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segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Sonho 2

O Sonho de perde, quando é desprezado, dia a dia...

O Sonho

Todos os dias eu faço minha cama.
Estico ou troco os lençóis,
Coloco uma colcha,
Troco ou estico as fronhas e arrumo os travesseiros.
Faço isso todos os dias, e faço questão.
Para me lembrar de tudo que é considerado inútil ao acordar,
Mas que quando procurado à noite para se deitar,
São O Sonho.

domingo, 29 de maio de 2016

A VIDA, FUDIDA E FELIZ , POR SI MESMA E OS HOMENS DE NADA

Lá está uma mulher que recostada sobre nada, se masturba.
Em sua testa está escrito VIDA
O nada que lhe apóia, nada lhe causa.
 Não tenta em vão invadir seu lugar.
Não pretende entrar onde já está.
Ele nada vê na mulher recostada,
Nada lhe excita em sua imagem e no seu ato.
Ela se masturba, levantando uma das pernas.
A outra repousa ao chão, apoiando a mão que se acaricia.
Ela se abre como um compasso,
Como se seduzisse a tudo,
Cercada por nada. (apesar de não estar sozinha)
Nada há em sua mente e tudo lhe excita.
Nada está a lhe penetrar, mas seus dedos,
Entre seus lábios e seu clitóris lhe massageiam a tudo.
O nada lhe absorve em êxtase
 Enquanto pode sentir a tudo.
 No momento em que o orgasmo lhe toma todo o corpo,
 Seu ânus relaxado pela ausência do medo se abre.
 Os líquidos que transbordam de sua vulva,
 O encharcam e contornam,
 Até lhe invadem, seus próprios gemidos.
 Ela não está só.
 Dois homens a assistem.
Um deles nu e com grandes seios, se masturba e ri.
 Outro coberto de panos e escondendo o rosto,
 E tapando o volume que teima em se formar entre suas pernas.
 Faz uma cara de horror, de olhos cerrados,
 Pelo som, e o cheiro e a vibração que sente.
 Mas não se afasta,
 E o outro, adora o que vê,
 Mas sem o convite, também não se aproxima.
 Ela não os chama.
 Ela não os percebe.
 Eles não estão nem aí, para ela.
 Ela goza.
 Ela geme e se abre para si mesma.
 A vida, freneticamente,
 Se toca.
 Se ama.
 Se satisfaz.
 Grita, revirando os olhos e jogando a cabeça para trás,
 Se apoiando em nada:
 -Tudo em mim e nada no meu cu!!!
 E nesse momento , ante o riso do saliente
 E o horror do casto.
 Pelo seu cu aberto, nada entra,
 Conectando-se com o nada que há em seu interior.
 Causando a explosão do nada oposto ao nada,
 Que com nada se parece.
 E ela morre.
 De nada.
 Simplesmente expira, num hiato indefinido.
 E termina de recostar em nada,
 Que lentamente leva seu ser e seu prazer além.
 O homem saliente pára de rir e se masturbar.
 Ele agora se veste lenta e solenemente,
 Cobrindo os seios e o pênis.
 O homem casto também pára de se horrorizar e abre os olhos,
 Soltando seu membro dentro da roupa, agora sem excitação,
 E abaixando a mão que cobria o rosto.
 Ambos se abaixam, dividem e devoram a mulher morta.
 Agora ,
 Não vida,
 Entregue ao nada.
 Devoram por último seu rosto,
 Sua expressão de êxtase final.
 E em sua testa, a vida.
 Limpam tudo.
 Cumprimentam-se e discutem no que podem melhorar.
 Vão até a porta,
E abrindo-a viram uma placa:
"Procura-se mulher para experiência de vida única e prazerosa,
       Onde tudo está em suas mãos e nada te acontecerá de contrário a isso,
                               mas apenas você se levará além."
(Na outra face da placa estava escrito:
 Saída pelo outro lado.
Experiência de Vida em curso)
 Apenas gemidos eram ouvidos do lado de fora,
 E o grito:
-Tudo em mim!!!
-Nada no meu cu!!!
E agora vinham os homem,
 E viravam a placa.
Algumas candidatas a "mulheres da vida" desistiam ruborizadas,
Outras furiosas deixavam o recinto ofendidas,
 Pisando duro e prometendo vingança.
 Mal a porta se fechava e uma das candidatas se levantava e virava a placa,
 Desaparecendo após a porta.
 Os homens serenos e equilibrados, lhe mostravam o canto onde nada havia.
 Em sua testa escrevem VIDA.
 Ela se recostava.
 A luz se apagava , e uma música começava a tocar.
Os homens se retiravam.
 Pouco a pouco, ela se sente a vontade,
 Agora que pensa estar só,
 Na companhia de nada.
 Ela começa a sentir muitas coisas.
 Ouve uma voz que diz baixinho:
-Tudo em você!
Ela se esquece de tudo.
Ela se despe até só restar sua nudez
E mais nada.
Ela é tudo, e tudo se toca.
Ela repete:
-Tudo em mim! (baixinho)
 E a medida que o diz mais alto ,
Ela não se lembra mais de nada.
Ela se entrega.
Os homens voltam silenciosamente,
Um deles está nu e sorrindo e tem seios...
 Ela ouve a voz baixa dizendo:
-Nada no seu cu.
Ela repete sem pensar em nada,
Sentindo tudo.
Seu ânus se abrindo,
Seu gozo se soltando:
-Nada no meu cu!
Sua voz se levanta.
Seu gritos são ouvidos pelo universo.
Nada lhe toca.
Os homens continuam sua estranha "Experiência de Vida"
Com mulheres que transformam em "Mulheres da Vida".
Eles pensam:
-Todas querem o mesmo.
-Nada querem no ânus, e tudo em si.
Eles se julgam úteis e se admitem com estranhas carências.
 E em seu estranho estabelecimento,
 Do lado de fora da porta externa,
 Outra placa balança ao vento:
HOMENS DE NADA PARA A VIDA.
 fim.






segunda-feira, 16 de maio de 2016

um perfeito idiota. (ou , O Bastante, ou Não Eu.)

