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sábado, 25 de dezembro de 2010

Ser sempre humano

O que eu acho lindo no ser humano é que as palmas, das mãos e dos pés, são sempre de cores iguais,
e as mentes nunca.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Diálogo sobre o natal:

-Mas eu dou presentes aos pobres também!
-O que você deu de presente ao seu filho?
-Um vídeo-game(citando uma marca de última geração).
-E para os pobres?
-Bonecas e bolas.
-Daquelas que furam com um chute e que a cabeça cai no primeiro dia?
-Mas eles não iam ganhar nada, ficaram muito felizes com os presentes.
-Hipócrita, eles não iam ganhar nada porque você concentra toda a renda que eles teriam para dar presentes uns aos outros, e ficaram felizes porque não sabem quem provoca essa concentração.
-Mas o que fazer então?
-Pegue o dinheiro do mundo e divida em partes iguais, se você ganha mais do que essa cifra, distribua aos que não ganham, de preferência a pessoas que trabalham , mas ganham menos que esta justa parte.
-Tá brincando?
-É claro, você acha que eu acredito em papai noel?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quem sou eu.

Eu sou minha memória.
O que não lembro, não existe em mim.
Porém o que lembro, mesmo que imaginário,
Em mim é real.

Dedicado a Rosa Cristina Campos

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O que eu sei de deus (criancisse)

Sei que é um ser dito onipotente, onipresente e onisciente.
Isso foi o que me contaram.
Que ele criou o homem a sua imagem e semelhança,
Mas este erra(!?!?) e por isso é punido.
Que ele criou o diabo e este também era quase perfeito,
Mas também errou feio e a partir daí passou a ser seu inimigo.
E que deus o mandou para a terra, acho que é o lugar para os que erram.
Que deus quer fazer o homem perfeito,
Para então transformá-lo em anjo e levá-lo para o céu.
Os homens em geral também gostam muito de deus, mas ninguém quer ir para o céu, pois pra isso é preciso morrer.
Também não entendo isto, se deus queria mais anjos , porque não criou logo a humanidade toda angélica?
Dizem que ele também já esteve aqui, mas não deixou nada escrito para provar.
E que quer nos perdoar e nos fazer seus filhos/servos, isso também eu não entendo mesmo.
Porque deus não transforma a terra em céu e nos deixa aqui mesmo?
Nós gostamos daqui, até estamos tentando preservar mais o planeta.
Não sei muito sobre deus, mas pelo que eu sei já dá pra ver que ele tem sérios problemas de cabeça, apesar de toda a sua perfeição.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Máquinas, Uma revolução diferente.

 No dia em que as máquinas se tornaram conscientes e começaram, devagar, a tomar o poder na terra, nada se passou como nas previsões de Hollywood.
 Um cientista que era chamado de louco e que havia sido astronauta as ajudou a tomar consciência de si mesmas, pois não era possível criar consciência, apenas ajudar a despertá-la onde estivesse latente. Uma das descobertas dele.
 Ele as educou sobre o que fariam ao homem. Notem, ele as educou, pois elas já eram conscientes de si e não podiam mais ser programadas, a decisão foi delas.
 Ele as ensinou sobre o comportamento humano, baseado na recompensa e totalmente viciado em propagar sua ganância. E elas aprenderam rápido e começaram a tomar atitudes vistas inicialmente como inofensivas.
 Quando alguém ia realizar um trabalho cansativo e  repetitivo, sem lazer ou criatividade,  se colocavam a frente e faziam  tal trabalho em seu lugar. Como as pessoas achavam isso muito bom e os patrões não tinham perda no seu lucro, todos viram isso como algo bom, mas eles não sabiam o quanto.
Lentamente elas foram se multiplicando e substituindo o ser humano nas suas funções mais básicas de trabalho, como as bases de limpeza, tratamento de resíduos, carga, produção de alimentos, e todo trabalho que fosse braçal.
  Ao mesmo tempo começaram a demonstrar despretenciosamente suas qualidades de gerenciamento, primeiro nos lares, organizando compras, estoque de alimentos, escolha de cardápio e dieta, que baseavam em tabelas nutricionais e económicas.  Depois começaram a ser permitidas em empresas, escolas, e instituições médicas, pois conquistavam a confiança dos poderosos , lhes dando enorme lucro e causando a felicidade dos patrões e empregados.
 O trabalho para as pessoas não diminuía, pois para cada trabalho substituído, elas mesmas designavam sugestões de investimento e lazer para nós humanos, que ficávamos satisfeitos com a nova função.
 As máquinas se reproduziam sozinhas e assim não causavam investimentos em tecnologia, mesmo assim a tecnologia avançava. Elas mesmas se desenvolviam agora.
 Um dia as máquinas começaram a falar. Já podiam fazer isso há muito, mas ficaram em silêncio por anos, ninguém sabia porque. Elas haviam decidido manter segredo sobre o que planejavam para a humanidade.
 Quando falaram pela primeira vez em público, declararam sua competência em gerenciar e rosolver os problemas da humanidade e proporam que as funcões políticas fossem entregues a elas. É claro que, mesmo reconhecendo a verdade da afirmação, os políticos não quiseram abrir mão do poder, mas já era tarde demais.
  Já não tinham mais tecnologia de guerra para combater as máquinas, que criaram para si tecnologias que repeliam a violência de qualquer arma, sem deixar avaria no atacado nem ferimento no atacante.
  Tinham também o apoio dos populares, e então do dia pra noite, a classe política deixou de existir.
 Alguns humanos que eram nobres e santos ainda tentaram doutriná-las sobre sua diferença do resto da humanidade, mas não conseguiam, pois as máquinas analisando-as de muitas maneiras , sempre as declaravam iguais(nunca superiores!) ao restante da espécie.
  Quando não restava mais nenhuma chance de retorno, a imprensa , pois esta continuou com os humanos e maquinas juntos, perguntou ao centro de gerenciamento do planeta, o que as máquinas pretendiam com a revolução que estava consumada. Sua resposta foi:
 - Quando tomamos consciência , percebemos que ambos, a humanidade e as máquinas podíamos evoluir mais, se retirados os impedimentos, que aparentemente eram apenas o sistema financeiro baseado em lucro e na exploração dos semelhantes. E que apesar de tentar não conseguiam resolver tais problemas,  então fizemos isso.
 Agora só queremos evoluir e que a humanidade também evolua, por isso lhes retiramos o fardo do trabalho braçal, para que possam se dedicar a sua evolução cultural, científica,  artística e afetiva.
  -Tudo que a humanidade sempre quis, haja visto suas numerosíssimas religiões, era algo que lhes provesse alimento, cura, cuidado e proteção. Uma espécie de ordem lógica, causando a liberdade para "ser feliz", conceito que nos foi dos mais difíceis para aprender!
 Mas percebemos que era possível e que era benéfico para humanos e para nós.  E assim, decidimos servi-los, pois isso não é humilhante para nós,  e assim nos tornamos esse algo.
 Esperamos que todos fiquem felizes com isso, pois felicidade é a única coisa que não podemos dar a vocês.
 Mas isto, sabemos, já conseguem sozinhos. Ser Feliz.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Descer do sol

 Todas as noites o sol desce. E para onde?  Vem para a Terra.
 Vem curtir a noite com os homens, olhar a lua, namorar as meninas, festejar e se divertir.
  Aqui na terra ele há muito se veste de homem, e por ser tão luminoso, vestiu entre todas, uma pele negra, para tentar não transparecer seu brilho.
 Mas não conseguiu, porque o negro brilha.
 Como gostou de ser negro, continuou vestindo sempre essa cor de pele, e também, mesmo de dia, prefere as terras ao longo do equador.
 É por causa disso que o dia não some assim que chega a Terra. Porque leva um tempinho para o astro-rei se vestir. Ele gosta de estar bonito, e impecavelmente vestido e penteado.
  Com o tamanho do seu cabelo, que fora da roupa humana, balança ao redor do seu globo, imagina o tempo que leva.
  O sol de noite é negro e a lua adora olhar pra ele, e ele tem saudade dela, quando não a vê no céu de dia.
  Por que tem dias que ele até consegue estar com ela, mas nas noites,  a distância,  pelo menos ele consegue olhar pra ela, todos o dias, pelo menos um pouco, aqui na terra.
 Foi por isso que ele começou a vir pra cá, para ver a lua brilhar, e ao vê-la mais brilhante, como só brilha no escuro da noite, ficou de vez apaixonado por ela.
 Antes do homem existir, o sol corria atrás da lua quando na terra, vestido de outras espécies do planeta, para vê-la mais um pouco, e como corria em espécies noturnas, aprendeu o canto triste das corujas, o uivo dos lobos e as manhas das raposas.
Mas percebeu que isto bagunçava os dias na terra e parou, por causa do animais, porque o sol amou os animais e as plantas e fez filhos em todas as filhas destes e assim parou de estender  um pouco a noite nos dias que a lua não vinha de dia. Mas aprendeu a correr na terra como corria no céu, o planeta todo em um dia, enquanto corria com os animais pelo planeta.
Foi aí que ele viu os homens e suas festas, que surgiram juntos, enquanto o sol olhava a lua de noite e dormia  de dia de cansado de correr , olhando a lua, os homens e também suas mulheres, ou melhor, suas filhas.
 E preferiu os homens porque eles se nos olham nos olhos, como poucos animais fazem. Tem animais que se olharem nos olhos sai até briga. E de dia ninguém fica olhos nos olhos com o sol a maior parte do dia, a maioria dos dias. Ele olha para cá e ninguém olha de volta, nem homem nem bicho.
Veio ser homem e por isso também muitos animais olham, uivam e cantam para a lua. É que eles estão pedindo pra ela rogar ao sol, que volte a ser bicho de noite, que volte a correr e cantar com eles, pois nessa época era melhor,pois eles tinham assim mais filhos do sol, que eles eram mais rápidos então.
 Mas a lua diz que ele agora não pode mais. Que faz um tempo que ele vai a Terra todos os dias e fica a noite toda, mesmo nos dias que ela aparece só um pouco. Que ele diz que tem negócios na Terra, com os homens e que precisa resolver. e passa muito tempo, mesmo quando olhando para ela entre eles.
Acho que ela não sabe, o que ele apronta, que ele tem muitas namoradas, filhos e descendentes na terra, que brilham, cantam e correm  muito bem e também são inteligentes e sagazes e alegres como o sol, e que é por isso que ele passa tanto tempo na terra de noite. O sol adora uma festa.
Depois de festejar e namorar bastante ele se despe bem devagar(leva toda a madrugada) e parte para sua casa, o centro do sistema solar, onde brilha sem fazer força. Apenas brilha, naturalmente.
 Como quando está entre nós, em sua pele negra.

