Loading...

sábado, 4 de novembro de 2017

Devia

Devo ,
 não nego.
 Pago,
 enquanto puder.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Agora

Lá fora ,
não há "lá fora"
E aqui,
Também não.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O amigo enganador

Eu te engano, ás vezes.
Mas, não como os que se enganam.
Que pensam que, de todo, te podem enganar.
Sei que um dia não mais se enganarás.
E já conheço essa parte tua.
Não és todo enganável
E então para mim olharás e verás que
                                               não me enganei.
Nesse dia verás que és igual a mim.
E não mais poderás ser assim
Enganado por ninguém.
Nem por mim, nem por você.
 E se você for tão bom quanto eu.
Nunca mais se crerá enganador de todo.
Mas saberá:
-Na verdade, eu nunca enganei ninguém,
 Nem, de todo, a ninguém enganarei ,
Mas só um pouco,
Como meu amigo fez comigo.

 Para que por um tempo
 Pare de se enganar.
 Para que descubra o seu e o meu engano.
Não digo
Que não mais me enganarei,
Ou a você.
Ou, da mesma forma,
 Que você não mais se engará.
Mas que, dessa forma
Quando nos enganarmos,
Nos enganaremos juntos.
E saberemos quando.
Diminuindo a extensão
 E o limite de ação do engano
A nós mesmos.
Enquanto devagar
Aumentamos seu alcance
Pelo seu conhecimento
De nós mesmos
Através de nosso maior engano
O de chamarmos ao enganador
Amigo.

Para você, que é meu melhor amigo
                       e meu maior  enganador:
                           Eu.

sábado, 21 de outubro de 2017

Inverno musical dos harmônicos

As pessoas entristecem no frio.
 As cigarras dormem,
E, enquanto isso, ressonam
 Músicas inaudíveis .
Senão, àquilo que nos adoece
                                         a todos.

Logo ali.

-Vem  vamos passear por  aqueles prédios velhos.
-Ainda estão abertos?Parece tudo tão quieto.
-É feriado, ninguém está entrando ou saindo. Acho que podemos passear por lá. A maioria dos prédios fica vazia a maior parte do tempo.
Caminhamos de mãos dadas, algo me pesa nas mãos, como que aumentando o silêncio quando passamos pelas esquinas. As quadras são enormes, e penso em quantas pessoas poderiam estar morando ali ao mesmo tempo. No porquê de tantos prédios vazios.
Alguém passa gritando por nós, mas para ela é como se não fosse ninguém. Ele lê meus pensamentos, meus desejos secretos e vontades satisfeitas. Grita qualquer coisa em uma língua totalmente fundida com o ambiente e meu próprio idioma:
-A festa é mais tarde.  Não temos sequer haxixe. Vá fumar isso mais pra lá...
Paramos em frente a um monumento , é sobre um acontecimento importante. Pessoas que falavam a verdade, aumentavam o orgulho dos nativos contra os exploradores. Mas está no tempo errado, então não vemos sua glória, nem mesmo sua mensagem mais forte. Nos vamos.
A reunião da noite ficou perdida no tempo. O porque estávamos tão bem vestidos. Que energia nos havia levado de volta a frente daqueles prédios, agora fechados e com menos luz pelo lado de fora dos seus muros. Caminhamos por onde havia o vazio, e suas fundações estão agora expostas, os portais formados pelos caminhos do futuro, ainda não encobertos pela tecnologia e a força bruta, nos servem como caminho improvável ao desconhecido. Nos encostamos numa parede, tudo parece como uma teia de renda negra e cortinas de veludo cor de vinho que exalam o perfume das noites primaveris. O peso que eu tinha nas mãos está agora em qualquer lugar no solo. E nós estamos bebendo. Passamos o cálice. Da minhas mãos para as dela, das suas para as minhas.
Seus cabelos com o vento vem até minha boca. Puxo um deles com os dentes. São tão grossos, tão naturais. Seu sorriso invade meu olhar e minha mente. Nada mais importa naquele momento, mas fazê-la continuar sorrindo. Fico olhando para seus cabelos como um idiota, enquanto ela se levanta de onde estávamos recostados, e meio assentada arruma suas roupas e rendas. Queremos permanecer ali para sempre. Mas estamos do lado de fora. E está tudo fechado. Por causa da hora , sentimos aquele medo tão comum. O medo de não poder entrar. O medo que que alguém saia gritando e não tenhamos como compreender sua jornada. Será que correríamos em sua direção, para ajudar ? Ou na direção contrária , para nos salvar da sua visão, meramente? A escuridão finalmente nos toma e ouvimos o assovio, o grito, o silêncio, ouvimos os passos  e alguém que grita com autoridade. Tememos, mas enfrentando o perigo, pego o peso que estava no chão, e corremos rindo e gritando vivas e maldições, agora sobre nossos fortes e jovens pés descalços, ou calçados. Rimos do perigo e da morte. Da política e da fé. Rimos.
AHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHahAHaha! -Rimos em dueto.
Nos abraçamos e continuamos nossa própria jornada rumo ao amanhecer solitário. Sabemos que o tempo nos separará, mas não sabemos quando ou quanto. Apenas damos as mão e continuamos sorrindo. Sorrindo e chorando, pela cidade ao redor.
Fim.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Doutos e fossos

Querem os doutos da história,
Desconhecendo os fossos dos edifícios...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Quando atrasa.

