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terça-feira, 8 de novembro de 2016

A vida numa caixa de música.


O piano é automático e frio.
Ninguém realmente toca pra bailarina dançar.
Ninguém se importa com a dança, ou com o brilho das suas vestes.
Ninguém se apieda de por quanto tempo ela está ali dançando.
Ninguém lhe dá nada , de fato.
Dão à caixa, e não dão de fato.
Apenas guardam ali, o que querem usar em alguma hora, se for um brilho novo.
 Ou pra nunca mais, se for algo quebrado, que por mero apego,
                                                                                  não foi pra sucata, ou para o refugo.
A bailarina fica, ainda assim, feliz.
Crê-se. Pois seu sorriso não mudou nada com o passar dos anos.
As vezes, na pressa de sair, nem a colocam pra rodar.
Ou por preguiça de dar corda.
A música velha , ainda que linda, sempre toca o mesmo tema.
Ninguém nunca pensa em colocar a bailarina pra dançar quando colocam músicas novas.
E quando chega o momento fatídico em que a bailarina, a corda, ou a própria caixa se quebra.
É apenas uma caixa.
É enfeite.
Não fará falta.
A tristeza é fraca e infantil.
Morre débil, rapidamente.
Natimorta tristeza.
Restou a música velha e eterna.
Mas ninguém se lembrará da bailarina quando a ouvir.
A música nunca foi dela, mesmo...

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