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sábado, 11 de julho de 2015

Bebê

 A Origem.
Era escuro, e molhado, e morno, e calmo, aquilo tudo que achava ser ele. Estava ligado pelo meio, acima da extremidade inferior, com relação ao seu próprio centro, e abaixo do lugar de maior atividade, mas a ligação era longa e flexível e não o incomodava, antes o mantinha ancorado ao universo , e o nutria também. Não enxergava, ouvia mal, sentia pouco. Mas em todo momento sentia a pulsação que acompanhava o som de batidas quase sicronizadas. A ligação pulsava.
O líquido entrava por todos os lugares da cabeça. Era estranho o gosto e pegajoso o toque contínuo no flutuar nele.
Havia, em parte do tempo, uma luz que vinha da direção dos sons confusos e mais distantes.
Sentia com a mente, também. Era amado, cuidado, havia pouca variação de humor, como se o universo emocional respeitasse e preservasse as emoções suas.
O tempo era dividido em sentir e imaginar, e sentir e sonhar. E tudo era calmo, pois não acontecia o perigo, que sequer conhecia, e nem tampouco o abandono. Sentia-se observado e cuidado todo tempo.
 Na maior parte do tempo, era só se mexer e vinha de imediato a resposta.  Por sobre aquela parede flexível que o encobria por todos os lados. Raramente conseguia tocá-la quando esticava as extremidades. Nestes momentos ouvia sons de fora (agora já sabia que havia lá fora), sons agradáveis,  sentia alegria. E que alguma coisa tocava aquela parede com extremidades como as suas, só que gigantescas, podia sentir sua pressão fora da parede, leve e segura.
 Quando não havia resposta, imaginava que o universo, assim como ele, dormia e sonhava. Mas estava imerso no universo, este não o feria enquanto dormia, nem o abandonava.
Nunca havia fome, nem dor, nem frio ou calor extremo. E sempre havia o toque do universo em seu limite externo. Sua pele.
 O tempo era longo mas ininterrupto, pois muito pouco mudava entre as piscadas e os movimentos dos olhos. Toda mudança era percebida principalmente pelo sentir da mente. Pois todo o resto era aparentemente mais difícil de controlar. E nunca era necessário esforço para controlar a mente, até então.
Numa dessas sessões de tempo em que o universo estava acordado, teve sua primeira experiência com o perigo. Foi uma sensação de preparo. Subconsciente, mais rápida que tudo que já havia pensado. E em seguida os sons externos ficaram ainda mais confusos, enquanto que as batidas aceleravam e a temperatura diminuía lentamente. Senttia agora todo  o universo tremer fora. Tudo parecia terrível e havia estampidos e explosões, juntamente com luzes fortíssimas. E de repente tudo se aquietou de novo. A temperatura voltou a subir e o universo parou de tremer. A sensação de frio preparo parou, e aquela que seniu depois, que era o medo também. Voltou a se sentir bem.
Foi a primeira vez, talvez  pelo movimento,
que sentiu um ligeiro incômodo no cordão que o ligava, e assim o percebeu melhor. Era a parte mais longa do seu corpo, e se estendia até os confins do universo interno.Talves até a parede!
 Com a calma e o passar do incômodo, percebeu que o universo dormiu. Teve sono e ainda enquanto se perguntava o que teria acontecido no universo exterior, adormeceu.
 Passou a dormir mais tempo, para sonhar mais. Com o que sonhava ainda não sabemos.
 Os tempo então passou mais rápido, e sem perceber, chegou até o momento do seu nascimento.
 Que coisa terrível era aquilo. Tudo estava mudando. A temperatura, e o humor do universo. Parecia que o universo iria se acabar. Se contorcia e se comprimia sobre ele. Sentiu muito medo. Via luzes e sons parecidos com os de sempre, mas não as reconhecia. O som do universo gritava, enquanto sentia extremidades anteriores de outra pessoa empurrando. Uma pessoa maior universo!
 O líquido que cobria sua pele estava indo-se, tudo ficando apertado, empurrado pelo universo, para a parede externa! Sentiu que o substrato abaixo do piso ia se abrindo,  e que na verdade era uma passagem, mas para onde? Sem poder evitar, e já desejando sair daquela situação , fosse para onde estivesse indo, escorregou os ombros pela abertura, sendo recebido por algo  que não tinha cor,
parecia branco, mas não era. Sentiu da luz morna. Era frio. Nunca havia sentido frio antes.
Uma daquelas coisas sem cor, que tinham extremidades iguais as suas, que sentia , mas não enxergava direito, o pegava pelos calcanhares . Sentiu uma das extremidades do sem cor bater no seu traseiro. Também nunca havia apanhado. Chorou.
Sentiu seu interior e seus olhos queimarem, e percebeu que nunca enxergou direito, Era tudo embaçado. E que ao aspirar tudo agora queimava e era seco. E sentiu cheiros.
Assustado e sentindo coisas que nunca sentira antes,  teve sua ligação com o universo cortada friamente, e após passar por uma rápida limpeza , foi envolvido num pano e colocado nos braços de sua mãe, que também não sabia o que era, mas que se parecia com os sem cor, apenas era , em sua maior parte , branca.
 E foi também nesse momento que teve sua primeira experiência externa de reconhecimento,