Quando o tempo se atrasa,
                para que não o veja,
Eu sempre vou até aquele pé de cereja.
Longe na minha cabeça
Único lugar onde cabe todo mundo.
Meu coração tão cheio de amor a tudo.
Que eu fiquei de fora e caí no meu próprio fígado e baço.
Os pés que para lugar nenhum caminham.
Sim, eu sei que já me confessei sobre isso.
Reclamando do brilho dourado da minha pele.
E do azul precoce dos meus olhos.
(É para esconder o ouro banhado a prata.
(E sim eu sei que isso já veio ao contrário)
Colher de prata não adianta ser banho.
Mas surpreende quando é de alumínio e platina.
Viu? Passou de novo.
Onde terá ido parar aquele socador do pilão de bronze?
E meu anel? Onde coloquei meu anel?
O relógio? A caneta tinteiro?
Isso! Tudo está perdendo a utilidade.
Há melhores escultores, agora.
Imprimem, em três dimensões, perfeiçoes horríveis.
Terríveis verdades para todos.
A obsolescência da pena.
O descaber da palavra.
A falência do segredo, escondido na música que se repete.
Nada mais é senão jabá.
A carne de cavalo seca e salgada,
 Para prevenir a fome dos sem coração.
Você vai comer isso?
Você não era vegano sexual?
Minhas unhas.
Minhas unhas nunca estariam tão feias, listradas...
Meus dedos nunca estariam assim,
Tão magros, e com calos sobre os calos.
E o tempo, que não passa.
Ainda por cima, aumentado de uma hora.
E essa hora?
5:11 horas de dez , de dezoito.
 (Mês invertido. E o ano não digo agora, por convenção anti-convenção. Nasci ás 18:30, foi o que disseram.)
Se o tempo do mundo dos sonhos é inicialmente metade do tempo acordado, e progressivamente se desacelera enquanto nos encaminhamos para camadas internas do mesmo.
 Estarei eu flutuando, sem me mover, em um lugar onde tudo parou?
Como será que está o tempo lá fora?
 Não , vocês não querem saber como está o tempo aqui dentro.
 Como é longa e inútil, a espera.
 Como é quente, neste frio sem sentido.
Nessa estrela morta para ser mais que duas.
 Esse gelo mármore, liso de se patinar
                             e onde nada se move , muito, mais lentamente, que tudo que você possa imaginar.
 E passa aquele rapaz gargalhando tão alto, com todos o levando sobre os ombros.
 Ele acha que está voando sobre eles, ou que está voando sozinho,
 Mas, ele olha para o alto e se vê entrar na janela do prédio vizinho, puxado por um fio de cabelo dourado.
 Como é possível? Ele errou de prédio? De entrada?
 Será que fui eu quem errei, e também todos estes que gritam meu júbilo?
 Não. Tudo está no seu lugar.
 Os dois castelos são meus.
 Apenas, que estou em dois lugares,
 E vejo que em um dos lados as sombras são mais escuras.
 As janelas continuam sendo de onde vem a luz mais forte.
 E tem a mesma cor dos dois lados.
 Transparente, como a verdade.
 Foi tudo consumado num tempo sem tempo.
Por isso, tudo tão lento.
Parado.
Engarrafado.
Devagar demais.
Aí.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Porque não.