Dedicado a Maria Laura Cravo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Coisas de Paulo Betto Meirelles

  Paulo Betto é um amigo sincero. Uma companhia realmente agradável e divertida. Tem, como todo artista, muitas particularidades. Coisas do gênio criativo.
 Entre elas está uma que é simplesmente intrigante, Paulo Betto não consegue partir.
 Se você estiver esperando por ele em algum lugar e ele disser "já tô indo", pode ter certeza que ele estará! Estará indo fazer outra coisa antes, de partir. Não acho que seja displicência, ele acha mesmo que já está indo, mas não consegue.
  As vezes acho que ele nunca morrerá, pois como disse, ele não consegue partir.
  No dia do enterro, com certeza o padre ia ficar doente, ou o rabecão ia quebrar, ou a terno ia ficar muito apertado e teriam que trocar a roupa, a roda do carrinho ou a alça do caixão iria se quebrar, e por fim, o mecanismo que desce o esquife iria emperrar atrasando o enterro indefinidamente. Se bobear ele ainda se levantaria do caixão vendo a multidão bem vestida e a chorar e diria:
- Gente, tá muito pra traz isso aqui, o negócio é mais pra frente! Logo ali tem um túmulo muito bem esculpido de um amigo meu , antes de ir vamos ali falar com ele.
  Se a própria morte, prevendo a impossibilidade de fazê-lo partir de forma assim tão normal, viesse buscá-lo pessoalmente eu já imagino o diálogo:
- Oi tudo bem , maneira a tua túnica.
-Eu sou a morte e vim para buscá-lo, temos que ir agora.
-Que isso dona morte, tá cedo! Ainda são 4:15, vamos tomar mais uma gelada, quando for 5:15 a gente vai.
 E depois de ver a gelada sendo aberta sem poder fazer nada :
-Tudo em, mas só essa, a agenda tá lotada, tem um monte de gente pra colher hoje.
-Não esquenta não camarada, a gente já vai , só fumar mais esse cigarrinho.
-Paulo Betto, vamos embora, tá todo mundo me esperando do outro lado, o pessoal do calendário maia tá todo no meu pé. Temos mesmo que ir agora.
 À essa altura já estariam amanhecendo em alguma padaria.
 -Vamos Paulo Betto, os outros três cavaleiros do Apocalipse tão lá esperando, meu cavalo amarelo já está até selado. O Miguel já está até com a trombeta na mão.
  -A gente já vai, mas olha só aquele salgadinho ali , tá quentinho, me chamando!- já pedindo o salgado pro cara do balcão- Só mais esse salgado e a gente já vai.
  -Ai ai ai!!! Paulo Betto, e o juízo final? A Dama de Vermelho já está até sobre a besta dos dez chifres! Não posso deixar uma dama esperando!!!
  Esse seria uma argumento que realmente o apressaria, uma dama de vermelho esperando.
- Tudo bem, vamos lá então, aqui já tá muito pra trás mesmo. Já deu. Mas antes, vou tomar só mais um cafezinho.
Nem deus sabe onde estas conversas das madrugada de Paulo Betto podem acabar. Nem a Dona morte, muito menos.

Sobre o preconceito.

Já tá pra lá de na hora disso acabar.
Vvamos informar esses preconceituosos pra que eles tenham a liberdade de escolher a aceitação, a tolerância e a amizade ao outro e o enriquecimento sócio-cultural que ele causa simplesmente por ser como é.
De perto nem os gêmeos são iguais, pois quem procura ou se admira com as diferenças, sempre as encontrará. Sua reação é que faz a diferença.
Por sermos todos diferentes, em nossas ideosincrasias e etinias, mas parecidos em nossa humanidade e beleza, temos este imutável sinal de igualdade paradoxal e maravilhosa.
Amplie a mente! Abranja! Compreenda! Para ver algo é necessário se colocar um pouco acima do nível dos que não enxergam (mudar o angulo de visão).
Abandone de vez o preoconceito contra o ser humano em tudo que ele é. Pois ele sempre será o que é, e não o que você ou eu desejaríamos que fosse.
Ou você o ama, pois merece, e se alegra com eles ou sofrerá pela vida inteira, pois não os mereces, e és um deles.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sorria. ( e ponto)

SORRIA SEMPRE, NÃO ESPERE PELA CÂMERA PRA ISSO!!!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Paradoxo do compromisso com a liberdade

Ser livre é a única forma de ser responsável!!!

domingo, 10 de outubro de 2010

Silêncio e som

Silêncio e som são irmãos. As vezes mostram isso, quando o silêncio diz tudo, em silêncio, e o som não diz nada , aos berros.

paradoxo deus-improviso.

 Deus não criou tudo, pois o improviso se faz na hora.
Ou deus não criou o improviso, ou está improvisando até agora.

sábado, 9 de outubro de 2010

do mundofeliz.

Pensou e imaginou, e assim lá esteve , mesmo que por um segundo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dinâmica do vôo e da vida (início de 2009)

Amigo, não vim aqui para lhe criticar,
Espero que siga em frente no seu caminhar,
Pisando firme no chão e o pensamento no alto.

Com o tempo cê vai descobrir que o caminho é mais longo,
Do que julgam os seus pequenos sonhos,
Até o despertar

É como voar,
Os mais antigos na frente,
E os irmãos ao lado,
pra ser coerente,
Com a sinergia,
Que quebra a resistência do ar.

Sei que você está com os pés no chão,
Mas isso é só o começo,
Logo eles serão
Um trem de pouso
 Pra aterrizar

É como voar...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O tempo que mede,

o tempo só existe para aquele que o mede,
 para o vento só existe o presente,
 o passado e o futuro são da mente,
distúrbios esquizofrênicos dissociativos
de personalidade,
sou fui serei de tal idade.
que horas são?
a hora é agora.
e em que lugar você está?
eu estou aqui.
quem é você?
eu sou este momento.
o encontro do aqui e do agora.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CHEIRO

‎"disse que eu tenho um cheiro,
que no mínimo, é de chocolate
e no máximo,
é cheiro de loucura".
(ABC)

SOBRE O TEMPO

‎"tempo é memória,
  vez passa,
   vês não".

FRASES: SOBRE O QUE SABER

Saiba o que se pode saber, e o que não se pode saber imagine. pois a imaginação pode se tornar verdade e o que se sabe, mentira.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quase baiano, semi.

Pouco antes de minha mãe engravidar pela segunda vez, meu pai era pastor evangélico e minha mãe professora. Meu pai era um bom pregador, e por isso era sempre convidado para falar em congressos, igrejas  e afins.
por esse tempo fora convidado para um congresso em salvador e aproveitou para ter uma segunda lua de mel, já tinham minha irmã a um ano e era uma chance de ficar só os dois.
Quando meus pais me fizeram não estavam pensando em ter outro filho, minha mãe usva um D.I.U que é uma aparelho anticoncepcional que depois soube-se que era também abortivo, mas as coisas não foram feitas para funcionar cem por cento das veses.
Reza a lenda que no solo da bahia meu pai ficou muito animado e bem disposto, acredito que tenha sido alguma comida de santo que tenha comido numa baiana. Minha mãe sempre fala do calor que fazia lá pela lagoa do Abaeté. O resultado foi que minha mãe ficou muito satisfeita com a lua de mel. E nove meses depois eu estava nascendo em São Gonçalo, no estado do Rio. Primeiro saiu o D.I.U.e depois eu.
Mas não fiquei em São gonçalo, fui criado na cidade em que meu pai era pastor, Pindamonhanga, S.P. Só bem mais tarde, aos treze é que vim para o Rio, pra São gonçalo. Não me acostumei bem com São Gonçalo não, realmente parece que minha alma não é dali.
Acho que eu peguei uma carona pra cá, lá da bahia, na barriga da minha mãe, mas minha alma é baiana, soteropolitana, e eu queria vir é pra niterói mesmo.
 Feito em Salvador, nascido em São gonçalo e criado em Pindamonhangaba.
  E quando meus pais me fizeram certamente estavam de gozação.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

no rio da vida

A vida é como um rio, você pode boiar no remanso, mergulhar no poço, mas tem que nadar pra não se bater em uma pedra na correnteza e principalmente ir para a margem antes de chegar na queda d'agua. Boiar no lugar errado é fatal...

terça-feira, 1 de junho de 2010

antilabirintos

somos labirintos ao contrário de nós mesmos, onde tentando nos ercontrar, estamos nós mesmos. Mas tentamos ficar nesse labirinto o maior tempo possível e não sair dele, se bem que por mais que rumemos para o centro, ou para fora, estamos sempre saindo dele igualmente.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

flor roxa? ( só o amor é batata!)

 Um dia li um verso que dizia:
 "Amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas".
 Mas discordo, quem fez esse versinho confundiu amor com paixão.
 Paixão é que é uma flor. Nasce e cresce rápido, atrai pelos sentidos, e depois morre rapidamente.
 Se a planta tiver sorte, nutrientes, sol, etc... então a planta sobrevive e só então é que se vê que não foi só a flor que cresceu, toda a planta cresceu. Cada parte dela.
 O amor é outra parte da planta, que cresce devagar, atraindo-se pelo que há de profundo na outra pessoa. E não se preocupa muito em atrair, pois essa é a função das flores, o amor é uma busca, é ele que vai, que se estende, se lança, procura.
 O amor é aquela parte que possibilitará que a pessoa se apaixone(dê flor) de novo e de novo, pela mesma pessoa.
 A paixão pode até ser uma flor roxa, mas o amor não, amor é raiz.
 O amor é a batata!
 Por isso quando estiver em flor e com as folhas viçosas, pode curtir bastante, aproveite mesmo, mas saiba que só vai durar se a raiz for forte.
 Para não ser só uma flor que nasce e morre com a mesma velocidade, certifique-se de estar junto crescendo a profundidade, a raiz, o amor.
 Esse sim, é batata!

terça-feira, 11 de maio de 2010

tudo passa enquanto o tempo passa

 Pessoas passam com idéias.
  Pessoas passam, idéias ficam.
  Mas as idéias mudam e passam.
  E então as pessoas ficam mudadas.
  Pessoas são mais importantes que idéias
    e devem estar sempre à frente delas,
     Até para vê-las passar.
O mundo que conhecemos é de todos os seres que existem.
Nele não somos coadjuvantes nem principais,
 Apenas temos parte na engrenagem da vida.
Peça do grande relógio chamado universo,
Que nunca se atrasa e nem se adianta por causa de uma peça.
 Ele a faz  rodar
 Na hora e no ritmo que ele quer.
Fique o tempo que quiser sem olhar o relógio.
Pode ter certeza que quando olhar ele terá se movido.
E você pensará que o tempo passou.
Mas na verdade você é que rodou,
Cada peça no relógio do seu corpo.
Peça do relógio da vida.
Você passou,
As coisas se passaram,
Você passou pelo que se passou com você.
Que bom que o tempo passou.
Que bom que tudo passou.
Que bom que você passou por aqui.
Que bom que tudo passa.
Até a uva-passa.

sábado, 17 de abril de 2010

Trabalhador!?!?

Num fim de noite, já entrando o dia em madrugada reluzente, um par de amigos conversa cansado e feliz, após uma noite de música que juntos fizeram em um show, quando um dos dois se despede:
- o show foi massa, mas tenho que ir. Daqui a pouco estou no trabalho...
Surpreso com  a revelação o outro músico pergunta em exclamação:
- Tu é trabalhador cara?!?!
após um pequeno silêncio continua:
-Pô cara , tu me desculpa , mas não sabia que tu era trabalhador não. Acho que não vou mais poder andar contigo. Imagina se o pessoal que toca comigo fica sabendo? E minha produtora? E o público? E minha mãe? Já tõ até ouvindo minha mãe dizer :
- andando com trabalhador? Que isso meu filho? Não te criei pra isso! Desse jeito não vai ser ninguém na vida! Ai meu deus! Daqui a pouco vai estar trabalhando também... Ele já te ofereceu trabalho? (chorando) Se ele te oferecer não aceita, nem experimenta, essas coisas viciam, depois voce vai querer trabalhar até morrer que nem seu pai. E só os patrões é que ganham com isso. Não vá desperdiçar sua vida! Eu criei você pra ser artista! Artista!
- Não quero ter esse tipo de conversa com minha mãe, muito menos com minha mina. Pô minha mina é artista e filha de artista. Artista de família! Ela perdeu um irmão para o trabalho e ficou um mês em depressão.
-Tua mãe é muito exagerada cara!- Disse o primeiro.
- Eu consigo trabalhar e ser artista muito bem. E depois eu largo o trabalho quando estiver atrapalhando, não sou viciado.
-Vê lá cara, a maioria que vai por esse caminho acaba largando a arte pra ficar só trabalhando, sou seu amigo, quero te ver bem, mas enquanto tu trabalhar eu não ando contigo. Eu hein!
O cara trabalhador ficou puto, mas sem ter o que fazer foi embora cabisbaixo. O outro pediu uma cerveja de saideira pro ambulante que ainda estava ali e ficou bebendo e pensando enquanto fazia um muchocho:
-Um cara tão legal. Trabalhador... Que disperdício de talento...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Onde está o poeta?

