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sábado, 23 de janeiro de 2010

A raça dhualmana


 Havia num mundo longínquo, uma raça de homens muito peculiar.
 Eles tinham mãos diferentes com unhas saindo das pontas dos dedos, como para dar firmeza para ambos os lados. Pés para frente e para trás. Os dedos e articulações se também moviam pra ambos os lados, possibilitando o movimento pra trás e para frente. Eles tinham também dois rostos um pra trás e um pra frente. Por isso todas as adaptações do corpo. Não tinham nádegas.e tinham mamilos e orgãos genitais nos dois lados também.
 Na verdade eram como irmãos siameses só que um pra frente e outro pra trás.
 Suas vidas divididas ao meio sem nunca ver a vida do outro rosto acontecer.
 Porque uma vez que estivessem vendo o mundo ir, ao invés de vir, eles dormiam, e se acordassem e o mundo estivesse parado, podiam fazer o que queriam, mas quando estavam em movimento , ou estavam indo na direção do que queriam ou então estavam inconscientes sendo arrastados por aí.
 Por isso a gana com que concluiam rápidamente o que queriam fazer antes de dormir. Não sabiam para onde seriam arrastados ao dormir.
 Os que iam arrastados tinhas então a aparência de pessoas andando para trás e dormindo ao mesmo tempo. Quando eram visto assim eram tidos por pessoas muito estranhas e chamados de sonâmbulos.
 Também havia uma classe de pessoas, na verdade uma minoria, que conseguia manter acordados os dois lados da cabeça e controlar juntas as duas partes do corpo ao mesmo tempo, deixando cada parte fazer o que queria de cada vez, mesmo que isso não agradasse sua outra parte, mesmo que só ficassem meio satisfeitos. Ficavam meio que meditando essa parte da vida .
Entre outras peculiaridades, também tinha o fato de serem atraídos(os divididos) apenas para frente uns dos outros.
 Os seres metades eram de dois tipos: Um lado sempre positivo e o outro sempre negativo. Se moviam sempre na direção de seus pólos afins.
 Na verdade esse era o segredo de sua paz , nunca encontravam discórdias, estavam sempre entre pessoas muito felizes com sua felicidade ou muito tristes com sua tristeza.
 Como nunca viam ninguém diferente de si em conceitos e comportamentos, nunca tentavam convencer aquelas pessoas, tão diferentes de si, a ser como eles. 
 Como sempre iam naturalmente na direção dos seus iguais, mesmo as roupas eram muito estranhas para ambos os lados, porque cada lado fazia sua parte da roupa como queria, sem se importar com o lado que não viam ,senão dormindo e andando de costas ou conversando entre si.
 Uma coisa que acontecia que também raramente acontecia, é de alguém forçar a polaridade e virar para o outro lado interrompendo uma conversa do lado estranho a si. A quebra da polaridade gerava um tremendo mal estar para ambos e para quem estivesse conversando com o outroeu, era assim que eram chamavam aos que não reconheciam, outroeus. E também um desmaio instantâneo dos dois bidivíduos, por causa do shoque de ver um outroeu tão de perto, tanto a aparência quanto a fisionomia era-lhes diferentes. Como as máscaras do teatro , de comédia e tragédia.
Os outroeus, para a maioria, era uma raça diferente dos outronós( que era como se chamavam entre si), que se vestia mal e se comportava de uma meneira muito estranha. E ainda por cima eram sonâmbulos. os outronós não, raramente eram vistos assim...
Mas para aqueles que haviam conciliado as partes eram todos seus irmãos Cumprimentavam a todos e eram cumprimentados de volta normalmente apenas pela face que fosse igual a que eles usavam naquele momento. Viviam ouvindo as alegrias dos alegres e a tristeza dos tristes outroeus das duas faces, pois a maioria nem sabia que tinha alguém conversando um assunto tão estranho, para elas, enquanto estavam dormindo.
 Como os outroeus se uniam aos  seus outronós para ser a minoria deste mundo tão dual?
 Faziam um ritual muito estranho no qual conversavam com a imagem que vissem nas suas costas através de espelhos.
 Era para eles pavoroso, pois eram ensinados desde crianças a nunca tentar acordar os sonâmbulos, e também nunca deviam olhar para trás de suas orelhas . A maioria tinha muito medo de desrespeitar as leis orgânicas.
 Eles então tinham que montar uma instalação de espelhos e ver o reflexo, formando triângulos com o próprio ente, e assim começar um diálogo. No inicio não importa qual dos dois estivesse acordado o outro estaria dormindo, e só depois de muito tempo começaria então, sem saber, a acordar um sonâmbulo.
 No começo achavam que o que aparecia no espelho era um fantasma. Que eles estavam invocando no espelho. E até haviam alguns que afirmariam isso por longo tempo .
 Sendo chamados pelos outronós de espíritas ou médiuns( achavam que os outroeus eram mortos, fantasmas que falavam, não podiam ser vistos cara a cara)
 Estes realizavam feitos grandiosos no seu espiritismo, pois o outroeu fantasma, que estava sendo ajudado pelo médium, tinha poderes que eram as capacidades geradas pelo modo de viver dos outroeus.
 É claro que para o outronós ele também tinha habilidades que o outroeu não tinha, e que eram, igualmente para ele a ajuda que dava ao outroeu. Se o outroeus fossem muito risonhos (os outronós eram tristes), eles tinham que torná-lo mais realista. Se fossem muito tristes(os outronós eram felizes) então deviam animá-los com danças e coisas felizes.
Mas quando tinham pleno sucesso na prática de acordar e aceitar o outroeu como uma parte do outronós,
 é que ficava lindo .Eram conhecidos então como figuras muito estranhas, que falavam com sonâmbulos e cumprimentavam os outroeus na rua e ainda eram as vezes cumprimentados de volta .
Tinham também roupas coerentes dos dois lados(como sua personalidade), mas só eles percebiam isso.
 Alguns escondiam que eram assim e eram chamados de ocultistas, porque ninguém, senão eles mesmos, sabia o que lhes sucedia.
 Outros viviam vidas paradoxais falando publicamente de coisas que os outros não entenderiam.
 Quando não tinham sucesso eram chamados de loucos ,mas quando tinham eram chamados de magos.
 Esses últimos eram aqueles que além de aceitarem que eram outroeus ou outronós , conseguiam se aceitar como ambos, e viver entre eles, outroeus e outronós, seu próprio povo e raça de maneira equilibrada.
 Muito raros...


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