as três linhas horizontais desenhadas com uma tintura clara, era magro , muito mais que ele próprio. Olhou também ele para sua testa , sorriu e lhe deus um copo com um líquido, depois em seguida outro copo com outro líquido diferente, sabia que eram coisas diferentes , mas sem perceber qualquer diferença entre eles, engoliu-os. Em seguida o tomou pelos lados dos braços e o agitou como a uma coqueteleira. Olhou de novo, sorriu novamente, e lhe deu uns tapinhas nas costas, meio que empurrando-o delicadamente a prosseguir.
 Prosseguiu, mas lembrou-se de agradecer e virou-se para trás, mas viu que o velho estava já novamente ocupado com um casal que chegava logo atrás e lhe cumprimentava dizendo: -Senhor Buda...
 Virou a cabeça pra frente novamente pois não queria bisbilhotar e seguiu seu caminho pelas palafitas.
 E acordou.

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