Sou um perfeito. E um Idiota. Um perfeito idiota, Num idiota perfeito. Perfeito o bastante para saber que sou idiota, e isso é perfeito. Idiota o bastante para saber que sou perfeito, e isso é idiota. Agora façam o mesmo com a realidade. Pois se eu não me reconhecer na realidade, Eu não me destruirei mais. Já a realidade , durará o tempo que durar, Sendo perfeita ou idiota. Feia ou bela. Pois isso já diz, por si só, quanto tempo terá pela frente. Não eu.

sábado, 14 de maio de 2016

Oculta (ko-kai concretista)

A beleza da árvore
                     está na copa,
 À vista.
 Mas a sabedoria ,
 Na raiz,
   Oculta.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

vINHO bRANCO

Nesse planeta redondo como um tamanco, eu fico com meu vinho e meu pão , no meu canto. 

OS ELES E OS NÓS.

qUANDO ALGUÉM QUER ME CONVENCER DE QUE EXISTE EXCLUSIVAMENTE A VERSÃO DO "NÓS OU ELES", EU PEÇO PARA ELES MOSTRAREM OS "ELES" , AO INVÉZ DOS "NÓS". QUASE SEMPRE APONTAM PARA FORA , MAS OLHAM PARA DENTRO. E QUASE SEMPRE O OUTRO "ELES" QUE DESCREVEM SÃO "ELES" MESMOS QUE ME FALAM ATRAVÉS DELES , OU "NÓS", COMO TENTAM EM VÃO ME CONVENCER QUE "SOMOS". DOU RISADA E PENSO: "NÃO FAÇO IDÉIA DO QUE ESSE CARA TÁ FALANDO, MAS UMA COISA SEI, TODOS SOMOS IGUAIS. E SE FOR PAPO DE DAR A BUNDA, NO MEU, NÃO. DEIXA ELE POR A MÃO NO MEU OMBRO E FALAR DE "NÓS" COMO SE FOSSE "ELES" E DE "ELES" COMO SE FOSSEM "NÓS" À VONTADE... DEPOIS DA SAIDEIRA EU VOU PRA CASA VOMITAR"...
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
NÓS, É QUEM FAZ NENÉM COMIGO RAPAZ... :p
#PASSO. EU SOU EU E ELES SÃO ELES. E SOMOS TODOS IGUAIS. E POR MERA CASUALIDADE GENÉTICA E PSICOLÓGICA, NO MEU NÃO. NO MEU, NINGUÉM. NO MEU, NADA. FALA AÍ , Ó SABIDO... QUE EU TENHO TODO O SÁBADO PRA TE OUVIR. AMANHÃ EU VOMITO, HOJE, AINDA É TERÇA...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Além do Cume do Reino Do Monte Nebuloso