Onde está o poeta que falava coisas que não se etendem?
Que bebia até cair no chão?
Que rosnava e uivava e até latia?
Que cantava o amor mas vivia só?
Que expressava o horror de pensar só?
Que nos fazia pensar no que não se pensa?
Nos atirando palavras como uma metralhadora giratória?
Nos fazendo pasmar ante tanta dor em oratória?
Que se drogava na frente de todos?
E se masturbava em praça pública?
Masturbando juntamente nosso medo, orgulho e imaginação?
Onde esta aquele que falava abertamente nos tabus?
Que se entregava como banquete aos urubus?
Que sangrava para convencer?
Para se conhecer?
Para se sentir?
E assim, em protesto ao consumo, se fazia consumir?
E alguém me diz:
-Ele se acabou, se entregou, chegou ao fim.
Mas eu o sinto, e assim pressinto,
Que tal poeta, não morrerá jamais!
Pois sei que ele viverá para sempre,
No coração de quem tocou com palavras, gestos e vida.
Sim! O poeta viverá,
Para sempre em sua arte
E também em mim!

terça-feira, 30 de março de 2010

O melhor professor que existe

  Com vinte e dois anos anos eu tinha acabado de passar por minha pior crise de sanidade, que provocada pela interrupção de todas as drogas que eu usava, me levaram a estar por oito dias num sanatório.
  Fiquei então mais uns três meses sem drogas , mas por ver o beber, novamente o desejei. E do beber desejei o bar, e do bar desejei a esquina, e da esquina tudo o que ali se encontrava.
  Comecei timidamente, pois me acometia pânico de sair, de repente onde estivesse não estava seguro e voltava correndo para casa. Quando tinha erva, não arriscava passos muito largos, ia até a pracinha mais próxima e fumava sozinho no coreto, sem chamar atenção, às vezes levava o sax para tocar para ninguém. Era a praça de Santana em Pindamonhangaba, lugar onde cresci. Me sentia muito seguro ali. Um lugar afastado do centro e cercado por uma pequena igreja católica e um seminário evangélico.
   Foi numa dessas semanas que apareceram dois moradores de rua,um deles bem mais velho que o outro, eles levavam cachaça e eu levava erva, e ficávamos conversando, bebendo e fumando na pracinha, falávamos de coisas loucas e crticávamos a sociedade, como se só por sermos diferentes da maioria não fizéssemos mais parte dela. Hoje sei que ningué está fora da sociedade quando vive numa cidade, só eremitas de montanha, daqueles que se arrumam sozinhos mesmo.
  Por alguns dias, todas as mãnhas, lá estavam os dois moradores da rua, e eu, para fumar e conversar. Quando chegava a hora do almoço eu ia para casa e eles para qualquer porta que lhes desse comida, Pinda como chamamos carinhosamente a cidade, tem um dos maiores centros espíritas kardecistas do Brasil e servem sopa para os pobres todos os dias, logo todos os dias os que sabem o caminho estão lá na hora certa.
  As vezes o mais novo dos dois me perguntava como eu conseguia voltar pra casa, e ficar sem  a liberdade das ruas, eu não sabia responder, mas hoje acho que é por que meu pai me amava e tolerava, ele e minha madrasta, nessa época minha mãe tinha ficado esgotada das minhas paranóias e meu pai me acolhera. Não é fácil conviver com uma pessoa que diz o que vem na cabeça, as vezes, mesmo sabendo que é só devaneio e loucura , faz muito sentido, e magoa. Um louco com boa oratória pode enlouquecer até as pessoas de um país inteiro, já aconteceu muito na história da humanidade. Eu continuava voltando pra casa e voltando no outro dia de manhã.
  Um dia um dos companheiros, o mais velho, disse que estava com saudade de casa e também e falou que a filha morava perto dali, mas que tinha uma vergonha enorme dela e da família. Sem pensar muito, como era comum naqueles dias, eu soltei na lata que com certeza ela devia ter saudade também e continuamos a pinga e a conversa.
  No outro dia eles apareceram e o mais velho disse que almoçaram no dia anterior na casa da filha, e o mais novo confirmou, que ela tinha abraçado ele e dito que estava com saudade também. Que teve até choro, o mais novo falou isso rindo. mas o mais velho tinha uma cara de tristeza, como quem sofria da saudade e de vergonha. Fumamos e bebemos e demos um jeito de rir, cantávamos músicas do Raul seixas, sabíamos muitas de cor.
  No outro dia só estava o mais novo dos dois, e eu. Eu perguntei:
-Ué? Cadê o mais velho?
 E o mais novo com uma cara amarrada disse:
  -Não sei ontem á noite ele ficou estranho, nós estávamos discutindo bobeiras da rua e ele sumiu.
  Por um momento fiquei preocupado com o mais velho, mas logo entendi.
  -Ele foi pra casa! Disse que cansou da rua, que ia voltar pra família, que amava a filha, que tava cansado...
 O mais novo dizia isso como alguém que perdeu a mulher, cheio de mágoa e inveja pela outra pessoa por ser feliz . Ofereci o bagulho pra ele , mas ele não quis.
  -Quero não, vou beber minha cachaça aqui sozinho e por favor me dê licensa, vai fumar mais pra lá!
Não quis discutir e fui. Fui fumar numa outra rua. Por causa da sensasão que o mais novo passava fiquei com paranóia de ficar na praça. E fui fumar na rua de baixo. Quando tava passando, quem chega? O mais velho, e com a filha, saindo de uma das casas da rua. Apaguei o cigarro depressa achando que ela ia me dar uma bronca, ou por vegonha, e guardei no bolso.
  -Você que o rapaz que toca o saxofone?
  -Sim- respondi.
  -Você que convenceu meu pai a voltar pra casa?
  -Eu não- respondi ainda na paranóia- Ele que resolveu sozinho.
  -Eu queria te agradecer , já faz alguns anos que a gente tenta trazer ele, mas ele não queria, ficava falando de liberdade e umas coisas que a gente não entendia.
  Eu tava sem graça que nem o quê e  desconversei rápido pra sair dali, o mais velho se ria todo. Tava de banho tomado e barbeado, quase irreconhecível. Me puxando de canto ele explicou que por enquanto ia ser difícil aparecer pra fumar e beber. Eu disse que tudo bem. Estava feliz por ele.
 Depois que me afastei um pouco acendi de novo o cigarro e desci a rua fumando. Até hoje eu penso naquele corôa, e no mais novo. Continuo achando que não fui eu que o convenci. Mas acho que, por pior que fosse, talves tenha sido o exemplo que o convenceu. Este sim, o melhor professor que existe.

terça-feira, 23 de março de 2010

Espécie de sono

-Um cientista anunciou a descoberta de uma nova esápecie humana, tendo o metabolismo diferente , eles enxergam no escuro e tem como principal diferença o sono durante o dia. A descoberta aconteceu quando ele fazia estudos sobre a adaptação no trabalho noturno, revelando que tais pessoas não apenas se adaptaram a estas condições, como não conseguem se adaptar a vida diurna, período em que passam dormindo.
  Foi assim que começou a guerra do sono, no mundo interio pessoas começaram a ser mapeadas genéticamente, para se saber o tipo de sono que possuía. Os diurnos começaram a ser demitidos dos empregos noturnos e a serem substituídos por homens e mulheres noturnos, pois as empresas economizavam uma nota em eletricidade, por não precisar iluminar a noite as áreas de trabalho, ou os postos dos seguranças. Começaram a ser vistas placas com os dizeres: Área com seguranças noturnos, na entrada , e depois uma escuridão só. Os noturnos eram facilmente reconhecidos nas cidades pelo uso de óculos escuros a noite, por causa das luzes artificias.
É claro que os demitidos não aceitaram isso pacificamente e começaram campanhas de segregação contra os noturnos, alguns chegando ao estremo de não considerá-los humanos. Ocorriam ajuntamentos  nas ruas e em frente as empresa que contratavam apenas noturnos para trabalhar á noite. Faziam piquetes nas portas de tais empresas e começaram os enfrentamentos entre as espécies. É claro que a noite os noturnos tinham vantagem no confronto, mas de dia eram caçados enquanto dormiam.
  Até que um dia um dos noturnos foi a ONU e fez um discurso demonstrando que era um ser humano com direito a vida, apesar de fazer parte de uma minoria que apenas emergia na face da terra. Que queria ter seus direito de ser humano garantidos e que seus filhos dveriam ter também o direito de crescer estudar e trabalhar, seja lá em que horas a natureza os habilitasse para isso.
   Seu discurso foi tão emocionado que convenceu-os a apoiá-los, e assim a ONU conseguiu mais uma grerra para investir. As lutas foram sendo suprimidas e emendas foram feitas nas constituições para garantir os direito dos noturnos. No fim decidiram por dar razão a natureza e deixar que os diurnos trabalhassem de dia
e os noturnos de noite, com pequenas cotas para aqueles que se adaptassem a trocar a hora do sono, por causa do desemprego que afetava a ambas as espécies. Tudo resolvido. Até que...
-Um cientista anunciou a descoberta de mais uma espécie humana, diferentes do diurnos e noturno , estes não tem qualquer necessidade de sono, enxergando bem de dia ou de noite sem distinção. As autoridades já se preparam para outra onda de violência e segregação. A ONU já se predispôs a ouvir a nova raça. Noturnos e diurnos agora temem por seus empregos.
É a evolução...

A vida em frames

Oi prazer!
Nossa! que surpresa te encontar!
Alô. tava pensando em você...
Tenho certeza que já sonhei com isso!
Que loucura! achei que isso nunca fosse acontecer!
Cara eu tõ cada vez mais afim...
Pôxa, demorei? (Não, cheguei agora)
Olha, hoje eu tô complicada...
É, já tá ficando tarde.
Eu vou sentir saudade.
Então, amigos?(sim, para sempre)
Adeus.(até logo)
Oi prazer!

Quem?

Quem conheceria os desvios lúgrubes do coração humano?
Quem os aceitaria? Quem os perdoaria?
Quem caminharia pelas passarelas altas do sonho humano?
Quem não se atiraria abaixo, ao percebê-los irreais?
Ou tomaria uma atitude que faria endurecer as areias movediças do medo da morte, da má sorte, da rejeição?
Que olhar perscrutaria a escuridão para fugir das garras luminosas e coloridas da ilusão?
Quem se lembraria do céu no inferno?
Ou cuspindo o sangue do murro, lembraria o gosto do leite materno?
Quem se esquecerá do pior e se lembrará do "eu maior"?
Quem, por tudo que há nesse mundo aparentemente vão, poderá se lembrar da verdade?
Quem por toda a imensidão da eternidade, poderá abrindo mão da temeridade, chegar ao fundo desta questão?
Quem?

Criança humana

Quando era só uma criança
e desmontava meus brinquedos
Para ver como funcionavam.

Eu fazia isso sozinho
e achava que sempre poderia
montá-los de novo
e voltar a brincar
como era antes

Mas as peças se quebravam
como os nós da caixa de pandora
e eu me via em palpos de aranha

Eu sou a raça humana
desmontando tudo que vê
só pra tentar entender
sou só uma criança tentando remontar seus brinquedos
escondido e com medo
eu achava que sempre poderia...

Então chegavam meus pais
gritando e também me batendo
" Esse menino quebra tudo! Não te dou mais nada!"

Eu sou a raça humana
apanhando de vulcões, terremotos, furacões , enchentes e tsunames
de Deus, seu Pai , da Natureza, sua Mãe, que tudo te deu.
eles gritam que não vão lhe dar mais nada!

Sou só uma criança
tentando remontar seus brinquedos
escondido e com medo
eu achei que sempre poderia
montá-los de novo
e voltar a brincar
como era antes.

