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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Duas estradas

O passageiro pega um trem,
O caminhante toma um caminho.
O passageiro acompanhado,
O caminhante, quase sempre sozinho.
Enquanto um vai sentado,
O outro anda, tranquilo.
Um, pode ir pro lado errado,
O outro, só pode seguir os trilhos.

Pois se muda a rota da caminhada
                                       A qualquer hora.
Mas o trilho a se seguir,
Só se muda pelo lado de fora.

Um cão aparece na estrada do caminhante.
 Ele é velho e cansado,
 Já quase não vai avante,
Mas ainda assim, abana o rabo
                         Para o amigo passante.
Que pára, se abaixa, esquece o caminho
                                          por um instante.
O cão não é seu, talvez de ninguém,
Pertence a si, isso é importante!
Afaga-o, divide com ele alimento, e se separam logo adiante.
O caminhante vai sorrindo,
  E o cão, alegre latindo,
Fica próximo de onde estava, com o rabo sacudindo.

Já o passageiro, segue com ar preocupado.
Não, não há perigo nem tampouco está atrasado.
Apenas que também tem um amigo,
Mas este não está do seu lado.
Come sozinho, andando sentado.
O trem o sacudindo.
 Movendo-se, mas parado.
 Seu cão de pedigree, vai num vagão  separado.
Como disse, sem perigo.
Seu amigo está bem guardado.
Tem água, comida e cobertor,
             Apenas o lugar é meio abafado.
Mas como não é a primeira vez, vai dormindo sossegado.
  Sabe que daqui a pouco termina a viagem,
            E que junto com a bagagem,
  Daqui a mais um instante, também será carregado, de volta ao amigão, e tudo terá passado.
 (Gratidão!) Vai passageiro e cão,
Cada um após seu vagão!

 Vai, ó passageiro! Olhando pela janela!
 Vai, ó caminhante! Que vista bela! Que vista bela!

E quando as duas estradas se cruzam,
E se vêem nossos heróis,
Imaginam as vidas daqueles
 Que estão nos lados opostos daqueles limites metálicos,
                   E momentaneamente intransponíveis!
 E juntos, de repente,  vêem um passarinho,
 Alto, lá na ponta do galho de uma árvore, além do cruzamento,
 E num átimo de segundo, se olham de novo nos olhos.
 E só o caminhante sorri.
Mas em seguida gritam como meninos ao mesmo tempo:
"Eia!!! Prisioneiro!!!"
"Eia!!! Caminha o dia inteiro! "
Pois ambos sabem que não há nada ali,
 No trem, ou no meio do caminho.

O trem segue.
O caminhante segue.
Mas enquanto aquele volta a pensar no seu cão.
Este, que sai do caminho,
Segue atrás do passarinho,
Quem sabe, perto do ninho,
Não encontre para si,
Uma pena para o seu chapéu?

E nem pensa na diferença.

Que o passageiro não pôde seguir o passarinho nem com os olhos.
 (O trem fez uma curva pro lado errado no cruzamento)
Mas, pela sua decisão chegará no horário a estação. (Ele e seu cão)
Terão outra refeição e, sérios,  não dormirão ao léu.

 O caminhante fará sua cama no chão.
 Chapéu enfeitado.
 Barriga vazia.
 Sem cão.
 Sem caminho.
(Mas isso se faz...)
Dorme.
Sorrindo,
Sob o olhar atento das estrelas.

     




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