Em um lugar muito longínquo, havia uma colina muito alta, que ninguém costumava subir, pois seu cume vivia coberto de nuvens , era frio e úmido. Algumas vezes , quando um viajante passava na estrada de baixo, muito longe, via uma pequena luz acima do cume, como uma chama entre a névoa, por um átimo de segundo, mas jamais conseguia se esquecer, nem contar a mais ninguém.
 Havia um corrente de vento que levava constantemente a névoa do vale até aquele ponto. A névoa subia pela manhã e desaparecia nas nuvens acima do cume do monte. Mesmo nos dia mais claros, aquela direção do céu era escura, pela sombra da montanha e pela névoa sinistra que vinha do distante mar , subindo o rio.
Certo dia, um viajante que viu a luz resolveu subir até o alto do Monte Nebuloso, preparando para isso uma vara, um candeeiro, um cantil, e um alforje, e tendo vestido capa e chapéu, subiu partindo em uma jangada movida a vara para a base da montanha.
A água do rio era escura e calma, E podia-se bebê-la no percurso, era muitíssimo doce, mas com um leve amargor ao fundo, e  mal parecia se mover em direção ao mar, e apenas pela margem se podia tocar o fundo com a longa vara.
 O viajante subia o rio, empurrando o leito, com o candeeiro pousado na jangada, mas o alforge e o cantil permaneciam junto ao corpo. Tinha mais medo do desamparo de nada ter que comer, que da escuridão que o cercava, e não gostava de matar para se alimentar, preferindo o que fosse cultivado por ele mesmo, que advindo do reino selvagem.
Ao chegar ao sopé da montanha, amarrou o balsa e a longa vara. E tomou a trilha que já se tornava enevoada e úmida. Apenas com o que podia levar nas mãos.
As árvores, e não o céu, lhe indicavam a direção a seguir, pois o vendo úmido que vinha do leste e do sul, deixava este lado da árvore verde e cheio de insetos úmidos e musgo, enquanto o outro lado guardava a casca mais seca, formigas, casulos de borboletas e mariposas, vespas e abelhas, e os ninhos das aves. Subia se dirigindo para o norte e o oeste, alternadamente, para não dar voltas na montanha sem alcançar o cume oculto.
Quando finalmente a névoa o envolve, sentia o receio de cair de entre as árvores, que procurava tateando para saber a direção a seguir. O abismo que ladeava o monte, já muito percorrido, e por isso em altitude perigosa demais, para isso. Mantinha os ouvidos no rumor da água, usando-o como contra azimute.
 Era um canto que vinha de alguma cachoeira ou margem de rio, que se precipitando ao fundo, fazia um rumor de um murmúrio. Um chamado à se desviar do caminho, e seguir na direção do véu de água, ou se atirar em direção ao lago tranquilo, que por entre a névoa se via ,plácido, sendo alimentado por um dos braços do grande rio escuro.
 Mas o lago era estranhamente azul, diáfano, e uma luza refletida, talvez nos cristais do vale, beijava toda a superfície, revelando o fundo, como uma piscina, mas que de cima, não se podia saber a profundidade, nem se poderia sair dali vivo quem mergulhasse em direção dos seus sons e suas cores. As próprias pedras submersas, que pelo verde limo mostravam que estavam imóveis, e apenas acariciadas pela água quase parada,  pareciam se mover com a leve névoa diáfana e também feminina, e não permitiam o perfeito dimensionamento de suas formas, dado a tantos véus, ou se era seguro se lançar por entre elas, e se vestir com eles.
 Dizem que suas águas desparecem misteriosamente em algum ponto não visível do alto, tornando a verter dos olhos da cacheira no alto, e assim mantendo a névoa no cume ao sopé, produzindo estranhas e hipnóticas nuvens iridescentes e luminosas mesmo à noite , e que os corpos dos que foram enganados por tamanha beleza, são para lá carregados, e por isso não aparecem no fundo do lago. Outros dizem que as próprias pedras os devoram vivos quando caem, sugando até mesmo seu sangue das águas, para que nenhuma mancha vermelha fique sobre elas, e assim alerte os passantes do caminho do alto a não se lançarem. Protegendo assim a armadilha. Mantendo assim o convite.: "Desista". "Venha." "Descanse." "Salve-se do seu cansaço e da subida que resta." "Fique com o que vê." " Você sabe que quer sombra e água frescas , como estas." A lagoa abaixo e a névoa acima, ambas insuperáveis em enganar os sentidos da audição, do olfato, e da imaginação do toque. Ninguém de longe as vê frias e mortais como são aos que se atiram sobre elas.
 Mas o viajante desviava os olhos do caminho perpassado, e olhando de volta ao norte, subia, sem enxergar, lenta e seguramente, e sem vacilar ou tremer. Pé após pé, apoiado em seu bastão, e carregando seu candeeiro aceso, em fogo baixo, para iluminar o chão, pois sabia que a névoa é impenetrável, e expôr a chama apenas a apagaria, deixando-o sem nem chão para saber onde pisar.
  Passou quase tropeçando e caindo, meio acordado meio dormindo, por uma fenda na rocha, do lado esquerdo, e saindo para o outro lado da montanha, nada podia enxergar em absoluto. Estava cansado e já havia pouco pão no alforje, e quase nenhuma água no cantil. O candeeiro já estava quase sem combustível, e quando parecia que não poderia piorar, bateu com o rosto na frieza familiar dos que já caminharam pelas cidades, chegou a uma muralha, que não se via de debaixo da montanha.    Intransponível, feita de tijolos imensos de pedra úmida e escurecida pelo tempo. sua altura projetava uma sombra fria e rude.
  Da névoa, além do frio, vinha agora uma fina chuva. E caminharia agora escondendo o candeeiro para se aquecer sob o manto molhado, e quase de olhos fechados, enxergando o muro com as mãos , e o chão acidentado com os pés, já bastante feridos, nas sandálias humildes e gastas de viageiro. O bastão, por hora sem utilidade, amarrado ás costas, por proteção.
 Então agora ao oeste estava o abismo, e ao norte a muralha que nada deixa sequer enxergar. Restava para ele descer ladeando a muralha para o leste, caminho que não tomara desde o início, pois levava a rodear a montanha sem subir, mas se não podia voar, ou escalar o muro,  caminhar descendo foi à contra-gosto sua opção. Apressou-se, por não ter mais tempo em óleo, e também por agora ser uma leve descida. Sentiu certo conforto nisso, e uma estranha gratidão.
 Foi então que aconteceu algo inusitado. A névoa que cobria a tudo desapareceu. Pensou que havia descido , mas ao olhar para baixo viu que a névoa lá estava. E ao olhar novamente em direção da muralha agora via um enorme portão, e junto a ele, um homem sentado, lendo um livro, tendo sobre sua cabeça um Candeeiro igual ao do viajante, mas que brilhava mais, cheio de óleo, reluzindo, mesmo que ainda estivesse claro, ali onde a névoa não estava.
 Aproximou-se do Porteiro, que era baixo e barbudo, mas com um sorriso que era mair que ele mesmo, ao ouvir o "boa tarde!" do viajante, deu uma grande gargalhada.
 - Ah! você chegou! finalmente! -AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!- Vi sua luz quando começou, mas como havia ido pelo lado fechado, achei que não chegaria, como muitos que subiram por aquele lado e ficaram vencidos pela fome, pela queda, ou nos braços das pedras cantoras do lago azul e da névoa do monte. São difíceis de resistir, e muito más com quem cede ao seu chamado, mas admiram muito quem avança até o fim.  Parabéns por ter chegado até aqui! Mas quem és? Digo. Ah ! Isso não importa! Quem somos nós , não é mesmo? O que o trás aqui? Pode me dar um gole de água do Rio Negro? - Disse o Porteiro, fechando o seu livro, piscando um olho, e espalhando em volta a poeira que recobria as páginas. O que fez o viajante imaginar a quanto tempo ele estava ali, lendo aquele livro, e esquecer de que não havia perguntado seu nome.
