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quinta-feira, 8 de março de 2012

A Mulher

Duas mulheres marcam definitivamente minha memória e vida. Minha mãe e uma outra , que o nome eu não menciono, por puro respeito humano. Minha mãe, que me cuidou e me nutriu desde que, contrariamente aos seu planos, soube que estava grávida e por sua vontade deu continuidade a isso, e a mulher que primeiro me abriu as pernas, esta contrariando os planos de minha mãe para mim. Por incrível que pareça, foi esta a que me fez fixar a outra memória marco mulher...
 Minha mãe usava um D.I.U. (dispositivo intra uterino, que permite a mulher não engravidar e não parir). Mas mesmo assim, resolveu dar continuidade a gravidez e enfrentando todos os riscos, dar a luz a mais uma pessoa.
 Minha memória mais antiga é a de estar me amamentando. Isso mesmo , me lembro do momento em que sugava o mamilo da minha mãe , na mais pura inocência e pureza de uma criança de quase três anos de idade ,no ato de amor filial materno maior.
 Minha mãe me dera um irmão, e por isso, tinha novamente a oportunidade de ser amamentado. Uma grande sorte, já que gostava tanto de leite. Minha irmã, mais velha, não voltou a se amamentar na minha infância, ela desmamou cedo. Eu não, continuei sendo amamentado até três anos e meio. Meu irmão desmamou cedo também.
Minha mãe desde muito cedo , demonstra-me a imagem da mulher que luta pela sua carreira, pela sua família e pela sua própria vida. E do amor e carinho em educar e cuidar. Eu não era uma criança fácil.
Para comer eu corria até a outra extremidade da casa e voltava. Então minha mãe me segurava, fechando as pernas envolta do meus ombros, enquanto que com as mão, já uma segurando o meu queixo, e outra com a colher indo à minha boca e empurrando a comida, me obrigava a alimentação. Me dava um beijo na testa e ao me soltar, eu dava uma nova volta até a extremidade da casa. Tinha fazer isso repetidas vezes para que eu comesse toda a comida, pois eu não ficava no mesmo lugar até o fim do prato. Multiplique isso por toda uma infância e adolescência, minha mãe era uma heroína.
A outra mulher, foi uma empregada e irmã de congregação humilde da cidade Pindamonhangaba . Ou minha empregada , que é como eu falava , até aprender que era empregada de minha mãe na verdade. Porque este era seu emprego. Logo era o que ela fazia, trabalhava para uma família , limpando, cozinhando(ajudando), lavando, passando(tudo isso acho que ajudando também). Era nova convertida e  não devia ter muita fé. Pois foi flagrada numa tarde de verão, sem roupas no quarto das crianças com o menino mais velho. O menino mais velho em questão, que tinha três para quatro anos então, contemplava sua enorme vagina, sua cor interna rósea, em lábios tão diferentes dos que via nos rostos, não sorriam, mas pediam um beijo mesmo assim, seu muco brilhante e cavidades aveludadas, ele a tocava, ela lhe dizia o que fazer, onde colocar a mão, onde meter o dedo. Ela era diferente de sua mãe, sua cor era diferente, seu cheiro, o jeito como falava e olhava pra ele , perto ou longe dos outros, pois mudava. Não se sabe ao certo o que ela sentia, mas  ele não se esquivava, e até gostava. Ela lhe tocava de uma maneira diferente. Beijava sua boca quando ninguém estava vendo, pedia que sugasse o seu seio, de onde não saia leite, mas apenas gemidos, e estava com ele a maior parte do tempo que sozinho ficaria, pois ao redor de sua mãe sempre tinha gente. Coisas de mulher de pastor. Para que seu pai e sua mãe pudessem trabalhar , tínham a empregada. A atitude dessa mulher talvez tenha sido um marcador importante pra que tenha memórias tão remotas.
Mas minha mãe tinha daquelas amigas que batem palmas no portão e saem entrando. E foi assim que descobriram os hábitos deformados da minha amiga empregada. Mas nunca souberam da missa um terço, quando a flagraram só ela estava nua. Apenas tomaram então providências para que não mais acontecesse ( ou tentaram, pelo menos). Colocaram a mulher numa terapia e eu também e passaram a prestar mais atenção nas meninas que colocavam pra trabalhar conosco, após a justa demissão da outra. Agora checavam as famílias se eram amorosas com as próprias filhas, pois a outra tinha sofrido abuso do pai durante a infância.
E agora entram em cena, as memórias das mulheres que não foram nem amantes e  nem mães , mas amigas.
Mulheres que me cuidaram depois de mimado e abusado. Que me ensinaram o contato sem desejo ou amor extremo, e também outros tipos de amor mais sutis. Por amor ou vocação, o contato útil e prazeiroso de uma companhia amiga, mesmo sendo também chamadas de empregadas. Que me auxiliaram a aprender sobre a vida de uma maneira um pouco mais distante fisicamente, mas talves mais próxima da mente calma. Não duravam muito estas , pois eu e meus irmãos não éramos fáceis. E as meninas tinham que ser trocadas de tempos em tempos . Até para que não enlouquecessem.
 E então vieram as amigas definitivas que aliás reconheço em todas as mulheres.
São minhas professoras, e me ensinam sendo, a aprender o que não posso ser, e nem mesmo saber. Que está além do que minha natureza permite. A quem eu devo ouvir para saber o que sentem. A quem eu posso apenas respeitar, admirar e amar sempre, mesmo assim e assim mesmo.
A mulher.
Amo.

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