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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Juízes frangos

A vida muitas vezes se mostra como um concurso de míster universo, em que todos da bancada são  não hipertróficos, pois são pessoas normais que estudaram anatomia, nutrição, educação física e medicina, ou fisioterapia. E patrocinadores, é claro.
 Não sabem o que seria "puxar um ferro" por horas, ou fazer dieta seca, nas épocas de competição.
Apesar de fracos, e não conhecerem a dor que a produz, sabem reconhecer a beleza dos que a conseguem elaborar melhor que eles. E não se julgam indignos de julgá-los sem esta parte essencial da experiência.
 Nem tentam. Sequer tem a glória daqueles críticos de arte que são artistas sem sucesso de público, mas reconhecidos em produzir e aferir bem o que seja sucesso no que fracassam. Estes não são invejosos, mas querem divulgar a boa arte, que gostariam de fazer, mas o destino e a fortuna legou a outros executar melhor e com mais público.
 Não são como frangos que julgam concursos de míster universo. Eu teria vergonha de fazê-lo. Como teria vergonha de julgar a poesia  de outrem fraca, se achasse minha própria poesia fraca, ou não dotada de inspiração real, a saber : as emoções, experiências, dores, orgulhos, vergonhas e amores reais que não mencionei enquanto escrevia. A raiva, o estupor, o espanto ante o próprio pensamento delirante.
"A arte, pra mim, é assim."

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