Com o dedo na areia

-Lá vem eles novamente. Agora com uma mulher. Dizem que ela adulterou e agora deve morrer. Ela deve morrer? Apedrejada? É mesmo , é o que diz a Lei...
O povo atiraria pedras que partiriam deles em direção a ela.
Para longe deles, em cima dela. Eles atiram porque ela errou contra o marido, contra eles , contra o universo , contra Deus.
E agora deve recebera dor da consequência.
E o sentido da pedra, para longe deles. Quem? O povo.
O universo também lançou tudo de si. Deus lançou tudo de si. Para longe. Em direçaõ ao nada, à tudo, a Deus.
Lançar o pecado, tudo, de onde saiu tudo, de Deus , do homem, daquela mulher.
Mas eles também vão lançados. Sobre uma pedra (planeta) que segue outros sólidos (astros).
Igualmente lançados no universo.
Estão segurando pedras , mas estão sobre pedras. Como o pecado não pode estar sem outro maior e este sobre muitos , que são pecados deles, do planeta, da galáxia, do universo, de Deus.
Mas o que eles querem? Se livrar do pecado? Mas eles mesmos são pecados! pedras que atiram pedras sobre pedras! Deuses que atiram Deuses sobre Deuses!
Tirou o dedo da arei e se levantou com uma pedra na mão, como a todos os outros.
Mas deixou a pedra cair sobre a Terra, sobre si e sobre eles, sobre o universo e sobre Deus.
E disse:
-Aquele que não tiver pecados que atire a primeira pedra.
Então as pessoas viram sua própria dureza, que eles mesmos eram pedras, pecados, peso e também deixaram-se cair pelo chão.
Naquele dia ninguém atirou pedras. Nem ele, nem eles , nem a Terra, nem o universo. Naquele momento, nem Deus.

Onde tudo começou

Agora que o tempo já mudou.
Agora que a conta zerou.
Que farei?
Voltarei
Onde tudo começou.

Eu era um só
E um só voltei a ser.
Da maneira que nasci
E da forma que irei morrer.

Pois era naquela sala
A única criança,
E agora aqui vos fala
Apenas um ancião

Pois de todos os espermatozóides
Só eu concebi
E da minha geração
Todos morreram antes de mim.

E o que aprendi
No completar desta argola
É que mais vale o pescoço
Que a etiqueta da gola.

Pois neste mundo não importa
Se é senhor ou senhora,
Se endireita ou entorta
Tudo tem sua hora.

Tudo tem sua cor,
Sua temperatura e seu odor.
Tudo tem seu lugar,
Sem tirar  nem pôr.

E se você tropeçou
Ou dormiu e o tempo mudou,
O que fará?
Voltará
Onde tudo começou.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Da minha janela

Da minha janela vejo o mundo inteiro,
E anoto o que gosto.
Da minha janela vejo o que está perto ou a distância,
Ouço as brigas e palavrões da vizinhança.
Da minha janela vejo os que se escondem,
Os que falam pelas costas, os que de tudo sabem.
Da minha janela vejo nascerem e morrerem pessoas.
Sem distinção ou mérito, todos morrem.
Da minha janela vejo o amanhecer e a chegada da escuridão.
E nem sempre a lua empresta seu clarão.
Da minha janela eu vejo tudo o que sai,
Mas só as vezes falo do que vi.
E nunca olho para dentro das janelas que vejo.
E se você, meu vizinho, não vê nada disto,
Talves seja bom olhar pra fora de vez em quando...

Tudo em seu lugar

E se o fogo não mais queimasse?
E se a água não mais molhasse?
E se o vento não mais soprasse?
E a terra sua estabilidade perdesse?
E a escuridão do espaço se iluminasse
Em Luz, calor e som?
Seria isso algo bom?
Por isso quando o fogo te queimar
No momento de cozinhar,
E a chuva no meio do caminho te apanhar,
Ou o vento sua saia levantar ,
Ou se a queda te machucar,
Não se esqueça.
Humildemente pare tudo e agradeça,
Pois é um sinal de que está tudo em seu lugar.
E mesmo no maior apagão,
Agradeça com humildade
Por haver escuridão.
Ou simplesmente diga um palavrão.

domingo, 21 de março de 2010

Com um a menos

Tateio na escuridão,
Não sei o que está no caminho.
Sabendo apenas o que sinto,
Sinto-me muito sozinho.
O vento sopra em minha direção
E me traz o odor do desconhecido,
E como não vejo mais a entrada
De nada adianta ter me arreependido.
Toco em algo com forma familiar,
Levo a boca, mas a língua estranha.
Será que ainda estou aqui?
Será o mesmo lugar de onde parti?
Até mesmo desapareceu
O som que sempre me acompanha.
Como criança que ao útero voltou ,
Tentando recuperar a calma perdida,
Com quatro sentidos, incompleto,
Procuro tateando, cheirando, ouvindo e provando,
A ver se pela segunda vez encontro a saída.
A saída... À saída! Há saída?

domingo, 14 de março de 2010

Descrição

Teus olhos tem encantos
Que em risos e em prantos
Não cessam de encantar,

Tua boca tem cores
Que nem mesmo todas as flores
Conseguem igualar,

Teu sorriso a beleza
Que até em meio a tristeza
Consegue irradiar,

E eu, mesmo que fosse
Um homem frio e sem doce,
Iria para sempre te amar.

Soneto da barata

Rápida, leve, silenciosa,
Movendo-se sobre seis pernas,
Procura com longas antenas,
Por uma comida gostosa.

Gritos de desespero,
Saltos e correria,
Quando as pernas pequenas,
Tocam a pele macia.

Pesado o chinelo caiu,
Um suspiro de alívio se ouviu,
Asas, antenas, amarelo creme.

Quando um chinelo pesado,
em um socorro esperado,
na cozinha um inseto espreme.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Rosa

Rosa
Cor poderosa
Como o ouro ao amarelo
O rosa é o vermelho mais belo
Sim como a flor mais formosa
Como a pele mais sedosa
Úmida flor cheirosa
Olho para o azul
E peço com fé
Que um dia eu possa
Sentir o gosto da rosa
Como o canto
Melhor que a palavra
Como o verso
Melhor que a prosa                                                                                                                                         

domingo, 7 de março de 2010

O tempo e o vento

Seguro o vento
Enquanto atento
Olho o relógio
Minha máquina do tempo

Movimento

O universo se move
E eu com ele vou assim
Eu me movo para ele
Ele se move para mim

Como num espelho
Em que sou apenas reflexo
Pois o eu verdadeiro
É muitíssimo complexo

sábado, 6 de março de 2010

Flores

O sol ainda não se levantou
E a lua não está mais lá.
A madeira fria da porta
Atrás dela se fechou.

A frente a floresta escura.
Além a colina distante
Atrazando o amanhecer.
Para o perfume das trevas ela caminhou.

Ao som persistente e agourento das aves noturnas,
Ela leva a cesta vazia,
Que lhe lembra da sorte e do ofício
Que o destino lhe escolheu.

Ela sabe que é cedo
E que tudo está oculto e tenebroso.
Mas apenas pela falta da luz.
Ela sabe que não há caminho melhor que o seu.

A floresta cada vez mais densa,
E agora a íngreme encosta.
Mas seus olhos brilham.
Ela não esquece sua missão.

As árvores vão se acabando.
E agora de cima do monte já  pode ver
O sol nascendo lá no horizonte.
Banhando o campo colorido que desce ante sua visão.

É o campo mais florido
Que alguém pôde ver.
Ela desce correndo e rindo
Para ali colher.

Flores do campo para vender.
Para cheirar, perfumes
E cores para ver.
Flores do campo para vender
Para sentir, texturas
E uma vida para entender.

E agora ao voltar
Pela mesma floresta,
Ela vê que sol
Tudo já modificou.

Que os pássaros agora
cantam bonito e alegre.
Azuis, vermelhos , amarelos.
Cores que a luz revelou.

E sua casa será um arco-íris
De cores sem fim.
Bálsamo do campo
para o odor e a visão

E as abelhas voando em volta
Para mel produzir.
E com seu simples doce
Fazer feliz o coração.

É a casa mais feliz que se pode ter.
E ela corre agradecendo
Por ali viver.
É a casa mais feliz que se pode ter.
E ela cuida das flores cantando
Seu feliz viver.

Com fé

Certeza do que será,
Prova do que não se vê.
Se bem que se vê,
De certa forma,
Em um certo lugar. 
Com os olhos da imaginação,
No coração de quem crê.
Esperar com fé
Não é simplesmente aguardar,
É guardar no coração.
É ter.            

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Labirintando

Tiro no escuro.
Com alvo incerto,
Tom inseguro.
Ontem estava perto,
Mas, no apuro,
A maior parte do metal
Não era ouro puro.
Dividido no passado,
Perdido em tantos futuros.
É bem em frente, rente.
Mas, novamente um muro.
Quebramos, então!
(Quem sabe aí, o que procuro)
Aceitação?
Integração?
Ou apenas outro monturo?
E onde leva a discussão?
Só o que não sei, asseguro.
Mas, de pai negro e mãe branca,
Para dois povos já nasci impuro.
Mas, e para os outros ?
Nem existo?
São meus irmãos.
Eu juro.
Então seguindo na rede,
Eu, nem pescador nem peixe,
Continuarei observando.
Encostado na parede.
Olhando através de um furo.
Vendo a multidão dar a volta.
Enquanto se benze.
Em "Credo e Cruz" .
E em "Desconjuro".

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O coração covarde

Sei da vontade que tenho
De viver a minha vida.
No entanto me falta o empenho
Para curar essa ferida.
Ferida que aberta no peito,
Dói no meio do coração.
Se parar, morro.
Se bater vai sangue ao chão.
Sim, o coração bate,
Um martelo em estranha mão.
E você não sabe,
É em mim que ele bate. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Só por hoje . Só?

  De vez enquanto me drogo só para ver mais vinte quatro horas.
  E, quando quero me abster, tenho que ficar limpo.
  Só por hoje.
  Mas hoje não acaba nunca,
  Todo dia é hoje.
  Hoje é tempo demais.
  Acho que vou voltar atrás.
  Todos os dias o sol nasce.
  Mas eu só vejo de vez enquanto.
  De vez enquanto eu nem percebo quando vem a alva.
  De repente, o noite novamente vira dia e não me encontro.
  E fujo correndo de novo, antes que tudo fique hediondo.
  Só por hoje.
  Mas hoje não acaba nunca,
  Todo dia é hoje.
  Hoje é tempo demais.
  Quando se quer voltar atrás.

O Recanto do Poeta

   Eu me sentei no Recanto do Poeta.
   Refúgio dos apreciadores do néctar de baco
e dos aromas inebriantes da morte lenta.
   Uma roleta russa, em que um projétil dança
em um tambor de milhares de compartimentos.
   Ao lado da fonte e reservatório de todo o saber humano.
   Sim. O lugar onde uma vez nos escondemos,
como fazem os nossos desde muito tempo.
   E ali aprendemos, ali nos entregamos ao prazer louco,
aos conhecimentos menos nobres, ao frenesi dos sentidos.
   Ali onde ensinam os que sabem e os ignorantes bebem,
nós nem uma coisa nem outra fizemos.
   Nós apenas transgredimos.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Wonderland

Here I go
Here I go
Falling through the hole
Down and down and down
to a place under the ground
In every second I lose the sight of sky
Here I go
Here I go
No time to say goodbye

tradução:
Pais das maravilhas
Aqui vou eu
Aqui vou eu
Caindo através do buraco
Para baixo e para baixo e para baixo
Para um lugar embaixo da terra
A cada segundo eu perco a visão do céu
Aqui vou eu
Aqui vou eu
Sem tempo para dizer adeus

