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sábado, 4 de julho de 2015

Persistência

Um dia vou deixar tudo isso pra trás,
O cômodo mofado e sem lage,
O assobio do guarda na esquina e do maldito passarinheiro atrás da casa.
O barulho dos caminhões e ônibus dentro do quintal do vizinho,
E a igreja evangélica sem proteção acústica.
Entrando pela janela do banheiro.
O avião passando dentro de casa.
A casa noturna de pagode.
O vizinho que tortura sem piedade,
 Mas dá bom dia, na maior cara de pau.
A voz do ódio destilando veneno enquanto faz as unhas.
A impossibilidade de fugir desse inferno todo.
Volta a furadeira a atrapalhar meu poema.
Não parece lógico que uma furadeira as 8:00 da manhã de sábado na janela do vizinho é um mau feito?
As vezes cabelos brancos não dão nenhuma sabedoria.
E ter família nenhuma responsabilidade.
O outro é que tem que se controlar.
De que adianta o santinho no quintal, e o inferno na vida alheia?

A pobreza vai ficar pra trás,
A tristeza de saber para quem a minha música escapa pelas paredes finas quando dou o melhor de mim,
Prefiro não tocar, quando não preciso.
A dor dos gritos nas crises.
Aqui não há  santos.
Saber que me ouvem passar mal, e vibram.
Também sou tentado a comemorar suas infelicidades, prefiro não fazê-lo.
Me entristeço.
Concentro-me.
Tenho planos.
Me fortaleço.
Me alimento bem e não bebo.
Aprendo a lidar com as crises e a alcançar ajuda ,
Até do governo!
Já que a família me deu as costas.
E sigo em frente com minha amada.
Testemunha fiel do que escrevo.
Companheira infatigável na luta pelo sonho que se inicia na sobrevivência.
Um dia vou esquecer o número 955 da Alameda São Boaventura.
Não vou levar nenhuma mágoa.
Deixarei tudo aqui, nessas palavras.

 Partida.

Partirei com minha amada.
Este lugar não é meu.
Aqui não tem lei...
Um dia isso também ficará para trás.
Disso eu sei.

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