Acordou de um sonho estranho em que voava pelas montanhas de um país onde nunca estivera.
A velocidade do vôo era incomum , mesmo para os veículos mais avançados da época. Estava subindo e via um caminho de neve que se formara em um fenda da rocha. Podia sentir o ar frio, do fim de tarde, e ver ao longe, além da próxima crista topográfica, o sol poente na direção sudeste.
 Em um lance de segundos sentiu que veria uma imagem familiar, que não vira até então no voo, talvez por ainda tentar controlar as sensações daquilo, ao invés de simplesmente sentir. Mas naquele átimo de segundo, sentiu o cheiro do amor. O cheiro de água pura, talvez nunca provada por nenhum caminhante, dado o relevo.
 Era uma imagem apenas para eles, as aves, as nuvens e as estrelas do dia e da noite.  Em um instante a neve desapareceu da superfície, e seus olhos puderam contemplar a espuma que se formava entre as rochas escuras e pontiagudas. Era mesmo a água mais pura que já havia visto, e sentiu um certo pesar de não poder parar para bebê-la.
Foi neste momento que percebeu que se afastara da água, não contrariado e arrastado, mas apenas feliz com a nova direção e imagem que se descortinavam ante seus olhos. O abismo na direção oposta daquele estreito, que ficara para trás á esquerda, era um vale verde, branco e dourado, misturado com todos os lilases e violáceos alaranjados, que o magnífico ocaso lhe oferecia. Viu que não controlar o voo não era ruim, e que de alguma forma ele colaborara para tudo aquilo.
Ao se aproximar do ponto de retorno, viu o automóvel de alguém com sua companheira.
Pousou longe das vistas, mas perto, entre a vegetação.
Enquanto seus olhos fechados o traziam de volta a sua vida normal, ouvia uma voz que dizia:
-Ele olhou para a mulher?
-Não.
-Tentou saber a marca do carro ou algo que identificasse o casal?
-Também não.
-Droga... O que ele queria?
-Apenas voar.
-???
-Deixou claro que era grato, antes de se retirar, mesmo sem se identificar. Aparentemente, para deixar o casal tranquilo, com sensações anômalas que pudessem ter sido sentidas com sua aproximação, pois precisara pousar para não ter problemas no fim do sonho.
-Como eles se sentiram?
-Um pouco estranhos, mas gratos também. Como se tivessem participado de uma leve experiência para-psicológica. Sequer comentaram um com outro sobre o assunto no caminho de volta.
-Gratidão...
Abriu os olhos e continuou seu dia.
Pensava que poderia ser deus um ser que ficou escravo de um gênio, uma de suas criações enviadas ao mundo.
 Que aceitara ter muitas almas sonhadoras, para ver o que todos os seus filhos faziam na terra.
 O gênio, que lhe dera isto, era o mesmo que realizava os desejos de cada um deles, em vigília.
 A cada desejo realizado, de seus filhos acordados, ficava deus mais aprisionado.
 E a cada sonho de um de seus filhos, em que entrava, se convidado, realizava seus desejos mais felizes, e tentava conduzir os desejos deles a felicidade. Não como quem os obriga, mas como que os guia. Sim, aos que querem.
 Para que realizando sonhos gratos, sejam livres.
 E assim , quem sabe um dia, também tal deus e ele mesmo, um de seus filhos, ficaria livre.
 Tentava não abusar nem mesmo dos sonhos. E acordava sempre grato.
-Enquanto for grato e modesto, deixe-o continuar voando.
-Como se pudéssemos impedi-lo... (risos)
Fim.

















Confiança

Você pode confiar em uma pessoa ou em todas as pessoas.
Pois nunca , seja lá o que uma pessoa diga ou pense de si mesmo
Terá todo a mesma opinião .
E se todos pensarem de alguém o mesmo.
A mesma pessoa, de fato, nunca concordará.

Desastre

Desmatamento.
Exploração.
Gado.
Morte.
Chuva.
Erosão.
Assoreamento lento do leito.
Estagnação.
Ganância.
Engarrafamento.
Poluição.
Sorte?
Deserto.
Tempo sem tempo.
E tudo finalmente se torna como são os seus.

Tempo , espaço e daí.

Se você me pedir do jeito certo.
Te ouvirei,
Mesmo que não diga.
Te sentirei a verdade,
Mesmo que não a saiba antes.
Te atenderei à porta,
Mesmo sem mesmo estar perto.
E, pelo tempo que precisar,
Serei teu oásis.
Na montanha ou no deserto.
Quando tudo e todos ao redor estiverem distantes.
Quando nada lhe disser que fique, ou siga.
Ou até quando quiser fugir de toda essa liberdade
                                                       que desde sempre,
Lhe aprisiona o peito.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Astronauta do Bem

 Ele vem de Vênus
 Vem, de sua caverna
Dentro de si
 Um si, dissonante
 Que permeia o instante
 Acende a luz da galáxia
 Sua casa, seu mirante.
 No pequeno monte de Vênus
 Morena e calma
Mora sua alma amável
 É ela que inventa sua musica inefável
 Oração, louvação
 Feita de poesia e beleza
 É dela que nasce seu mundofeliz!*
 (isso é o que ele diz!)
Sonya Prazeres. 

Nosso amigo Astronauta.

Sem que se espere, eis que sonora risada se espalha e à noite adentra, como um canto de paz e fervilhante alegria.
 Transcendente, ela encobre os cochichos e as declarações de amor no sussurro doce dos amantes.
 Todos aderem a esses episódios repetidos de descontração e harmônicos momentos.
 É a alegria incontida do astronauta descendo do céu da sua própria boca, que aberta para o ritual do riso, somente se fecha ao soprar o seu pequeno e dourado saxofone, que é um OVNI escravo e obediente ao comando genial do seu talento.
 Não sei seu nome.
 Sei que é um astronauta de cabelos longos e desajeitados, meio esgaldripados.
 Figura espanéfica e até inoxidável no contexto metálico das suas espaçonaves interiores. Sinto sua falta quando não desce no Espaço Convés da nossa cultura.
 Muito bom!
 FERNANDO MENDES BOREL. (Crônica da coluna do Borel na página do Arte Jovem Brasileira). 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A grama mais verde

A grama é mais verde.
 A grama seca também pode ser
Se você molhar a raízes.
 Se você tiver a companhia e a ocasião.
Não precisa nem olhar pro quintal do vizinho.
 Só precisa ver e rir.

Gratidão ao meu Finado tio Rui Caetano que me ensinou essa grande verdade.

domingo, 27 de agosto de 2017

Mundofeliz

Se não cabem todos os paraísos no mesmo céu.
Criam, os homens, novos e estranhos, e ainda mais belos céus...

Negue

A vida segue, segue , segue,
Até que chegue alguém, e a negue.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"Não existem exceções, apenas novas regras temporariamente exclusivas."

domingo, 6 de agosto de 2017

O socialite e a moradora de rua.