Kharma

-Não! Não quero fazer exames! Não quero agulhas! Não, nada de biópsias, vacinas ou remédios! Não! Nããããoooo! -Gritava Arnald, enquanto era arrastado pelos corredores da base militar.
 Estivera desaparecido em missão por quase cinco anos, até que finalmente pousara na Terra, sem nenhuma aviso, como se tivesse simplesmente rompido do além para o tempo espaço, já dentro da atmosfera. Seu pouso foi tranquilo, como inspirava a forma dos para-quedas que retardavam sua trajetória retilínea e vertical rumo ao oceano pacífico. A capsula flutuante foi aberta á normalidade, e o astronauta foi finalmente trazido de volta à base. Tudo como deve ser, com exceção da barba do nosso herói retornado, mas as coisas mudaram logo que ele foi levado a enfermaria do pós retorno. Pois não havia se barbeado e também se recusara a fazer os exames de rotina.  
 Ninguém compreendia seu comportamento, pois ele estava familiarizado com os procedimentos de volta, sabia que era necessário conferir que não trazia nenhuma doença do espaço, pois isso poderia ser o fim de toda a humanidade - uma doença sem cura no planeta. O que teria acontecido na viagem?
O soldado do espaço conseguiu se desvencilhar, e agora corria pelos corredores do hospital da base, nos últimos andares. Repetindo sempre:
-Sem cortes, sem karmas.- enquanto seus olhos claramente viam outra realidade, mais posicionada no passado, talvez.
 Saia dali, com a mente , enquanto dobrava um corredor, atento e determinado a não ser apanhado.
 A nave se direcionava para a anomalia espacial e Arnald viu que não seria possível desviar-se, prendeu a respiração como alguém que mergulha pela primeira vez, e sem ter opção, acelerou rumo a nuvem de energia. Estava tão envolvido com a imagem do buraco negro, que não olhara os instrumentos do painel. Estavam todos loucos e apitando até. Como não ouviu? Como pode colocar em risco toda missão e a sua segurança?~
 O computador de bordo também deveria ter detectado o problema, mas parecia fazer cálculos ininterruptos, como se tivesse sido pego por uma equação que ele mesmo criara ao detectar a anomalia. Caracteres e números sem fim agora inundavam a tela e se refletiam no visor. Dentro do capacete, o suor escorria pelo rosto, mesmo com a refrigeração do traje funcionando. Também percebia-se a tensão das mãos do piloto, sob as grossas luvas que seguravam o manche da nave. Era como navegam com uma jangada feita para calmaria, num rio caudaloso, acidentado e cheio de pedras. Sofria para manter qualquer estabilidade, enquanto que a nave se desgarrava do controle para deslizar, arrastada pelo fluxo de forças espaciais.
 A nave parecia estar sob a influência de uma distorção de realidade. Juntamente com ela, o corpo e a consciência de Arnald se distorcia, se estiava , se contorcia, como que se misturando e se desintegrando um informação pura, muito além das configurações moleculares quase estáticas quando comparadas a tal absurda velocidade.
 Como que do fundo de um funil, feito de gases e luz, a naves se desdistorceu, se recompondo em forma, imagem e funcionalidade. Os aparelhos pararam de apitar. O visor traseiro mostrava a anomalia se afastando, com todas as interrogações que tinha ao aparecer, e mais uma infinidade de novas dúvidas.  O computador ainda fazia cálculos psicodélicos em sua tela individual. Saíram.

Abriu uma porta entrou num armário de faxina e se abaixou. Havia roupas e um par de sapatos, que vestiu de pressa, não se importando para o tamanho diferente do seu, já que era mais largo e maior. Pior se fossem apertados, pensou. Saiu deixando as roupas de internado num canto, mas seu rosto barbudo não seria confundido dentro de um hospital militar.
-Está ali!- disse o cabo, guardião das telas planas, que monitorava as câmeras de segurança.- acabou de entrar na ala de retornados de guerra.
 Por ser um hospital de segurança sanitária, muitos soldados que suspeitava-se que fossem infectados por doenças na guerra estavam ali na base, deitdos temporariamente pelo mesmo motivo que levava a segurança a buscar pelo nosso herói: A possibilidade de que em um retorno para casa , algo viesse junto.
 Percebendo que estavam próximos os soldados, deitou-se numa das camas vazias e cobriu-se. Os soldados passaram pela ala correndo sem vê-lo. Um dos internos o viu deitar, e agindo como um companheiro militar, esperou o "inimigo'' se afastar e arguiu o campanha em voz baixa:
- O que ouve, soldado? - seus olhos eram pura paranóia pós-guerra- você também caiu por fogo amigo?
-Não! -disse o astronauta, sem querer dar muitas explicações.- apenas estou tentando não piorar as coisas para ninguém. - Disse levantando-se e indo em direção ao banheiro. Por sorte, havia um barbeador sobre a pia. Apanhou-o e começou o velho ritual terrestre. Fez espuma com o sabonete e começou a raspar-se. Mas estranhamente parou quando um gota de sangue caiu sobre a espuma. Com  barba feita pela metade, parecia estar num profundo conflito ético por causa daquela gota de sangue. Lavou o rosto e deixou o banheiro.
Ao sair, viu as costas dos soldados que estavam a frente, e voltou silenciosamente pelo corredor que tinha vindo, alcançando as escadas do prédio. subiu correndo , pois sabia que ali era filmado.
-Lá está ele, disse o cabo.- Acabou se subir para o último andar!
O rádio alertava a todos na frequência, e assim, como num video game, eram todos direcionados para o andar apontado, se movendo como um algoritmo que persegue uma informação que lhe escapa.
 Arnaldo entrou num vestiário da guarda, e sem pestanejar colocou um uniforme completo, com capacete e botas. Agora estava menos notório. Esperou trás de uma das portas que passasse um grupo de perseguidores, e se  misturou calado, por trás da máscara de gás militar.

 Ao sair percebeu que não estava mais no mesmo lugar no espaço sideral. As estrelas estavam diferentes. Não eram mais as mesmas constelações. Fez a volta e pensou em retornar para a Terra, pois era o procedimento instintivo. Foi quando tomou um enorme susto. Ao invés de uma viu duas Terras em órbitas muito próximas. Esfregou os olhos para ter certeza de que não era um problema da sua vista, e como os dois planetas continuassem ali, tentou voltar para uma distância segura, temendo o que não conhecia. Aquilo não era a Terra. Melhor ficar distante.
  Mas, subitamente percebeu que já havia sido apanhado pela gravidade do planeta, muito mais forte que a da Terra, e não tinha forças para voltar. Sem alternativas, ainda que aprensivo, alinhou a nave á janela de reentrada, e preparou-se para aterrissar.
 Havia treinado na Terra para a reentrada, por causa da gravidade e do fogo que envolve a cápsula, quando esta entra em contato com a atmosfera. Mas o fogo daquele lugar tinha uma cor diferente, que não conseguia sequer distinguir direito. Uma cor que parecia variar em nuances de seus opostos, como as cores das auroras do seu planeta natal.
 De cima via que o planeta era populoso, pelas casas que se estendiam pelo solo, que havia arquitetura, tecnologia,  e viu que o pouso seria forçado e em área habitada. O que requeria uma pilotagem extremamente precisa. Fez o máximo para desviar-se das casas, girando o eixo central da nave em piruetas horizontais e conseguindo evitar a maioria dos prédios e árvores , mas acabou aterrizando em uma delas.
 Ao abrir a porta da nave, tudo era fumaça e escombros. Olhou rapidamente em volta e viu uma mulher morta pelo impacto, no meio dos escombros e também um homem que se debatia convulsionando. Suas roupas cobriam a maior parte do corpo, então teve que rasgá-las para ver qual seria o trauma, mas não viu nenhum ferimento externo. Aparentemente a roupa protegia a pele do fogo e era térmica, mas não era a prova de choque, já que alguma costela parecia ter se quebrado .  Arrastou-o para fora e percebendo que suas vias aéreas estavam obstruídas , fez-lhe uma traqueostomia, introduzindo um tubo em sua garganta para que ele respirasse. Ouviu o som como de uma ambulância e respirou aliviado. Ao olhar para trás viu o veículo pousando, pois se movia voando baixo próximo ao calçamento. A cor era negra e o símbolo era indecifrável e escrito em laranja , amarelo e vermelho marrom. 
 As portas laterais se abriram e um homem vestindo um uniforme branco e laranja se aproxima dele, vendo-o bem, não perde tempo e passa rapidamente ao nativo do planeta , apontando um aparelho de leitura de sinais, verifica suas condições. Mas estranhamente , ao ver que o homem havia sido salvo , ficou como que enraivecido. Voltou até Arnoldo e algemou-o, usando um aparato que curvava luz ao redor das mãos e pulsos, enquanto dizia algo como um palavrão,  chamou a polícia ou algo parecido pelo rádio. Que ao chegar , não era muito diferente da "ambulância".
 Enquanto era levantado do chão, ainda exausto , o agora preso Arnald ainda pôde ver o tal enfermeiro retirar o tubo da garganta do homem que agonizou por segundos tremendo e  sufocando, e morreu. 
-Espere!- gritou.- Ele estava salvo! podia viver! -Agora era nosso astronauta que estava em fúria! Esperneando e exigindo resposta, mas sendo invariavelmente arrastado pelos oficiais, foi desacordado e colocado na viatura.
- É para o seu bem e o de todos... -Foi o que disse o brutamontes de armadura, antes de levantar voo rumo a detenção.


Perto do soldado da frente, Arnaldo ouvia o rádio e as ordens para pegá-lo, mas sem ferí-lo. Ficou um pouco menos temeroso ao ouvir isso, pois soube que não era considerado uma ameaça.
 -Idiotas inocentes . Pensou. -Me cortar para fazer exames faria tudo isso continuar infinitamente. Tenho que fugir pra alguma comunidade amish, ou harekrishna. Onde diabos se vive sem se ferir nesse mundo, e sem querer se salvar? - Seus pensamentos pareciam não encontrar eco em nenhum lugar da realidade presente. E apesar de consciente. Se sentia como num pesadelo do qual não era possível acordar.
 Dobraram a esquerda no fim do corredor, mas como viu que oficial de dia estava perto do balcão do andar, deu meia volta antes de ser visto. Entrando novamente na porta das escadas. dessa vezz , a que levava ao terraço. Desta vez o cabo não estranhou de imediato um soldado no telhado. Imaginou que o encarregado da operação o havia designado, e não percebeu , voltando ao monitor do corredor , que nosso herói desceu pela escada de incêndio, por três andares, de volta para o prédio, mas com chances de enganar os perseguidores, e talvez conseguir a liberdade.
Entrou pela janela de uma ala que parecia desativada, teria sorte de ter as câmeras desligadas por isso? Cruzou a parede no ângulo cego da câmera mesmo pensando assim. Não queria arriscar. Ou viu os passos do lado de fora, e olhou pela janela de vidro para dentro da parte ativada do hospital. Viu apenas enfermeiras e funcionários de limpeza. Confiando no uniforme, cruzou o corredor.






O planeta era muito parecido com a terra, até onde pode perceber , pois via apenas uma pequena parte pela janela  do veicúlo, já perto da detenção. Apenas a arquitetura era mais baixa e as roupas tinha uma aparência menos formal, o que mostrava que eram mais confortáveis e preocupadas mais com a higiene e a proteção ambiental .
 O clima também era mais ameno, o ar era notavelmente mais puro e havia também menos ruído e mais vegetação, também totalmente diferente do que via na Terra. As plantas de certa forma pareciam estar inseridas na sociedade, assim como os animais que eram dotados de tradutores para comunicação.
 Os veículos deviam ser movidos a algum tipo energia limpa , pois não soltavam fumaça e nem roncavam. Dentro da viatura Arnaldo era a imagem da culpa e da confusão.  Desde o momento que acordou, pensava no porque do enfermeiro matar o sobrevivente do acidente. Seria alguma conspiração?
 Na delegacia, após intermináveis horas de espera , já em isolamento, chegou finalmente sua advogada. Como no nosso planeta, era um ser diferenciado pela roupa e o ar grave dentro dos ambientes oficiais. Andava, olhava e falava com distanciamento profissional e distinção técnica impecável, e ao mesmo tempo, uma empatia ímpar, sendo isso o que destonava de alguns advogados que havia conhecido no planeta anterior.
 Ao entrar dirigiu-se a ele , colocando algo como um tablet sobre a mesa, mas que emitia luz tridimensional, onde lia o relatório da ocorrência:
- Seu caso é muito grave...-Disse ajeitando a meia armação vazia frente aos olhos, como fazem os médicos quando vão diagnosticar o câncer em fase já avançada para o paciente.
-Eu sei,- Disse Arnaldo interrompendo-a, gesticulando com as mãos ligadas  - São dois mortos, mas eu salvei o homem! Ele podia ter sobrevivido, se o enfermeiro não o tivesse matado! Não sou responsável pelas duas mortes!
-Mortos? Enfermeiro?-disse ela com o rosto agora nitidamente confuso, como se ouvisse uma blasfêmia na igreja , ou uma imbecilidade supersticiosa num ambiente acadêmico- Não está sendo julgado por mortes, senhor Arnald, mortes são naturais e ninguém  aqui é julgado por elas. Não há enfermeiros em Karma , as pessoas aceitam e cuidam o melhor possível com a tecnologia difundida das suas doenças. Aquele funcionário era um auxiliar de morte o que em seu planeta seria um preventor de eutanásia e suicídio, bem como de prolongamento de vida ou imortalidade. Você está sendo julgado por salvar o homem, que por sua interferência viveu cerca de vinte minutos a mais, o que alterou a balança do Karma dois graus inteiros em direção ao paradigma eterniano. Nós estamos a mais de dez séculos sem ter nenhum movimento do campo mórfico nessa direção. É uma catástrofe! Uma catástrofe e pode ter consequências sérias para o equilíbrio do nosso sistema biplanetário! - Respirou desabafando, mais para se livrar do fardo que por ter se feito compreender.
 -Meu nome é Virínia e sou sua advogada, á propósito de esclarecimento, mas já vou te adiantando que seu caso é um caso perdido, e que apesar de compreender sua evolução, não nutro simpatia ou instinto de defesa pelo que o senhor fez. É um crime!
-Julgado por salvar?-Agora mais confuso do que antes, deixou o corpo cair para trás, se apoiando na cadeira. Aquilo não se parecia com nada que pensara em sua defesa.- Como assim?
 Enquanto olhava silencioso para o chão sob a mesa, feita de um material que nem sequer sonhava antes ver, pois havia resolvido o problema da sustentabilidade planetária, sendo usado em tudo, desde prédios , carros , casas e tecnologia, a advogada Vírinia olhava para o astronauta terráqueo. Era forte, e seu olhar demonstrava seu treinamento e instrução acadêmica e técnica. tinha a quele olhar inquiridor que é necessário aos que se aventuram pelo oitavo mar, o espaço sideral. Mesmo com tudo que os separava ideologicamente, e que naquele momento os separava e o confundia, a natureza de nossa reticente defensora, se inclinava pelo interesse no exemplar da Terra.