 -Gostaria de subir até o alto da montanha, e talvez ver o que fica além dela. Se isso me for permitido, pois não sabia que havia alguém morando no alto dela. Seria possível , por gentileza, sim? - Disse humildemente o viajante , abaixando seu candeeiro, retirando o capuz e fazendo uma educada reverência para aquele porteiro que aparentava ser muito menos nobre que ele mesmo. E lhe estendeu o cantil. Mas fez assim, porque pensava que na verdade nada sabia dos costumes ou da aparência do homem, e assim era prudente tratá-lo com a mesma nobreza que recebia no seu lugar. Ele poderia ser até mesmo o rei...
 -Além do cume que sequer vê... Não conhecia o cume... Não havia então má intenção... Pela atitude, é nobre, e não se presume por sua aparência , nem oculta temerosamente seu valor... Com certeza podia mesmo passar a muralha... AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! Claro que pode passar! Mas porque quer passar de novo? -Perguntou o homem baixo, dando um gole na água , e devolvendo o cantil. Fazendo que eles tirasse os olhos de tudo, ao receber de volta a água, que também bebeu.
 - De novo? - perguntou a si mesmo o viajante abaixando o cantil, e derramando uma gota de água em solo, enquanto se virava de volta ao portão.
 E olhando através, para o outro lado, que deveria ser o de fora, percebeu que estava do lado de dentro. Pois o monte ao invés de subir ante aos seus olhos, na direção oeste e norte, agora descia na mesma direção de que vinha, mas agora como se estivesse para trás, como se a montanha toda tivesse se invertido enquanto ele falava com o Porteiro.
 Podia agora ver fora do portão o monte descendo, escuro, mas além da névoa, e percebeu que estava muito mais alto , mesmo tendo certeza de que estava descendo antes.
 Ao se virar para ver o porteiro, ficou fascinado e estático com o brilho do candeeiro, parecia que a noite havia caído sobre eles, e o dia ficava fora dos portões, e por isso, a luz agora feria seus olhos, e era impossível olhar diretamente para ela.
 Ao abaixar os olhos, viu, iluminado de cima, e agora em pé, o Porteiro sorrindo, mas agora parecia mais alto, e também mais solene, e menos ruidoso. Até sua risada agora era mais branda e profunda.
-Como ?- Exclamou o viajante. - Eu não estava fora? Seu rosto era puro espanto.
-Estava .-  Disse o porteiro, rindo baixo e gravemente, e estendendo o livro que estava em sua mão direita para o viajante.- Mas agora está dentro. A muralha o puxou para dentro como você queria ,e já que nos deu água.  Você não está mais no mesmo lugar. Nada aqui será igual ao que era fora ou antes.
 Esse livro deve ser entregue ao rei do monte quando você o encontrar. Precisará do seu consentimento para ver o que há além da montanha, como quer. Boa sorte e tente não se perder no castelo. Adeus!- E apontou para o sul, que agora era o norte. Lançando um facho de luz da lanterna para onde apontara, como se a luz seguisse sua mão. Para o alto da montanha, que estava onde deveria ser o embaixo, levando o viajante a olhar a direção apontada como uma criança inocente.
 E ficou novamente estupefato, pois ele já esperava a subida no lugar da decida, que agora se tornara em uma subida vertiginosa e angular, e sombras cobriam o cume, e por entre elas, a imagem de um majestoso Castelo Medieval! Feito de blocos magníficos de pedras perfeitas e encaixadas ali antes daquelas eras, tão bem marcadas pelas trepadeiras que subiam por toda lateral impávida do imenso conjunto de edifícios! Uma cidade sobre a montanha! E estivera todo esse tempo oculta pela névoa!
 Ainda sem fôlego , voltou para buscar o Porteiro coma visão, mas ali nada mais havia, senão a lanterna fixada na parede da muralha! Nem mesmo o portão estava mais lá!
 Tentou tirar a lanterna da parede, e puxou com todas as forças o elo que a prendia. Mas nada. Escorregaram os dedos no ferro úmido, e caiu ao chão rolando. Levantou-se e tentou se limpar da lama que se lhe pegava, apenas para reparar que agora nem mesmo a lanterna estava mais lá.
 Agora era ele, a muralha, o breu, e a colina do castelo. Sua vara, e seu Livro nas mãos. Decidiu subir.
  A medida que subia, percebia que seus sentidos se alteravam mais que a paisagem, não sabendo se pela altitude, se pelo cheiro do musgo das paredes que se aproximavam, quando atravessou os portões abertos do castelo escuro, ou se foram as palavras do Porteiro que ainda ecoavam em sua mente. E seus olhos. Como brilhavam os olhos daquele homem pequeno! Jamais se esqueceria daquele olhar, ou daquelas palavras... ..."Além do cume que sequer vê..."Dava impressão de ser uma voz conhecida.
  O castelo estava vazio. Do pátio, via a muralha com ameias  menores ao redor. Separando o castelo da floresta que lhe abraçava, como se não o quisesse jamais deixá-lo partir.
 Algumas árvores eram tão grandes que deveriam ter centenas de anos, talvez milênios, até. Haviam crescido junto aos muros. Derrubando poucas pedras do alto. mais como que para sustentar a construção que para substituí-la. Pensava em como isto estaria deserto e desconhecido durante o crescimento dessas árvores magníficas? Qual seria afinal o poder da névoa que o encobria?
 Ao adentrar pelo salão da nave central, percebeu o trono ao fundo da sala. E nele, sozinho, no escuro, e ao lado de um púlpito vazio.
 Ao se aproximar, ouviu a voz do rei, que reconheceu de imediato! "Auto lá! Auto!!! Quem vem lá? Na entrada do meu salão real, sem ser anunciado ou convidado por mim???"- Era o rei que falava, mas a voz, a forma, o modo de falar grave, apenas ainda mais grave, já havia ouvida aquela voz.
 Uma luz se acendeu atrás e acima do trono, e o viajante pode então ver uma cruz quebrada ao fundo, e sobre a cabeça do rei, uma espada gigantesca, pendurada em um fio tão fino que mal se via. Diria o viajante que era como o marfim do maior elefante, pendurado em um mero fio de teia de aranha. Imóvel, mas assustador. Mas o rei não olhava para cima. Aquela lâmina era para ele tão natural quanto a corôa que trazia sobre a cabeça.
 A luz , inconfundível, era certamente a lanterna, o Candeeiro da entrada que o jogara no chão e desaparecera, agora se mostrava, quase como rindo do viajante, por trás do ombro do grande rei. Antes que ele respondesse , ouviu outra pergunta:
-Quem te deu meu Livro? Como você o pegou? - gritou o rei se levantando, e não deixando mais dúvidas. Adiantou-se , oportunamente e estendeu o livro, decidido a participar da brincadeira que o destino lhe aprontava, sem saber o que lhe esperava ao fim, mas recordando-se do que lhe dissera, aquele que vira primeiro naquele castelo mágico.
 -Tu que mo deste, ó rei!- disse o viajante- Quando adentrei o teu reino, e ante a essa luz que ilumina a nós ambos, abaixei eu meu candeeiro ao solo e lhe dei água para beber!
 O rei não reagiu de maneira clara. deu um passo para trás e sentou no seu trono, novamente.
 -EU NÃO ME LEMBRO! - Disse levando a mão a cabeça, e por um segundo olhando pelo ombro, para a espada sobre a sua cabeça. E então se endireitou.- Não importa! Me lembro do que interessa! Sou o rei do Monte Nebuloso! Se te deixei passar é porque mereceste, com certeza! E não querias meu reino! Eu nunca erro! E ninguém no meu reino tem o direito de errar! Minha espada sobre a cabeça de quem errar pelo meu reino!!! Matei a todos!!! AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! - Gritava , revirando os olhos e levantando os braços! Brandindo seu cetro no ar, e espalhando a névoa azul-esverdeada que irradiava ao redor.