Descia corrigindo um pelo da sobrancelha , no espelho da porta, sob a luz muitas vezes refletida da luminária do elevador social panorâmico. Mesmo tendo as vista do mar, às suas costas, Carlos Alberto ignorava estar sendo visto, como uma divindade descendo de costas aos humanos, enquanto passava o mindinho repetidas vezes sobre o olho direito.
 Desapareceu ao se virar de frente, enquanto o aparelho locomotor vertical mergulhava no saguão do aparte hotel. O valet já esta a postos quando chega a porta, mas num gesto diferente do usual, ele olha para a esquerda antes de andar até o meio fio, e tendo boa visão, alcança o fim do quarteirão, e sentada na esquina, uma pessoa, meio indefinida, com um cachorro ao lado, pedindo dinheiro e tentando esconder a pequena garrafa de quinhentos mililitros de aguardente sob uma pequena manta.
Faz então um sinal para que o valet aguarde um pouco, e caminha até o sem teto, aparentemente na intenção de lhe fazer um dos costumeiros disparates em forma de caridade, em um misto de superstição, ritual social, ou atenção a um apelo involuntário há muito abandonado pela maioria e ignorado propositalmente pelos que ainda o percebem, mas julgam tê-lo superado. A compaixão pelos "vencidos". Já ia procurando trocados nos bolsos menores do paletó, quando ao chegar perto sofreu um golpe inesperado.
A moradora de rua era jovem. A maioria nem sequer percebia isso, pois ela andava muito suja e seus cabelos estavam tão maltratados, que parecia envelhecida a primeira vista. E como as pessoas lhe negavam até mesmo uma primeira vista completa, não era vista, aquela juventude tão bem camuflada de ruínas. Mas era jovem, pois quando o rapaz rico e bem vestido, em sapatos italianos e perfume francês, se aproximou, um reflexo da luz do pôr do sol iluminou o suor de sua pele escura, por entre uma camada de grossa poeira grudada, limpa por uma lágrima , ou gota de suor , por estar ali a tarde inteira, revelando aquela curva que a bochecha da gente faz quando a gente tem menos de vinte tantos anos. Era jovem. Carlito, como chamavam o socialite, viu aquela curva de sorriso no rosto, e sem querer parou por um segundo, admirando o brilho daquela pele molhada sob o sol.
 Lentamente, comparado ao ritmo da cidade, ele abriu o foco da visão e se deparou com o olhar vívido de Eliane. Que sorria, pela novidade. Aquele olhão caramelo , por trás dos óculos de aro fino, olhando pro rosto dela, tampando o sol e dando um certo conforto pra ver as cores do céu por trás do homão que tinha uma das mãos no bolso, e outra por fora do paletó segurando. Ficou calma, pois viu que os olhos do doador do momento estavam surpreendentemente desarmados. Não era como os outros, que pareciam ter nojo, medo de pegar má sorte, ou ódio mesmo. Este estava desarmado, de uma maneira há muito tempo esquecida por ela. Era paquera.
 Quando percebeu que ela sorria e olhava de volta, com olhos pretos e tão grandes e vivos como aves no céu claro, ficou sem graça, meio tímido. Se fosse mais claro, teria ficado vermelho, mas era negro, um pouquinho menos escuro que ela, então os gestos é que denunciavam o quanto estava estranhamente sem jeito. Resolveu acelerar a esmola. Pegando a primeira nota que estava no bolso, por sorte uma alta, e colocou na toca de lã, muito suja também, que estava no chão.
 Mas Ela, como chamavam os poucos que sabiam seu nome ali, pegou a nota, e espantando o cachorro alcançou uma pasta, de onde tirou caneta e papel, onde escreveu:
 Seu dinheiro não foi o ingresso para o meu show particular.
 Se gostou pode ver mais, olhe em volta, escolha um lugar.
 Sente-se, se você também sentir vontade de ficar.
 Pode parecer relento, mas meu castelo de talento,
 É mais que o suficiente para dos dois ser um lar.
Mas se for mais importante seu carro, la´parado,
                                                                  com motor ligado e motorista empertigado.
Ou todo mundo que se recordar,
Lembre-se que foi nos meus olhos,
Negros, cansados e felizes,
Com mais escuros matizes.
Que você teve seu breve momento de despertar.
E quando quiser, se tanto puder, pode voltar.
                                 Eliana, poeta sem teto.
 Mas ele nem soube que tomara uma decisão quando dobrou o papel e pôs no bolso, apressado.
 Virou as costas e correu até o carro preto. Outros veículos buzinavam alto, como que gritando a quebra de tabu. Mas o carro seguiu. A moça ficou rindo. Rindo com o gosto e a cachaça escondida. Rindo do rapaz "menos preto" menos pobre e menos livre, apaixonado por um único segundo em que se soltou da hipnose de todos os sentidos ordinários e enganáveis. Um segundo verdadeiro, infinito, rápido, lento, sem tempo, ou consequência.
 Ele tentou olhar pelo retrovisor, um imenso ônibus 129 dizia não. Que diabo!
 Seguiu o fluxo na fila imensa de acorrentados. Suspirou. Olhou no retrovisor.
- Maldito pelo de sobrancelha ...




























domingo, 30 de julho de 2017

Sobre a verdade

A verdade é a busca pela verdade.

kõan(kung an)

Quem é o responsável pela ignorância voluntária?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Fígado saudável

Seja como um fígado.
Em um corpo saudável, faça-o se sentir bem.
Em um corpo mal educado, faça-o se sentir mal.
Continue fazendo seu bom trabalho.
E não tente ser ou competir com um cérebro.