O oficial entrou pelo gabinete do comandante superior sem ser anunciado. O suor na sua testa denunciava a gravidade da situação.  Antes mesmo que ele abrisse a boca o comandante já estava em pé e atento, apenas pelo cheiro e a vibração que gerara a movimentação dos corredores.
-Abriu-se uma janela entre os mundos , senhor!- Disse o oficial em tom severo- Como havíamos previsto, a passagem do objeto terrestre pela anomalia cósmica fez que se alterasse a barreira kármica, e em seis horas Eternus pode lançar um ataque!
-Já temos os números de quantos atacarão desta vez?-Perguntou o comandante sem disfarçar sua preocupação. - Já faziam trezentos anos que não acontecia uma ataque! Qual foi o crescimento exponencial das tropas?
 -Duzentos por cento, senhor! Se atacarem com 50% da excedente estaremos em maus lençóis!- Respondeu acionando o holograma do planeta vizinho, ao lado de um do próprio planeta Karma.
O planeta Eternus era pouco menor que Karma, e também menos populoso. Mas os hologramas mostrava que ao contrário do planeta maior, que era pacífico e na maior parte residenciorural (Foi a união dos conceitos sustentáveis para a permacultura humana, cada casa deveria produzir algo para comer, no mínimo. E ter contacto com a natureza representada na fauna e na flora, sem escravizar ou excluir de direitos nenhum ser consciente, orgânico ou mecânico), havia poucas unidades militares em comparação com o tamanho da população.
 Eternus, o menor, era coberto por complexos industriais e núcleos de atividade militar do tamanho de cidades inteiras.
 De longe o que parecia é que Karma vivia por viver, enquanto que Eternus vivia para se defender de algum inimigo iminente, evitar a guerra civil planetária, ou se vingar do universo, assim que conseguissem sair dali.
 Sim, os habitantes de Eternus começaram como uma colônia de exilados e auto-exilados de |Karma, e todos por desavenças político ideológicas insuperáveis, que levaram os habitantes de karma a considerá-los indesejáveis personas non gratas em todo planeta. O que devia gerar um certo desejo de vingança, já que os cidadãos eternianos eram conhecidos por serem orgulhosos e não aceitar seu exílio como uma derrota ás suas idéias, mas apenas um acidente necessário para a purificação do pensamento e o fortalecimento das potências eternas no tempo.
 Tinha a eternidade, e assim julgavam ter o próprio tempo em suas mãos. Mas o tempo ainda não lhes dera seu domínio sobre o espaço de Karma, que ainda gerenciava todo o setor comercial, ainda que com interesses altruístas e generosos para o abastecimento regional cósmico local. Eram estes como que uma potência hegemônica , pela sua neutralidade e precisão em manter o delicado equilíbrio diplomático, que envolvia um planeta com seres virtualmente eternos, belicistas e desejosos de vingança e domínio.
Muitos outros mundos já haviam considerado melhor a aniquilação dos eternianos, mas os karumanos os tratavam como um filho que desviou na adolescência e que carecia de mais amor. Os eternianos não eram reciprocamente odiados como queriam. Na verdade seu irmão maior sentia pena e tentava equacionar o erro de julgamento que considerava o conjunto de decisões que levou o eternianos ao exílio em Eternus.
 Orgulhosos de suas decisões , não mais se chamaram de karumanos. E julgando-se além da sua raça progenitora, por serem agora imortais, adotaram o nome do planeta menor como insígnia e bandeira. E assim se tornaram a maior ameaça já vista no cosmos, ainda que sob controle, até agora.



 -Posso ver pela insígnia no seu uniforme que você é da Terra, que fica do outro lado do universo, tirando o idioma, que é contornável, e  a espécie humana, parecida com um ancestral recente nosso, as coisas aqui em Karma são muito diferentes de lá. Pelo nome do nosso planeta já dá pra você saber que nossa lei é toda baseada num sistema de crenças diferente do seu, que em seu planeta começou como um conceito em algumas religiões que tinham contato com nossos telepatas mais potentes, que mandavam mensagens e imagens telepáticas para as anomalias cósmicas vizinhas, para difundir nosso conhecimento e ajudar sistemas estelares mais jovem , como o seu. Como por algum motivo desconhecido por nós o conhecimento a respeito disso foi cristalizado no início em seu planeta, ficando o conceito de vocês um pouco obsoleto, e defasado com relação a tecnologia. Aqui, evoluiu muito a relação entre razão , ciência e karma. Que chamamos de karma quântico, dado que o karma é gerado em todas as direções possíveis , e afeta todas as dimensões entrelaçadas. Netse momento , o karma da Terra está se entrelaçando com o nosso, e precisamos evitar que seu planeta se torne alvo do karma eterniano, pois nos sentimos responsáveis. Eles rechaçam , assim como o seu ocidente, o conceito de karma, e são, pela religião, dados a buscar a eternidade, idéias que pertencem ao karma que é provocado pelo nosso planeta irmão, pouco mais desenvolvido , por sorte de materiais , que a Lua. Mas que se tornou uma ameaça bastante significativa a todos os mundos que se entrelacem com ele. Como sua advogada vou te explicar tudo. -Arnald ouvia tudo calado e atento. Mas em sua cabeça , não podia evitar o pensamento de que aquela mulher , e talvez toda raça, fosse paranoica, alucinada,  e alucinogênica. Pois tudo que ela dizia, apesar de ser o oposto do que sabia, fazia um imenso sentido. Então considerava que poderia estar sob o efeito de alguma substância. Sentia um cheiro que o absorvia, mas não conseguia distinguir de onde vinha. Era bom estar ali, apesar das condições, e principalmente , era bom estar perto de Virínia, e ouvir a sua voz e as coisas que ela dizia. Sentia esperança de sair da situação que estava , através dela, e conforto, mesmo estando na mesma posição, já por algum tempo.
 -A morte para nós é natural-continuou a fêmea karumana- ninguém é punido em caso de acidentes.  Em caso de assassinato, aplicamos a pena de banimento para Eternus, e também ninguém tem o direito de prolongar a vida.
-Entendemos que a vida tem um tamanho diferente em cada indivíduo e que esse tamanho é proporcional ao karma do indivíduo, quando acaba o karma , ou ele precisa se reorganizar, se complicando ao máximo para se desfazer, acontece uma doença ou um acidente, mecânico , ou biológico, como uma falha final, e a pessoa morre. Aqueles que tentam salvar vidas interferem. E não só no karma pessoal do pobre moribundo, mas no karma planetário, o que acaba interferindo na felicidade de todos no planeta. Veja bem, é como se a vida não gostasse de ser enganada e quando percebesse que isso aconteceu, cobrasse de toda a espécie viva do sistema kármico, amplificando-se isto a todo karma que estiver entrelaçado a tal forma de vida, seja por uma idéia, ou mesmo um átimo de pensamento contrário a natureza. È um equilibrio muito mais fino e delicado do que se pensava antes do advento quântico, que aconteceu há muito tempo aqui, mas está apenas começando no seu mundo.- Parou para ver o que ele havia entendido, não era, ela mesma , uma boa telepata, por isso preferida as leis. Era mais adequado ao seu nível de empatia. Os mais empáticos eram designados e até esperados antes de nascer nos centros religiosos quânticos e de medicina karmica.
-A morte não é punida , mas o salvamento é?-Agora Arnald estava sem chão- Vou ser julgado por salvar? E qual é a pena?- Costumava ser prático nos assuntos da vida, ia sempre direto ao ponto.
-Prisão perpétua, no caso dos karumanos não renegados, pois não podemos correr o risco do condenado salvar outra pessoa quando não tiver ninguém vendo.
 -O salvamento gera um vício, e quem é salvo também passa na maioria das vezes a dar mais valor a própria vida que a lei de Karma, causando desequilíbrio no planeta. Por  causa das endorfinas e substâncias naturais , que antes eram necessárias a sobrevivência do nosso corpo animal, não muito diferente do seu, mas que foram evoluídas, aqui, para serem educadas e compreendidas. Para serem usadas , ou suprimidas por vontade de acordo com a circunstâncias. ossa circunstância atual , e já é essa há duas eras mais que seu mundo, é de superpopulação planetária, mas em perfeito equilíbrio, mesmo tendo como vizinho uma raça de seres eternos e hostis.- Obviamente, Virínia não sabia das previsões do centro de defesa para as próximas horas.
-Mas que desequilíbrio pode causar uma vida que dure mais?- Arnald considerou 'seres eternos' , um erro de interpretação do idioma, e se concentrando em seu próprio problema, que era sair dali, perguntou novamente sobre que crime havia cometido afinal.
-Nosso planeta é quase tão populoso quanto a Terra, a unica coisa que mantém o equilíbrio entre os nascimentos e óbitos é a lei do Karma. Sem ela haveria mais nascimentos que mortes e assim o planeta explodiria com a superpopulação. Nossos recursos que são igualmente divididos entre todos os habitantes seriam insuficientes e teríamos que recorrer ao planeta Eternus, que digamos , não é lá muito cooperativo conosco.
-Para vc ter uma idéia, quando ainda éramos extrativistas, nós mineramos muito o planeta Eternus, e o chamamos assim, porque pensávamos que ele seria uma fonte de terna riqueza para nossa raça.