O colo.
 O lugar era branco. Seco como o ambiente. Sua garganta e pulmões ainda queimava. Não flutuava, como antes, pois algo o puxava de encontro aquele substrato branco. Não ouvia bem, os sons pareciam altíssimos e totalmente diferentes. Não havia mais gritos, senão o seu choro. Sentiu aquele ser puxar o tecido seco que puxava o substrato, e foi então que e teve o primeiro contato com um seio.
 Sentiu que a textura daquela superfície era maravilhosa, e tinha um cheiro perfeito. A coisa esfregou a extremidade daquela bolsa de pele macia em sua boca. Encaixou. Quanod tocou sua língua pela primera vez, o reflexo o fez puxá-la para trás, criando um vácua entre o bico do seio e ela. Sugou. E veio então a melhor sensação do dia. Dali vertia vida ao ser sugado! Sugou como se não houvesse amanhã. Que sabor maravilhoso! Que sensações incríveis, vindas de tantos lugares que ele  nem sabia que possuia internamente! Seria ele mesmo maior por dentro que por fora?
Enquanto sugava aquela delícia se acalmava. Seus ouvidos se adaptavam aos sons. E então começoua a reconhever a voz que vinha do alto daquela superfície branca. Era a voz do universo!
 Sem parar de sugar, verteu uma lágrima e um pequeno soluço de alívio e felicidade. Reconheceu também a voz mais fraca do universo, mas igualmente gentil, que era a voz de seu pai, ainda que não soubesse, e que esteve o maior tempo possível com sua mãe durante a gravidez, e finalmente agora no parto.
 Para o bebê, eram todas as vozes, vozes do útero, o "universo". E todas as coisas eram uma só. Unidas a ele pelo cordão umbilical, "a ligação".
 Como para os homens das cavernas nos primeiros tempos humanos. Desenhavam na parede. Feriam o inimigo desenhado, que eram a comida e os predadores. E assim, pensavam que teriam melhor caça e até matariam seus concorrentes naturais.
 Monistas, pois tudo era uma coisa só. Como bebês no útero.
 Este foi o princípio da superstição humana: A ignorância da realidade, somada a imaginação infantil e o desejo de retorno a um ambiente seguro, escuro mas com luz confortável, de sons e imagens mais simples e óbvias. A nutrição fácil, a falta de esforço, o tempo infinito para o passado, e ininterrupto para o futuro. As vozes do universo sempre gentis e suaves.  Um bom agora e longo agora.
 Mas agora tudo havia mudado.

O berçário.

Acordou numa superfície menos macia que aquela que vertia vida. Fora despertado pelo som do choro de outros bebês. Ele não podia vê-los nem tocá-los, apenas suas vozes estridentes. Aquelas vozes o faziam se lembrar do parto, então também chorou.
Logo veio a enfermeira que gentilmente o pegou e o levou para o quarto de sua mãe. Ao ouvir sua voz, seu coraçãozinho disparou, e sentiu também uma sensação estranha por dentro. Também não sabia o que era. Era a primeira vez que a sentia. E era horrível, piorando a cada segundo. E chorou novamnete.
-Ele deve estar com fome, mãe.- disse a enfermeira gentil- Dormiu bastante!
A mãe tinha a voz consada;
 Meu filhinho Bentinho!- Disse colocando o seio em sua boca- Filhinho amado da mamãe!

                                                                                                       
               




































































































































































































































































































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continua.                                                                                  

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