Do encontro marcante com o eu real.

Você não diria isso, se me conhecesse de verdade.

domingo, 2 de julho de 2017

Zé Buceta

"Eu sou grato pela parte da vida que não se expressa. Pois minha saúde, equilíbrio e vitalidade deve vir dali. Se dependesse da que se expressa, acho que eu estaria bem mais que fudido..."
(Zé Buceta)

Ódio

Odeio pólvora e petróleo. Odeio. Prefiro me afastar até mesmo do cheiro. Acho que só não odeio mais pólvora e petróleo que a desigualdade e a arrogância. Espero, um dia, que possamos viver sem essas 4 coisas, e as consequências de ter perto pessoas que as carregam.

sábado, 24 de junho de 2017

Os bolts não tem culpa, apenas irão aceitar os empregos...

vou dizer uma coisa aqui. só uma vez. a Elite financeira não precisa de semi ricos (classe média) , eles precisam de pobres, pra fazer o que é caro colocar uma máquina pra fazer, já que tem tanta mão de obra barata (escrava e semi escrava. empregados de sub empregos e bicos, assalariados desesperados que não exigem nada). 
a elite não vai substituir os pobres. ela vai substituir a classe média (que é cara, pretensiosa e exige privilégios) por máquinas , que terão as funções médias de gerenciar os pobres sem cobrar mais por isso. e os classe média vão se tornar pobres tbm. pois apesar de alguma cultura, não terão privilégio nenhum alcançado por isso, já que se trocou o status da cultura e erudição por dinheiro.
a classe média, por não aceitar que comparativamente com os ricos, estão mais perto dos pobres, vão cair feio.
pra quem tá de cima, é um tombinho. mas pra quem cai de classe média pra pobre, vai achar que é um despenhadeiro, quando forem retirados os falsos privilégios que tem.
a saída era desempobrecer os de baixo, se unir e exigir direitos pra todos, mas vc acha que os coxinhas vão dividir direitos com os pobres ou desejar o privilégio dos ricos? 
a armadilha está pronta a muito tempo... se chama vitrine do inacessível. e te pega pelo desejo idiota de consumo, pela falta de auto percepção, e pela falta de planos realistas baseados na realidade comum à grande maioria, que não poderá ser e nem ter seus robôs (bolts).

sexta-feira, 23 de junho de 2017

SONHANDO

Não existe pesadelo lúcido. É condição sine qua non para viver um pesadelo estar sonhando e inconsciente.

terça-feira, 20 de junho de 2017

VOCÊ PRIMEIRO, VOCÊ DEPOIS

sE NÃO SOUBER SE COLOCAR EM SEGUNDO E PRIMEIRO, VOCÊ MESMO SE PASSA PRA TRÁS, O TEMPO INTEIRO...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

PREFERÊNCIAS

Prefiro falar com grosseria sobre coisas sutis, às vezes, a falar sutilmente de coisas grosseiras, todo tempo.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Inútil e perfeita.

Toda vitrine é um passatempo inútil pra quem sabe o que quer, e também uma armadilha perfeita pra quem não sabe.