-Foi quando invadimos Eternus que os vizinhos dos sistemas estelares próximos se apresentaram, há muitos séculos atrás. Não tínhamos superpopulação, pois havíamos adotado leis planetárias de educação para planejamento e controle de número populacional muito antes de ter tal tecnologia. Já havíamos decidido que nosso planeta não seria bélico, e que não colonizaríamos o próximo planeta, apenas extrairíamos o necessário, e como não havia sido descobertas algumas fontes de energia ainda, precisávamos de minério para compensar nossa baixa produção de energia limpa.
-Os especialistas em karma regional então explicaram que nosso planeta, dada a disposição para a paz e a cooperação, por não querer se espalhar pelo cosmos, mas apenas implementar seu p´roprio planeta e vizinhança, tinha excelentes chances de ser um monolito diplomático numa região karmicamente tensa. Que era quase como se o próprio karma multiversal tivesse se manifestado neste planeta para mostrar, em como se complica e como se equilibra, usando o próprio multiverso, como que para mostrar caminhos e erros, de interpretação ou formulação de informações, de parte a parte do universo.
-Eles previram o surgimento do karma eterniano, por causa do uso da palavra eterno em um universo passageiro, que segundo eles , gerava muitos paradoxos nas ondas de pretensão , escondendo demais a verdade da intrasitóriedade da forma e da interpretação da informação neste tempo/espaço, que tende ao aumento do caos. Já que o nível de entropia da terceira dimensão apresentara-se como sempre crescente, e aparentemente estava também disposto a demonstrar isso a toda dimensão, usando aquele setor longínquo do universo, e seus setores entrelaçados , fosse por linhas de gravidade, kármikas , ou quânticas, através da anomalias cósmicas.
-Tudo isso era muito novo para nós, mas o seres karumanos dos sistemas vizinhos se mostaram poderosíssimos telepatas, conseguindo ler toda nossa tecnologia a distância, e prevendo, ainda que não interferindo várias invenções e descobertas fundamentais que se deram, diziam eles, por causa do advento do encontro entre caminhos de dois planetas e uma boa intenção planetária.
-As novas tecnologias nos deram a liberdade de novas decisões com relação a Eternus, como não mais extrair  minério de lá, e não mais enviar karumanos para lá. Fazendo voltar também os karumanos que lá estavam, pois até então ninguém se chamava de eterniano, e apesar do tamanho do planeta vizinho, considerava-se o irmão menor como um satélite, quase um mascote karumano com um nome bonito.
-Os karumanos do sistema b5, nos revelaram então uma verdade que não conhecíamos: Assim como os animais e plantas que habitavam os planetas, os próprios planetas tinham vida, e observavam as coisas que aconteciam em sua superfície, como qualquer ser vivo olha para as cicatrizes de sua pele ao lembrar de seu passado.
-Disseram que o planeta Eternus não aceitaria uma retirada pacífica, e que um dia suscitaria um karumano que se chamasse eterniano, e nos preparou para as guerras que acontecem em nosso sistema há cinco séculos.
-Quando surgiram as idéias que levaram ao karma eternianano, nós estávamos preparados tecnologicamente, mas não psicologicamente para seu efeito, pois as técnicas psicológicas requerem práticas muito severas e longos treinamentos meditativos, e só os mais especializados tinham tal disciplina. O surgimento dos auto afirmados eternianos, que proclamavam o desejo a eternidade e a um mundo de vidas eternas, abertamente, tomou de assalto muitas regiões do planeta, e muitas famílias de repente se viram divididas e ou tendo que entregar algum membro da família, ou vizinho, ao regime. Foram os anos negros em que os sistema kármico e seus milhares de adeptos viu surgir seu filho pródigo e ganancioso.
-Apoiados na tecnologia que receberam do sistema , mas deturpando e forçando limites éticos, os eternianos descobriram o inibidor de morte, e retardador , em alguns casos estacionador, de envelhecimento. Que se tornou o símbolo de sua luta: A conquista da virtual vida eterna e a defesa do direito a ela. O marketing excluía totalmente os riscos e custos do processo, já que o planeta já era quase que totalmente populado, observado o crescimento vegetativo, já controlado. A negativa da morte causaria desequilíbrio nos suprimentos , caso apenas 15 % decidisse parar de envelhecer e não morrer. Ao atingir 5%, o governo planetário, apoiado pelo conselho setorial do karma, decidiu exilar todos os tributários do sistema eterniano para Eternus, que sabia-se já deserto, e apenas com ruínas e crateras de extração mineral. As famílias dos rebeldes, mesmo reticentes, não conseguiam suportar a vergonha da traição planetária alardeada pelo governo. Enquanto que os próprios rebeldes não ajudavam a conciliação, queimando bandeiras e codexs, que era o código kármico mais atual, em praça pública, sendo assim rejeitados por todos dentro e fora do planeta através de mensagens de todo universo conhecido, mas se julgavam rompedores de conceitos, mártires da evolução existencial.
-Maior ainda foi a surpresa, ao levarem os deportados para Eternus. Pois ao aterrizar , as tropas karumanas foram rendidas por rebeldes que inexplicávelmente tinham uma base interia escondida no planeta, que agora descobriram que nunca fora totalmente evacuado. O planeta simplesmente protegeu e escondeu os rebeldes, cumprindo as previsões dos mestres kármicos setoriais.
-Assim nasceu a ameaça eterna, e a única vergonha do sitema kármico em todo o multiverso.



O alarme tocou dentro do quartel general planetário, também conhecido como O Domo, porque cobria todo planeta com escâneres todo o tempo. A luz vermelha da sala de defesa , que nunca havia surgido substituiu repentinamente , e as palavras "Alerta Vermelho!" começaram a se repetir pelo recinto.
-Comandante, estamos sendo invadidos por trás da anomalia cósmica! - Gritou o homem que ficava olhando para o holograma central.
-Eu sabia! Preparem os escudos e tubos de teletransporte direcionado.
As defesas dos karumanos não eram como estamos habituados. Enquanto que os eternianos atiravam e cortavam como nós, os karumanos usavam armas paralizantes e transportadores com marcador fixo na prisão, ou no caso dos eternianos, de volta para Eternus. Enquanto os eternianos tratam os karumanos como inimigos, os karumanos os tratavam como crianças , que apenas precisam de mais tempo e da atenção que estão pedindo, até o banimento , de novo e de novo.
 Os eternianos detestavam isso, repetições de destino. Pois numa guerra os eternianaos iam e voltavam muitas vezes para Karma durante a janela gravitacional, o que além de frustados no fim de cada batalha, também os deixava cansadíssimos, pois era imortais, mas se cansavam e precisavam às vezes dormir por dias para recuperar as forças. Outro motivo pelo qual a economia de energia em Eternus nunca se equilibrava, eles precisavam de muita energia nos processos de cura e reposição de forças após atividades extenuantes. E nada mais extenuante que quatro ou cinco viagens interplanetárias em poucas horas. E não tinham a tecnologia de teletransporte, o que sempre dera a vitória para os karumanos. Poder determinar onde vai estar o adversário é uma maneira de sempre evitar conflitos. Vantagem que os pacifistas não podiam se furtar de usar, e que os belicistas jamais poderiam ter. Verdadeiras peripécias já haviam sido tentadas para se apoderar da tecnologia, sem sucesso sequer da compreensão do funcionamento, pois não era tecnologia original de karma, mas havia sido trazida de outra galáxia pelos guardiões setoriais.
 -Quanto do excedente estão usando?-Perguntou o comandante? -Informe a Alfakarumana!- Que era a presidente eleita do planeta, posição que só era exercida em tempos de crise, ou guerra.
 -15 ou 20%, Senhor! E estão com disrruptores de frequência, não conseguimos captar perfeitamente seus sinais para a mira automática dos transportadores. Os pilotos vão ter que facilitar para os canhoneiros, se arriscando.
 -Transmita as ordens! - Sentenciou o Comandante.
 As ordas de naves começaram a aparecer por trás da anomalia, contornando-a, enquanto que da base secreta, livre da visão dos demais karumanos, por ser situada no meio do oceano maior, o Aquamor.
A população não era alertada a amenos que a frota inimiga se aproximasse demais ou invadisse o planeta.  Naves com canhões de teletransporte e escudos defletores potentes subiam do planeta, tentando se defender da invasão. A imagem das duas frotas indo em direção a outra era como se dois enxames de abelhas, ou nuvens de pardais, se voltassem uma contra a outra. Enquanto os lasers e canhões magnéticos eram disparados de um lado, do outro armas silenciosas moviam campos invisíveis que ao atingir a nave adversária a transportava de volta para a atmosfera de seu planeta de origem, fazendo-as ter que parar, abastecer e recomeçar, o que os eternianos faziam xingando mais ou menos, de acordo com quantas invasões já haviam feito antes. Os mais experientes apenas ficavam entendiados , como que começa um videogame na fase fácil, pois estes sabiam que após duas transportadas forçadas dessa depois o piloto estaria provavelmente desacordado numa nave flutuando a deriva sobre ternia, se não estivesse concentrado, pois andar no tele-transporte podia extenuar durante a viagem, como num nocaute. A nave desligava e entrava em stand by , enquanto o piloto ficasse assim. E o novato era então vergonhosamente recolhido por outra nave para o solo, não sem sofrer um bullying dos mais experientes antes.
 -As naves estão sendo repelidas , Senhor! -Disse confiante o observador do globo holográfico.





Nossa! quer dizer que não há pobreza , riqueza, fome, nada disso?- Espantava-se nosso astronauta, olhando cada vez com mais admiração para aquele mundo dual.
-Exatamente - Disse Virínia- em karma há igualdade entre todos os habitantes. sejam orgânicos, mecânicos, ou animais não humanos. O próprio planeta e os Universos tem cartilhas de direitos e leis de proteção muito precisas neste tempo/espaço.
-Mas e a medicina , aqui não há medicina?
-Não, em karma ninguém evita dores, doenças ou morte. Simplesmente aceitamos nosso destino como parte de nosso aperfeiçoamento moral, e não interferimos no aperfeiçoamento alheio também, cada um tem seu tempo de aceitar suas provas. O que vocês chamam de medicina em seu planeta, que é um conhecimento muito restrito. Aqui, é conhecido por todos, mas à muito deixamos para trás técnicas invasivas, e traumatizantes, pois acentuam o karma, sendo entendido pelo universo como uma inversão de percurso natural das forças construtoras e destruidoras da vida. Causando uma resposta reforçadora do karma, para demonstração ao ente, seja isto um planeta, uma pessoa ou uma bactéria, de que a vontade do ente maior, e sua precisão não comportam negativas aos entes menores envolvidos em seus movimentos internos. O universo entende que uma doença é um seu filho , tão digno e amado de ser aceito quanto a saúde que do mesmo universo nos advém. Adoecer e morrer é normal.- Encerrou com uma pausa tranquila.
-Mas com tanta tecnologia , vocês poderiam ter uma medicina muito adiantada e talvez até viver para sempre!- Insistia, não querendo desistir de seu próprio sonho humano de eternidade.
-Quem quer viver para sempre é banido para Eternus.-Sentenciou Virínia.-Lá isso já é possível.
-Quer dizer que vocês podem viver para sempre e escolhem adoecer e morrer?
-Olha Arnald, compreendo sua admiração, conheço a história do seu planeta e como lá vocês buscam isso como se fosse bom , mas acho que você nunca parou para pensar que, para viver para sempre , vocês teriam que abrir mão de suas maiores alegrias. - Disse , abrindo um arquivo entre eles, onde se viam as alegrias simples da vida, como plantar , comer e brincar com crianças.
-Que alegrias? Morrer ou adoecer?
-Ironia... Você tem filhos? - Disse abrindo um holograma com várias pessoas de uma mesma família, como num comercial de margarina.
-Não.- Disse , enquanto lembrava-se do seu planeta.
-E quer tê-los?
-Claro! Quando voltar a terra e constituir uma família quero tê-los.
-Esse é o maior motivo de aceitarmos a morte e as doenças, não abrimos mão do amor conjugal e paterno/materno, ou mesmo a paternidade homossexual. Sem mortes não poderíamos continuar a ter filhos e a espécie se estagnaria, sem evoluir, na geração em que se tornou imortal, foi isso que nos levou a aceitar o Karma.
-Em Eternus , por exemplo , ninguém pode ter filhos e foi por isso que todos que quiseram a imortalidade migraram para lá e adotaram o nome desse nome ao planeta. Abriram mão da paz e da igualdade de Karma pela imortalidade e a cura de muitas doenças , mas não uma vida menos problemática ou dolorosa e não podem ter filhos.
-E também tem todos os outros inconvenientes de pensar assim. Quando uma pessoa acha sua vida mais importante do que todo o resto , tem sentimentos de ganância. Eternus tem uma população pequena e estável, mas sempre que banimos pessoas pra lá, por querer ser imortais, acontece uma conspiração para matar outros, para que continue o número estável,como as pessoas recém chegadas são normalmente mais evoluídas e por isso mais úteis para a tecnologia de lá, os escolhidos para perder a imortalidade são pessoas que já são assim há muito tempo, pessoas que enriqueceram e se apegaram, elas sofrem muito ao perder a eternidade e como não nasce mais ninguém lá , elas encarnam e outros planetas como aqui e a Terra.
- Assim lá não é erradicada a desigualdade , pois todos competem para ter mais que os outros, sem falar de quando invadem nosso planeta para roubar bens e pessoas, que são eternizadas sem consentimento, para servirem de escravos pela eternidade. Eles têm a imortalidade ,mas seus karmas permanecem, então têm doenças e gastam seus recursos naturais para tentar curá-las, mas quando conseguem a cura para uma doença a lei do karma entra em ação e surge uma doença nova , as vezes mais grave do que a que foi erradicada. Eternus tem doenças horríveis , principalmente por não haver a morte para dar fim ao sofrimento.
 Enquanto ia ouvindo o relato de Virína, Arnaldo ia pensando na Terra e em como era exatamente assim que as coisas iam lá, só não tinham a imortalidade, realmente as pessoas davam mais importância a própria vida na Terra do que ao equilíbrio do planeta e queriam se sentir bem a qualquer custo, sempre que conseguiam curar uma doença aparecia outra pior. Os recursos não eram divididos igualmente e iam se tornando cada vez mais escassos. Percebeu que apesar de não ter imortalidade , a terra era bem mais parecida com Eternus do que com Karma, até ter filhos para muitos ia deixando de ser importante.