 Só então percebeu que pelo lado direito do castelo o teto havia desabado, e o luar entrava pelo salão, desenhando nuvens o chão, enquanto testemunhava o terror contido do viajante, ante o furor de um rei louco e esquecido pelo tempo!
 Ao lado da parede e da porta que leva a torre última, que se via pelo buraco do teto, ao lado direito do olho lunar atento, o som do vento com um uivo. Silenciando o que ele tivesse pensado em responder ao rei. Era o mesmo, apenas maior, mais velho, sem memória completa, Mas o mesmo brilho no olhar!
-Dê-me o livro!- Disse levantando-se. E nesse momento o púlpito vazio se dirigiu para ele, fazendo que o viajante percebesse que o rei jamais deixaria o trono. Levantaria ou se sentaria, e  quando quisesse algo, tal coisa se lhe seria trazida por sua vontade, como o próprio livro que sem pensar estendia-lhe, sendo tudo que possuía nas mãos. Entregaria a vida àquele rei, se assim ele pedisse. -Dê-me!- disse já tomando-o e abrindo-o, com a desenvoltura de quem folheia seu diário. E do canto do livro puxando uma pena branca, com a qual fazia menção de escrever.- Quero escrever seu nome aqui para que seja registrado que por aqui passo tal nobre!!! Diga-me seu nome.
 -Sou uma Memória Viajante, ó meu rei. Don Bac, é meu nome, pode escrevê-lo em seu livro!
 E aproximando-se do púlpito, viu a bela caligrafia do rei. que nobreza de detalhes!!! Quando viu o rei terminar de escrever seu nome no livro, e assinou em seguida, caprichando também na assinatura imitando para ficar parecido.
-Pronto! -disse o rei.- Já pode subir! Cuidado com os degraus do meio, são soltos e podem te derrubar com tudo!  Nunca olhe para a parede oposta, pois se olhar para o abismo , que se vê por entre ela, ele te puxará para sempre! A porta é aquela mesmo , à sua direita! Espero que que você goste de ver o que há "Além do cume que sequer enxerga..." Boa viagem! leve consigo essa jóia de ouro, em forma de meia máscara dourada com uma mão ao lado, reconhecerão-no além por este sinal.
 Atônito e trêmulo, pela ansiedade, mas resoluto, apesar de confuso. Pois neste momento já não sabia se o rei se lembrara de que era o Porteiro, ou se ele se lembrara do viajante ao repetir as palavras de antes.
 Com sua vara nas mãos, o cantil e a joia no alforje, começou a subir os degraus, afastando-se da luz do candeeiro e até mesmo da lua. Apenas a névoa azul -esverdeada, como um vapor de jade, água marinha e dourado o envolviam. Estranhamente , quando se esforçou para não olhar para a parede oposta , que estava rachada, e deixava ver o abismo, notou que podia ver luz no limo que cobria a as pedras do corredor espiral da escada, em meio a escuridão que a tudo cercava e que poderia ver o lado de fora da torre se forçasse a vista, mas resistiu fazê-lo, leal ao conselho do rei.
 Não mais enxergava a entrada ou o alto da escada. Estava só, mas sentia o olhar do rei, do porteiro, do candeeiro e até mesmo da espada pendurada no fio de teia de aranha, apontavam para seu coração. Sentia seu próprio pulso em seu peito, em sues tímpanos, em suas mãos pegadas tão firmemente em sua vara.
 Sentiu um vento forte descendo pelas escadas, viu o clarão de um raio e ouviu o som de um trovão, que atingiu a parede contrária, que  ruiu nesse momento, revelando uma tempestade rodopiante. Um tufão de raios multicores cortando o céu e a torre! Um grito partiu o peito do viajante Don Bac! Que agora subia com as mãos soltas e os pés balançando, se despencava da muralha além, sobre o abismo e o despenhadeiro! Rodopiando e gritando, os olhos antes fechados , agora esbugalhados e abertos, tentando em vão sugar o mundo insano que se descortinava, como se fosse seu fim:
-O QUE HÁ ALÉM DO CUME DO MONTE NEBULOSO, QUE EU DEVERIA VER???!!! Onde diabos está minha vara e o meu candeeiro???!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
(mas seu alforje e seu cantil permaneciam junto a si...)
O vento chegou até o salão do rei, que virou o rosto da direção do livro, que se fechava e se afastava lentamente , ocultando das eras o nome de Don Bac, o Viajante, no livro real.
 O vento tinha o som de um trovão, de um tufão, de um grito, de uma gargalhada, um gemido e um sussurro, um suspiro final, ao entrar pela porta da torre. O rei achava sua voz sempre igual. Sempre familiar. Sempre como a sua mesmo, da primeira vez que chegando ao cume do Monte Nebuloso e encontrara o Porteiro, e encontrara o Livro e o Candeeiro, e suportando a encarada da Lâmina Suspensa, e se coroara rei. E como a si mesmo vira chegar , e se apresentar como viajante, olhando-se como a quem reconhece um Porteiro, e não percebendo o quanto era agora parecido consigo, e que ele deveria estar igual ao Porteiro, e de que todos que chegavam ali se tornavam iguais, mas nunca se reconheciam, ou a ele. Facilmente eram convencidos de que ele é que se esquecera. Quando o tratavam como fosse o Porteiro, já estavam pegos, nem sabiam mais quem eram ou onde estavam.
 E de como enviava sempre o seu novo eu às escadas, à torre, e ao que há além do cume do Monte Nebuloso , que é o que queriam, e o que ele mesmo queria, antes de se sentar naquele trono, teria lhes dado o trono e seguido em seu lugar se assim o tivessem desejado, mas querem sempre ir além. Como ele mesmo deveria ter querido em seu tempo, se não tivesse sido imobilizado pelo olhar da Lâmina Suspensa no Fio de Teia de Aranha.
 Se o viajante tivesse perguntado o que havia lá, não saberia dizer. O rei nunca subiu até lá, apesar de sempre se ver a si mesmo pelas costas, a subir os degraus.
 Se tivesse perguntado o nome do rei teria ouvido;
 -Don Bac, Rei Viajante do Reino do Monte Nebuloso e do Reino de Além Ali e Lá. Por gentileza, sim? - que era como se apresentava.
 Mas nenhum dos viajantes jamais perguntou seu nome, ou percebeu que todos os nomes assinados eram iguais. Todos olhavam apenas as letras do seu nome, e a beleza da caligrafia, e assinavam igualmente sem perceber que escreviam da mesma forma que o rei. Será que aquele era mesmo o nome deles, ou o seu?
 Nós, se não somos, nunca saberemos.
O rei recostou, curvou sua cabeça para si mesmo, sentado em seu trono, adormecendo novamente. A luz do candeeiro se apagou do salão e se acendeu na muralha. Depois se apagou da muralha e se acendeu no candeeiro do viajante , e por fim se apagou no candeeiro e se acendeu no olho do Porteiro. Que fechou o olho, e então tudo se apagou.
Sem luz , a névoa cobriu tudo, e assim desapareceu com o a Muralha, o Castelo e mesmo o cume.
Na floreta escura do Vale das Sereias e das Fadas, se ouvia de longe novamente somente o som confuso do vento e o canto de suas companheiras belas e mortais.
 E  nesse momento, uma mulher viajante, ao longe olhou para o cume oculto e viu sua pequena luz, e acendeu um candeeiro com uma idéia impossível.
 O que passara antes, nunca mais foi visto. Pois ninguém o conhecia antes, e nada se ouvirá dele depois.  Ninguém saberá seu nome , até que se torne também nele mesmo.
Enquanto em algum lugar, além do cume do Reino do Monte Nebuloso, no ainda mais desconhecido e longínquo e duplamente impossível, Reino de Além Ali e Lá, uma multidão de viajantes idênticos e gratos, levantava seus copos cheios de vinho, com suas joias no peito, diante de uma mesa farta de pão. Sorridentes, e em um brado unânime ecoam;
 -Vida Longa!!! Três urras para o Rei Viajante Don Bac!!! O Sempre Bem Vindo!!!  Ip Ip ! Urrá! Ip Ip! Urrá! Ip Ip! URRÁÁÁÁÁ!!!
 AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
   (BOA VIAGEM, FIM, BEM VINDO, MUITO GRATO)