domingo, 28 de maio de 2017

caros coxinhas

Eu sei, caros coxinhas, que ensinaram vcs que os pobres é que são o perdedores, mas veja bem. Não é sobre ter grana. Muita gente nasce e morre sem ter tido grana . É sobre perder a noção da realidade. E nós que temos menos grana conhecemos muito mais a realidade que vcs. E como vcs não tem tanta grana assim, senão estariam morando em um lugar mais seguro. Vcs tbm não conhecem a realidade do que é ter grana de verdade, e principalmente viver num lugar onde todos tem(ou ninguém tem tbm, pois é nesses lugares que se descobre a realidade do ser humano. nos extremos, depois de ter saído da meiúca).
a questão é que quem não sai da meiúca mental nunca vai além do que o papai e a mamãe ensinaram (e isso tbm era meiúca).
no fim , perdedor é quem perde a noção de que o rico é privilegiado, e mormente não fez força pra ser rico, mas teve pais ricos (ou nobres), o classe média tem que se alienar se não quiser enlouquecer tentando subir a lacuna quase impossível entre médio e rico. (exceção pros classe média que nascem ricos e caem , pois quanto mais aguda fica a montanha social, mais classe altas caem para média e menos sobem para alta, muitos classes médias caídos não querem mais ser ricos, eles devem saber alguma coisa que não sabemos a respeito... ahahahahahahahahahahahaha! tipo o efeito colateral. ).
E pobres, como nós, quando temos chance de melhorar, na maioria das vezes não sabem o que fazer com isso, pois não há (NÃO HÁ) um modelo de educação que ensine pobre a ficar rico. Pobre não tem culpa do que acontece numa sociedade onde a renda fica excluída das mãos da maioria. (comparativamente é absurda a diferença de renda da parte de baixo da classe média e dos ricos da classe alta. o dinheiro que poderia resolver as coisas fica na mão de mais ou menos 1%. Isso mesmo, cerca de metade da grana, é dividida entre os um por cento mais ricos. O pobres , nem se quebrarem tudo, conseguem colocar a mão nessa grana. Metade de tudo. E isso não é dos governos. É dos ricos.
Não é da classe média. É dos ricos. Não é minha . É dos ricos. 
não perdedor não é quem tem pouco ou muito dinheiro.
Perdedor é quem junto com os pobres, classes médias, média-alta, e ou menos ricos, nem percebe que fica excluído da chance de melhorar o mundo em que vive, no que tange a tecnologia e infra-estrutura, e acha superimportante a opinião do seu mestre, do seu repórter, do seu padre, que tbm não vai poder mudar mais nada. 
Nessa altura da realidade. Vencedor aqui em baixo é que sabe que perdeu, que tem pouquíssima chance de reconquistar a própria REALIDADE, e mesmo assim não desiste. E perdedor é qualquer hipnotizado esperançoso, por promessa ou propaganda. Que não consegue ir além do que papai e mamãe ensinaram quando a vida era melhor. Perdedor é quem não sabe que sempre foi ruim para os pobres e miseráveis. Mas que está piorano. E são esses merdas desinformados é que ajudam , ou não atrapalham a piorar mais. #mundiça e não é sobre ter grana. vc pode ter grana e não ser coxinha... é sobre tomar vergonha. 
DABC.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

mais que nada

quando estou tocando, escrevendo ou pintando, estou mudando o mundo. o quanto, não importa. é "mais que nada".

terça-feira, 23 de maio de 2017

Entenda

O estrangeiro nunca vai entender o brasileiro. Porque os estrangeiros temem a guerra e a fome, deuses e demônios. Enquanto que o que o brasileiro teme é se tornar um dos arquétipos do Nelson Rodrigues.

sábado, 20 de maio de 2017

videotacracia

é o nome dessa bosta de sistema ...

Uma coisa

Uma coisa relativa que eu pensei nesse instante.
Foi um  refletir lindo.
Paradoxal e incessante.
Eu achei proporcional ao momento inusitado.
Que algo tão belo e sublime me fosse assim revelado.
Como algo que se expande.
Como o som dos elefantes.
Com tom calmo e conclusão elegante.
Abriu-se como cortinas e ressoou num estanque.
Nas lufadas da minha boca.
No perfume inebriante.
Porém já completo no significante.
Restou-me o estranho comentário redundante :
-Maconha não dá onda... Pfuuuuuuu... Depois de fumar Skunk.

Mundofeliz para todos!

Humildade na riqueza e disciplina na pobreza.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Negação

Muitos momentos cruciais da minha vida se baseiam em observar o que serei ao tomar tal atitude, e me negar a ser aquilo, custe o que custar, e torne-me o que eu me tornar.
A negação não me livrou de ser quem eu queria, mas sim e sempre de me tornar algo que eu não queria, nem quero, nem nunca hei de querer me tornar.
Se for pra me decepcionar comigo no passado, nego o futuro, ainda no presente.
Não  sei se serei sempre o que quero, mas definitivamente pude e posso escolher o que não ser.
Escolhi ser o que era para ser o que sou, e nunca deixar de ser que serei. Pois é disso que darei contas ao travesseiro a cada noite, por menor que seja.

HUMANIDADE

CONDENAM ARMAS.
ENDEUSAM OS INVENTORES DELAS.
FINANCIAM OS FABRICANTES DELAS.
CONFIAM APENAS NAQUELES QUE AS PORTAM.
ACEITAM E ORGANIZAM SUA PRESENÇA.
AMAM SUA APARÊNCIA, SOM E CHEIRO.
ELES MESMOS AS APONTAM, ATIRAM, LIMPAM E ATIRAM DE NOVO.
ELES MESMOS AS DESTROEM , COLECIONAM, REVERENCIAM.
ELES MESMOS TRATAM AS VÍTIMAS DE TAL INVENÇÃO SEMI-INÚTIL.
ELES MESMOS APONTAM-NAS PARA SEUS CÉUS DA BOCA E APERTAM SEUS GATILHOS.
ELES CHORAM OS QUE FIZERAM ISSO, E ACHAM ISSO ABSURDO.
ELES NUNCA OLHAM PARA SUAS PRÓPRIAS MÃOS.
SEUS INIMIGOS.
SÃO INIMIGOS DELES MESMOS. NEM AS ARMAS O SÃO.
FOSSEM SEUS AMIGOS, DESFARIAM-SE DELAS, DEIXANDO-AS COMO MUSEUS DO MAU EXEMPLO.
ARMAS PARA A HUMANIDADE, NÃO.
HUMANIDADE PARA A HUMANIDADE, SIM.
POR GENTILEZA, SIM?

domingo, 14 de maio de 2017

FRANCESCA

Você é tudo que eu sempre quis. Give me this  , forever, please.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Infinito