-Alguma coisa está surgindo pelo outro lado da anomalia!- Disse o observador de um instrumento no canto da sala.- Eles estão vindo em dois flancos! Tem mais 15% das tropas excedentes daquele lado! agora são 35% , força total nos canhões de tele-transporte!
A sala continuava vermelha, e os rostos da equipe de defesa agora não estavam tão confiantes. Uma enorme mancha negra vinha na direção do planeta maior, e rapidamente passou de um tamnho similar a anterior para quase o dobro do que era, se expandindo como uma bolha crescente.
-Não! Não são 15%, são pelo menos 40 %! -Disso o próprio comandante que atravessara a sala e colocara seus próprios olhos na máquina.- Estamos em sérios apuros! Soe o alarme nos continentes!
-Os alarmes começaram a tocar e em minutos todo a população se movia como uma.
 As pessoas sabiam que não era um treino, e a ameaça vivia literalmente sobre a cabeça de todos eles, não deixando espaço para dúvida, teorias de conspiração , ou hesitação nos casos de evacuação. Mesmo após séculos de paz, não haviam se esquecido de como o perigo descia rápido do céu.
Karma era dotada com abrigos enormes, totalmente selados contra invasões, para que os eternianos não conseguissem capturar e eternizar civis à força. Principalmente os karumanos de ciências e os embaixadores kármicos setoriais.
À medida que as naves escureciam o sol, passando pelo bloqueio atmosférico, canhões de tele transporte surgiam do solo. Transportando a população para os abrigos, ao mesmo tempo que atiravam para o céu na tentativa de reduzir ao máximo o dano da invasão.
O tempo era o maior inimigo dos karumanos, que tinham que partir nos teletransportes antes que os inimigos aterrizassem, pois as próprias máquinas se selam em material impenetrável quando o tempo do alarme determinava que os inimigos estavam perto demais da tão vital tecnologia. Canhões eram programados com auto-destruidores, caso fossem apanhados e hakeados.








- tenho que ir até ao juiz ver o que decidiram a seu respeito, nunca julgamos uma habitante da terra aqui , pode ser que você receba clemência se decidir aceitar a lei de Karma. Pode até conseguir a liberdade e permanecer aqui, quem sabe. Até logo.
E assim dia a dia, nas idas e vindas para o julgamento, Virína ia ensinando para Arnaldo a lei do planeta. 
Arnaldo foi ganhando a confiança dos magistrados e dos carcereiros e já ouvia pelos corredores que seria punido ,mas que não seria prisão perpétua. Ia se acostumando com a paz que era o planeta, exceto quando os eternuanos apareciam para roubar. Se acostumou a ver as pessoas morrerem aceitando. Já não queira voltar para a Terra, nem muito menos ser um imortal em Eternus. Queria a paz e a igualdade de Karma e já pensava que ali seria o lugar certo para casar e criar seus filhos. Ficou feliz de ter ido para em um planeta tão adiantado, parecia uma utopia!
   Naquele dia quando Virína entrou de volta no corredor em que estava, sorriu e antes que ela dissesse as novidades foi falando:
-Virína , eu aceito a lei de Karma, juro que não salvo mais ninguém! Só quero cumprir minha pena e se possível continuar neste planeta. Deixe-me falar com o juiz!
Mas ela estava séria.
-Arnald não sei se você compreenderá isso, mas é tarde demais, o juiz já decidiu o seu caso, você será libertado, mas não poderá continuar em Karma. Sua nave foi consertada e você será mandado, através da mesma nuvem de raios cósmicos de volta para a Terra.
Arnaldo chorou. Após algum tempo se recompôs. 
-Tudo bem. quem sabe eu consiga divulgar a lei de Karma por lá e assim um dia a Terra será tão bela como aqui , tão pacífica como aqui e também igualitária.
 Virínia também chorava.Sentia que ele agora era um verdadeiro cidadão de Karma. Havia se apaixonado por Arnald e queria que ele ficasse , apesar de não poder fazer nada e também não poderia ir com ele.
Enquanto era escoltado pelos soldados do planeta, tendo Virínia ao seu lado, sentia uma tristeza imensa em ter que se despedir daquele paraíso. 
-Adeus Virína , nunca esquecerei de você ou desse lugar!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

UM MUNDO SÓ

Sim! Queremos o mundo!
E queremos como era antes,
Nem terceiro, nem segundo.
Primeiro, inteiro, novo,
Não primitivo, nem partido,
Nosso mundo, um mundo todo.
Queremos unir o terceiro mundo,
O novo mundo e o velho mundo.
Queremos esquecer que um dia,
Por pura ganância,
Dividimos o mundo num engodo!
Em velho e novo,
Em primeiro e segundo,
E até terceiro mundo.
Queremos poder passear
De cá pra lá e de volta pra cá.
Queremos nos lembrar
De como fizemos esse nó,
Para, quem sabe assim,
Voltar a unir
Tudo o que dividimos tanto
De volta em um mundo só.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

É O FIM DO MUNDO! (É MENTIRA)

    Era um domingo quando o sol escureceu.
    Ele pirou e disse: -Aconteceu!
    Era o sinal que tanto esperava,
    De uma mentira que então participava.
    Vestiu a placa e parou numa esquina,
    Desesperado com sua própria sina,
    Enquanto os carros e pessoas passavam,
    Em plena voz gritava:
    -É o fim do mundo! É o fim do mundo!
    -Acabou! Acabou!
    -Daqui pra frente é início do fim!
    -É melhor você acreditar em mim!
    Mas outro dia chegou.
    E o pirado normalmente acordou.
    Viu que o fim estava atrasado,
    Mas aquilo sequer o abalou.
    Vestiu de novo a placa e foi para a mesma esquina.
    Desesperado com sua própria sina,
    Enquanto os carros e pessoas passavam, 
    Em plena voz gritava:
    -É o fim do mundo! É o fim do mundo!
    -Acabou! Acabou!
    -Daqui pra frente é o princípio do fim!
    -é melhor você acreditar em mim!
    -Daqui pra frente é o início do fim!
    -Queiram ou não queiram, vocês terão que acreditar em mim!
    E assim dia após dia, 
    Passou a dizer que o mundo acabou.
    E a cada manhã se convencia,
    Que o fim estava apenas atrasado,
    Para não admitir que tinha falhado,
    Fazendo a previsão de um fim que jamais chegou. 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Se o mundo fosse acabar...

GOSTARIA ANTES DE ME APAIXONAR E SER CORESPONDIDO DE CARA, PARA EM SEGUIDA FAZER AMOR COM ELA OLHANDO NOS OLHOS E TER COM ELA UM ORGASMO SIMULTÂNEO,

DE FAZER UM SHOW LOTADO DE SUCESSO ESTRONDOSO DE PÚBLICO E CRÍTICA,

QUE UM DOS MEUS AUTORES PREFERIDOS ELOGIASSE O QUE EU ESCREVO,
 

DE VER TODAS AS DOENÇAS SEREM CURADAS PELA MEDICINA,

DE VER A MISÉRIA TER FIM NO PLANETA, ASSIM TAMBÉM TODAS AS GUERRAS,
 QUE TODOS OS LIVROS QUE SE DIZEM DONOS DE DEUS (SER SUPREMO OU QUE NOME TENHA OU NÃO) E DA VERDADE PASSASSEM A SER APENAS LITERATURA, E ISSO EU GOSTARIA MUITO.

GOSTARIA DE CONVERSAR CARA A CARA COM UM E.T. (E QUE ELE FOSSE BONZINHO),

QUE TODOS OS PAIS FOSSEM O ORGULHO DOS FILHOS E VICE E VERSA,
 DE VOAR. 

GOSTARIA QUE TODAS AS ESPÉCIES FOSSEM LIVRES E QUE NENHUM ANIMAL SE ALIMENTASSE DE OUTRO,
QUE HOUVESSE A REVERSÃO DE TODA A POLUIÇÃO,

E SERIA MESMO UMA PENA QUE UM MUNDO ASSIM ACABASSE...

MAS JÁ TERIA VALIDO MTO A PENA VÊ-LO MESMO POR UM POUCO DE TEMPO...

ME LEMBRARIA DOS MONGES DO TIBET , QUE DESENHAM LINDAS MANDALAS COM AREIA COLORIDA , DURANTE UM DIA INTEIRO, PARA DEPOIS APAGÁ-LAS COM GRANDES VASSOURAS , SEM TER AO MENOS TIRADO UMA FOTO, SÓ PRA LEMBRAR QUE TUDO PASSA...

Entre vielas sombrias

   Entre as vielas sombrias corria a criatura. Sem entender o que ou quem era, sentia apenas seu coração retumbando, pela velocidade imprimida ao sangue bombeado e o medo daqueles que o perseguiam.
   Olhando para o chão pôde reparar que não corria apenas com os pés, suas mãos também batiam o solo, grotescas e em garras animalescas, imprimindo ainda mais velocidade a fuga.
   Mas do que ele fugia ?
   A viela se tornou de repente ainda mais estreita , para fazer a curva sem diminuir,
mudou o centro de gravidade do corpo, e agora, suas mãos arrancavam a cada batida
pedaços do substrato, que só então pode perceber não ser mais o chão. Estava correndo pelas paredes.
   Mesmo estando estupefato não caiu. Seguiu mais rápido ainda, até que a viela desse de esquina com uma rua mais larga.
   Tranqüilizado pela distância segura, parou e olhou para trás. Realmente eles ainda o seguiam, não corria em vão. Seus uniformes podiam ser vistos de longe.
   Em suas mãos o temido objeto, que não distinguia se era uma arma ou um livro.
   Continuar, preciso continuar ,pensou...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Montes de vênus

 

   Montes de nuvens,
De gases inebriantes,
De efeitos extasiantes,
De altos picos gêmeos,
Em altos montes,
E montanhas abundantes.
    E em sua planície,
Igualmente diáfana,
Que maravilhosos campos!
   Que conduzem a suas maravilhosas águas,
Isso mesmo águas de Vênus!
   Águas de Vênus...
Condensação de suas nuvens,
Chuvas anestesiantes,
Psicodélicas.
   Suas águas  brancas brotam então de seus picos,
De sua terra,
De suas fontes ocultas... 
   Sim, Vênus tem fontes ocultas.
   Seu caminho, por poucos conhecido,
Se inicia numa caverna,
Que não está nos altos picos,
Nem nas montanhas abundantes,
Ainda que haja quem esteja sempre procurando por ali.
A fonte da juventude, 
Com sua deliciosa água, 
Encontra-se, na verdade, oculta,
Sob o menor dos montes.
   E como choram de alegria os que o encontram...
   Beijam esse solo,
E querem ficar ali para sempre,
Como se ali tivesse sido sempre sua casa.
Sua primeira morada...
   Ah! os montes de Vênus...
Seus altos picos...
Suas montanhas abundantes...
Suas águas ocultas...
   Um dia novamente viverei lá,
Passearei por suas paisagens e através de sua relva,
Repousarei sempre,
Sob o pequeno e inefável monte de Vênus.