SÓ NÃO BRILHA. (OU MUNDOFUDOCO NÃO BRILHA)

uMA MICRO ESTRELA-IMÃ SÓLIDA E GIGANTESCA CERCADA DE UM OCEANO DE METAL LIQUEFEITO INCANDESCENTE, UM MANTO E UMA CROSTA COM VIDA VEGETAL, BACTERIAL, VIRAL E FÚNGICA, COM ANIMAIS E SUAS SOCIEDADES, SUOR DE H2O LÍQUIDO COM VIDA VEGETAL, BACTERIAL, VIRAL E FÚNGICA COM ANIMAIS E SUAS SOCIEDADES, GASOSO, OUTROS GASES, E LINHAS ELETROMAGNÉTICAS, E OUTRAS ONDAS CONTENEDORAS DE REALIDADE VIRTUAL, PRENDENDO UMA GRANDE ROCHA SATÉLITE E MUITO LIXO. 1 ESTAÇÃO ESPACIAL, SATÉLITES ALÉM DA FRONTEIRA DE SEUS SISTEMA ESTELAR. ESSA É A TERRA. NELA SÓ NÃO BRILHA A CASQUINHA. E VC QUE É INVEJOSO E MUNDOFUDOCO. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Surreal

Para ser surreal, é necessário ser sobrevivente:
 de um desastre,
 uma catástrofe,
 um perigo de morte iminente , ou brevemente consumada e revertida,
uma violência inaceitável,
 um orgasmo vergonhoso,
  um estupro,
 tortura,
 uma queda vertiginosa,
 uma explosão,
 um incêndio,
 uma turba enfurecida,
 uma traição de irmão amado,
 terremoto,
 maremoto,
furação,
 deserto,
 breu,
 tsunami,
 vulcão,
 abismo ,
 ódio de mãe e pai,
 zona  oceânica abissal,
 vácuo,
 buraco negro,
 abuso de avós ou tios,
 ou mesmo aquela babá má,
 big rip,
 big crunch,
 big bang,
 big ben,
 bad trip,
 tudo ,
 nada.
 E ou, sonhar com isso.
 e reproduzir as idéias , imagens , e o "onírico da coisa."
 E nascer, conta.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