  Em frente ao mais sofisticado e perfeito bio-computador quântico já construído, o matemático centenário continua a tarefa extenuante de ditar o logaritmo que faria a máquina funcionar.
  Depois de bilhões de letras e números , o cientista está na última página.
  A bio-máquina, que levou anos de para ser construída e engendrada, entre as mais avançadas tecnologias de células tronco com o DNA dos maiores gênios da humanidade e os mais sofisticados hardwares feitos dos materiais mais nobres, foi feita para resolver definitivamente por meio de toda influência possível , todos os problemas do ser humano. Fazendo um "reparo '' no tecido quântico-mecânico-espacial, no erro que aconteceu no início do universo, ao mesmo tempo que mantendo as
condições que trouxeram a vida humana. Usando marcos , materiais datados e o entrelaçamento quântico-espaço-temporal, para corrigir tudo menos os erros que levaram nossa existência, por meio da evolução e seleção natural, para sermos ainda quem somos, ao mesmo tempo que corrigiria os defeitos que nos tornaram vulneráveis ao comportamento de rebanho e a auto-destruição de toda espécie, já bem adiantada. Faria com que se reformulasse , mas com entropia direcionada e controlada, e até anulada em alguns casos, toda história do universo, e nos traria uma situação final, em forma evolutiva, mas com continuação temporal suficiente para que o ser humano conseguisse deixar a vizinhança do Sol antes do advento supernova (e o consequente esmagamento da Terra entre a corôa solar e a gravidade de Júpiter, junto com Marte e a lua), ainda como seres humanos, mas sem os atrasos tecnológicos de mil anos, por conta da noite histórica chamada Idade Média, que seria a parte da história mais afetada por correções específicas, e no evitar de mortes de cientistas, botânicos, artistas, filósofos e outras pessoas que recebiam inspirações e comunicações quânticas de mundos mais adiantados. Mas nada disso era entendido naquela época. Havia muito medo e superstições. Causaram mil anos de atraso. As  ondas programadas corrigiriam as decisões nos cérebros da pessoas marcadas pelo logaritmo. Tudo isso seria reformulado e esquecido, exceto pelos arquivistas a H.U. (Humanidade Unida).
  Mas nosso herói de cabelos brancos e raros está cansado. Sua voz é captada, rouca e fraca, por um dispositivo microfônico, mas está falhando, em meio a tosses e um ruído parecido com o ronronar de um gato velho. A respiração parece que não vem. A máquina pára de reconhecer sua voz. Ele toma então a prancha negra de cristal, conectada com a máquina, e começa a escrever com letra manual , na ponta do dedo, a última parte de números letras e algarismos desconhecidos nesta época. A bio-máquina reconhece sua caligrafia e continua a registrar o logaritmo.
"Puta merda... Devia ter feito os malditos exercícios físicos... " Pensa fazendo uma careta de dor. "Vamos! É a última parte, seu velho tolo..." (falava mal de si mesmo em sua mente, pois nunca em sua vida ninguém o fazia, já que era um exemplo para seu tempo. Sentia falta de ser criticado. Fazia isso a si mesmo , mesmos sabendo mentiras o que se auto-imprecava. Não queria sentir falta de nada que o tornasse humano.)
  A bio-máquina espera que ele termine de escrever o código. O tempo espera. A humanidade espera.
 Ele treme, pois percebe que que sua voz se foi porque está morrendo de um ataque cardíaco. Um ataque lento e doloroso que agora é sentido em seu abdômen e cabeça. Decide-se pelo martírio e continua. A causa vale. Tem netos. É viúvo há muito, sem ter encontrado outra parceira (que foi quem projetou junto com ele a bio-máquina, e lhe deu seu nome. ). Seus netos terão um presente e um futuro maravilhoso.
  Já com a cabeça de lado , apoiada na superfície do cristal, escreve trêmulo os últimos três números meio tortos e caindo para a direita : cinco, sete... oito.
 Morre.
  A bio-máquina inicia. O código roda, enquanto ondas quânticas são arremessadas no universo.
 Os efeitos dessas luzes e ondas não seriam percebidos até que alcançassem seus objetivos no tecido tempo-espacial: O início do universo.
 Em meio a sons e as sensações novas, o instrumento tecnológico transcreve os últimos símbolos que leu, marcando para sempre, no destino da humanidade, seu itinerário final:
 "Cinco, sete... Infinito."

FIM

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sem propaganda.

A mulher bela e o homem forte não existem.
Acorde.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Pelicanos Negros

Eu sou um pelicano negro de petróleo desperdiçado, derramado em um rompimento de tubulação. Não consigo voar. Olho a margem negra da praia e os peixes mortos, e rio da fome que irei sentir. Meus filhotes, negros e moribundos como eu, mas sem nenhuma consciência, bicam minhas penas e meus olhos, em buscas dos vermes que já consomem minha carne, a única coisa que restou para comer. Se encontram algum e se alimentam, limpando-me um pouco da morte que de mim se apossa, e sinto assim um pequeno alívio, consigo dar uma gargalhada engolfada em óleo, que vomito aos gorgolhões ao ar e em volta. E tornam eles a remexê-la em busca de mais vermes.
Não há peixes vivos, só rabos, espinhas secas e cabeças de peixe sobre o manto negro. O espelho dágua agora é negro. E alguém se aproxima com uma tocha acesa, pela praia, dizendo ser essa a solução...
Penso em como ficarão bonitas e doídas nossas penas em chamas. Meus filhos iluminados pelo fogo. E a nuvem negra subindo no horizonte do mar.
Choro.
Arde e coça.
E algo se mexe sob minhas pálpebras cheias de areia e óleo.
Lágrimas negras.
"Meus olhos! Biquem meus olhos, meus filhos! Meus olhos coçam e choram lágrimas ácidas! Biquem meus olhos, pequenos pelicanos negros! E se alimentem! ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!"

