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sábado, 17 de abril de 2010

Trabalhador!?!?

Num fim de noite, já entrando o dia em madrugada reluzente, um par de amigos conversa cansado e feliz, após uma noite de música que juntos fizeram em um show, quando um dos dois se despede:
- o show foi massa, mas tenho que ir. Daqui a pouco estou no trabalho...
Surpreso com  a revelação o outro músico pergunta em exclamação:
- Tu é trabalhador cara?!?!
após um pequeno silêncio continua:
-Pô cara , tu me desculpa , mas não sabia que tu era trabalhador não. Acho que não vou mais poder andar contigo. Imagina se o pessoal que toca comigo fica sabendo? E minha produtora? E o público? E minha mãe? Já tõ até ouvindo minha mãe dizer :
- andando com trabalhador? Que isso meu filho? Não te criei pra isso! Desse jeito não vai ser ninguém na vida! Ai meu deus! Daqui a pouco vai estar trabalhando também... Ele já te ofereceu trabalho? (chorando) Se ele te oferecer não aceita, nem experimenta, essas coisas viciam, depois voce vai querer trabalhar até morrer que nem seu pai. E só os patrões é que ganham com isso. Não vá desperdiçar sua vida! Eu criei você pra ser artista! Artista!
- Não quero ter esse tipo de conversa com minha mãe, muito menos com minha mina. Pô minha mina é artista e filha de artista. Artista de família! Ela perdeu um irmão para o trabalho e ficou um mês em depressão.
-Tua mãe é muito exagerada cara!- Disse o primeiro.
- Eu consigo trabalhar e ser artista muito bem. E depois eu largo o trabalho quando estiver atrapalhando, não sou viciado.
-Vê lá cara, a maioria que vai por esse caminho acaba largando a arte pra ficar só trabalhando, sou seu amigo, quero te ver bem, mas enquanto tu trabalhar eu não ando contigo. Eu hein!
O cara trabalhador ficou puto, mas sem ter o que fazer foi embora cabisbaixo. O outro pediu uma cerveja de saideira pro ambulante que ainda estava ali e ficou bebendo e pensando enquanto fazia um muchocho:
-Um cara tão legal. Trabalhador... Que disperdício de talento...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Onde está o poeta?

Onde está o poeta que falava coisas que não se etendem?
Que bebia até cair no chão?
Que rosnava e uivava e até latia?
Que cantava o amor mas vivia só?
Que expressava o horror de pensar só?
Que nos fazia pensar no que não se pensa?
Nos atirando palavras como uma metralhadora giratória?
Nos fazendo pasmar ante tanta dor em oratória?
Que se drogava na frente de todos?
E se masturbava em praça pública?
Masturbando juntamente nosso medo, orgulho e imaginação?
Onde esta aquele que falava abertamente nos tabus?
Que se entregava como banquete aos urubus?
Que sangrava para convencer?
Para se conhecer?
Para se sentir?
E assim, em protesto ao consumo, se fazia consumir?
E alguém me diz:
-Ele se acabou, se entregou, chegou ao fim.
Mas eu o sinto, e assim pressinto,
Que tal poeta, não morrerá jamais!
Pois sei que ele viverá para sempre,
No coração de quem tocou com palavras, gestos e vida.
Sim! O poeta viverá,
Para sempre em sua arte
E também em mim!