e eu grato.

A vida me tirou o amendoim, o "açúcar à gosto", o bolinho de chuva engordurado, a sexta-cheira, a risada de madrugada, a caminhada longa de mochila, o cair de mocó, o vomitar bebão, o achar o dia hediondo, o "chorar é bom"... e vai continuar tirando... e eu grato.

o riso da madrugada

quando eu acordo de madrugada e vejo um vídeo desses de idosos dançando acrobaticamente,  imagino que enquanto algum adolescente bêbado vomita o tênis de goró trevoso, vendo a mina ir embora com o amigo felizão, enquanto ele vai pra casa se preparar pra ressaca felizão, ao mesmo tempo, em algum lugar do Tibet, tem um casal de velhinhos, pelados , é lógico, fazendo altos tantras, felizão também... AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
E OS ESTÚPIDOS? SOMOS NÓS QUE COMPARAMOS FELICIDADES!!!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Pica (ou 'Da Pica à Buceta , Passando Pelos Cus, e de Volta a Pica' , ou ainda, 'Ode à Foda Peidada e Brochada') [APLAUSO INICIAL]

[APLAUSO]
Pica.
Não peida, não.
Seja pica de mulher ou de homem.
Pica não peida.
Entendo perfeitamente quem gosta de pica.
Pica não peida.
Prefiro a buceta, ou o cu alheio,
E a pica própria.
E mesmo que tivesse buceta,
Acho que iria preferir buceta.
Porque buceta acolhe, aceita, e aquece.
Nem que seja um dedinho.
Quando quer.
Mas buceta peida, igual a cu.
É natural peidar,
Quando se usa a buceta ou o cu.
Então homem é igual a mulher.
Pois homem peida também.
Eu também peido,
Alto, de propósito,
Sozinho e escondido.
Ou baixinho, sem querer
E colocando a culpa nos outros, quando fede,
Mas rindo pra dar a pista.
Se peidei, não vou deixar outro levar a culpa,
Não sem chance de defesa.
Também sou igual a todo mundo.
Quando uso o cu.
Mas a pica, não.
Brocha, mas não peida.
Esteja na mulher ou no homem.
Pica de mulher também brocha.
É psicológico, mas brocha.
Só não peida.
Pica não peida.
Seja pica de mulher ou de homem.
Não peida, não.
Pica.
 [APLAUSO FINAL]

domingo, 1 de maio de 2016

NA HORA EXATA DO ÊXTASE.