quarta-feira, 15 de março de 2017

A Paz que Sinto

Dentro do meu corpo , vivo em trevas.
Na escuridão da minha caixa craniana habitam faíscas bioquímicas.
Meu coração movimenta o sangue, enquanto se banha na tênue luz avermelhada que penetra por entre a pele, os poucos músculos e os ossos.
É uma escuridão morna.
Substâncias endócrinas e enteógenas tornam agradável o passeio e o repouso.
Ou incomodam quando está faltando algo.
No centro dos meus ossos, o sangue surge.
A paz que sinto, não sei de onde vem.
Não é daqui. Não parece ser deste corpo.
Não confio totalmente nela.
Mas estamos aprendendo a conviver.
Para que eu me torne pacífico,
Ou ela se torne louca.

sábado, 11 de março de 2017

PLANO. PLEASE.

eu estou fazendo exatamente o que quero , na medida exata da razão entre minha vontade e minha potência. minha potência é meu amor próprio por cada momento e instante. se manifesta em o quanto eu amo, e melhoro ou conservo ou ainda atraio ou afasto por amor, tudo que tem minha atenção no momento e instante em que vivo. sim , eu queria ser mais forte, querer mais, e amar mais a tudo que rodeia minha atenção. não , não quero mudar mais que isso no mundo. sei que mudo. aceito o que mudo. não quero mais que isso. quando vem mais agradeço e compartilho. normalmente vem menos e preciso do que é comum, mas tenho esperança de resolver estes déficits de potência/vontade, ou vontade/potência. não , não sei como. senão não seria esperança, seria um plano. e isso, no momento, é exatamente o que eu não tenho.

sábado, 4 de março de 2017

Cru

Calor do infernos na Alameda São Boaventura.
O dia começou muito ruim pra quem não tá acostumado com a rotina de pessoas como nós.
Mas insistimos em fazer arte, com tosse, pigarro da mesma amada alameda cheia de árvores , embora não tanto quanto era antes , e assim sempre...
Minha esposa vê um filme em inglês com legendas em português, e para aprender melhor o inglês desliga o ventilador.
Mas insistimos em fazer arte , pois temos a ânsia da criação em nossos ventres insaciáveis, então tomamos nosso instrumento de ofício (um deles), e sopramos.
Aos que não sabem , eu toco saxofone, e é uma das coisas que tenho de melhor para oferecer , restando apenas rabiscos em cores, e nesta literatura virtual que vêem.
Pois aos primeiros sons, óbvio, interrompo a aula de cinema-inglês-português e paranormalidade, pois é o tema do filme. Minha esposa é atéia e cética, mas gosta de entender os enredos das coisas, e admiro muito isso nela.
Ela reclama "Mah , dai..."
E então pego o sax e levo para o jardim. é uma floricultura, e tem motos na frente. São 20:30 da noite . Perfeito.
Sento-me. Apóio o cigarro ao lado. E toco o tema de Blade Runer, baixinho. São umas três notas, o começo, bem lentinho. Emoção pura. É o que eu tô tentando sentir e expressar ao mesmo tempo, e é tão baixo que um suspiro extinguiria, e mesmo assim , sinto vontade de continuar tocando. Tá bom. É melhor que falar e funciona melhor pra sentir as respostas da vida também.
Mas vem a vizinha da janela e diz. "Poxa , na hora do meu Jornal , não né meu amigo." E assim no grito, cala a arte da Alameda São Boaventura por alguns segundos.
Eu paro, penso na utilidade da Arte que Eu Faço , e no Jornal Nacional. E penso:
-Empatou.
 Mas, como não sou apenas saxofonista, a arte não pára na Alameda São Boaventura.
Volto e escrevo essa crônica, e sigo sendo apenas uma personagem comum da mesma via. QUE NÃO GANHA HISTÓRIAS NO GRITO. Embora já tenha tentado muito dessa maneira, também.
 E trago junto a vizinha amiga que não é musicista, mas agora que entrou na história, se torna também personagem imortal. Um fone? Uma Tv melhor/ Fechar a janela, mas tá calor né... Ar tá caro. Vai tocar dentro de casa. Vai escrever. Arte pra que, né...
 Nessas minhas humildes linhas de literatura virtual.
O que eu queria é tocar sem incomodar o jornal de ninguém. Mas as vezes você precisa fazer em silêncio o que estava fazendo com os lábios , a respiração, e tudo mais. Escrevo.
 Estou de folga mesmo. Nem devia ter tocado.
Deveria estar só escrevendo, e personagens melhores...
 Menos cru.