FOI A TARDE, QUE COMEÇOU PELO MEIO , O INÍCIO DO REVOLTEIO, QUE CULMINOU NO REICOMEIÇO. SÓ DE LEMBRAR COM O PEITO DAQUELE AMÁVEL DIA, ME DESCE UMA LÁGRIMA NO BEIÇO.

SEDE

PRA QUEM TEM SEDE,
RASO É MELHOR QUE SECO,
AINDA QUE NÃO MELHOR QUE PROFUNDO.

ME VENDO

EU CUBRO MEUS OLHOS PARA QUEM CONFIO,
E ASSIM,
 ME VENDO.
 COM A VENDA SOBRE OS OLHOS,
 NÃO HÁ VENDA SOB OS OLHOS,
 POIS TENHO INFINITO VALOR,
 COMO PODERIA ALGUÉM PÔR PREÇO?
 CONFIO A VENDA A QUEM MERECE,
 E ASSIM, PARA TAL PESSOA E NÃO POR TAL PREÇO,
 ME VENDO.
 POSSO ME VENDAR.
 ME VENDO.
 ME VENDO QUANDO QUISER.
 QUANDO DISSE "EU ME VENDO",
 NÃO MENTI.
 E QUEM ME CONHECE,
 E TEM MINHA CONFIANÇA,
 NADA FEZ, MAS ESPEROU.
NA MAIOR CALMA


 QUEM NÃO ME CONHECE,
 POIS NÃO PAGOU O PREÇO DE FICAR PERTO ANTES,
  QUANDO OUVIU QUE ME VENDO,
 NEM COÇOU A CABEÇA,
 E COMEÇOU A COÇAR OS BOLSOS,
 PRA VER QUANTO VALOR POSSUÍA,
PRA VER SE BASTAVA PRA ME POSSUIR.

 AH TÁ, ME POSSUIR... OK.
VAI, MOSTRA AÍ, SEU VALOR.
SEU VALOR CABE NO BOLSO É?
 NA BOLSA?
 VC ACHA GRANDE, ISSO AÍ?
 BORA VER, QUANTO ELE VALE?
 UÉ? JÁ ACABOU?
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
 ISSO AÍ?
ISSO VALE NADA , NÃO.
EU VALHO MUITO MAIS. POIS NÃO ME VENDO COM ISSO AÍ, NÃO.
MEU VALOR ESTÁ NO PASSADO.
NO BRILHO DO MEU SORRISO,
 NA PONTA DOS MEUS DEDOS E NA RAIZ DO MEU CABELO,
 E NAQUILO QUE JÁ SE FOI.
 VOCÊ NÃO PODE JAMAIS ALCANÇÁ-LO.
 NEM VÊ-LO, NEM TOCÁ-LO.
 PERDERIA SEU VALOR.
 MEU VALOR SOU EU.
 ME TOCA QUEM MERECE.
 PARA TAL ME VENDO.
A QUEM ME TOCA NO PASSADO,
E NÃO ME INCOMODA, OU SE INCOMODA,
QUANDO EU ME VENDO.
NÃO MUDA.
 PARA TAL ME VENDO.
 POR ISSO. .



 E VOCÊ?
 CONFUNDIU VENDAR COM VENDER?
 NEM SABE MAIS SE É VENDIDO OU VENDADO?
 NÃO LEMBRA DE TER SIDO NENHUM DOS DOIS?
 CONFUNDE E JULGA QUE JÁ FOI OS DOIS,
 MAS NÃO SABE DE NADA?
 ÉS INOCENTE?
  CONFUNDIU, SABE PORQUE?
 PORQUE NÃO ME CONHECE E NEM A SI MESMO.
  VOCÊ NÃO MERECE.
 PODE SE GUARDAR
NO SEU BOLSO E NAS SUAS BOLSAS.
 PRA VOCÊ NÃO ME VENDO.



 SÓ ME VENDO PARA A PESSOA EM QUEM CONFIO.
  PARA UMA SÓ PESSOA ME VENDO.
 COM QUANTAS FACES VIER, PARA ESTA ME VENDO.
 DESDE QUE PARA ELA ME VENDEI.
 E SE ANTES DISSO, HAVIA JÁ ME VENDIDO,
 UMA VEZ E ATÉ MAIS, TALVEZ...
 ESSA PESSOA SABE,
 MESMO ASSIM ME AMOU.
 E FICOU COMIGO TANTO TEMPO,
 SEM PEDIR OU OFERECER NADA.
 MAS FAZENDO E DESFAZENDO TUDO.
 E ME TRATOU TÃO BEM,
 QUE AGORA POSSO ESTAR COM ELA
 DE OLHOS VENDADOS.
  E PRA NINGUÉM MAIS E NEM POR NADA, ME VENDO.
 ACEITE.
 NINGUÉM MERECE.
 NEM MUITO MENOS VOCÊ QUE NÃO TEM PALAVRA.
 ENCONTRE ALGUÉM COM QUEM POSSA SE VENDAR ,
 E NÃO PRA QUEM PRECISE SE VENDER.
  E ASSIM VOCÊ PODE DIZER , EU ME VENDO TAMBÉM.
 MAS NÃO SE TORNAR UM OBJETO, POR ISSO.
 QUE NINGUÉM ME VENDA, POIS EU MESMO ME VENDO.
 E DO JEITO QUE EU ACHO DIGNO.
 PERMANEÇO.
 VENDADO.
 VENDIDO,
 NÃO.